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Espanha segue à frente no mercado europeu de pimentão, mas cota de participação recua

Por: Redação Valores Agro
28 de setembro de 2026
Espanha segue à frente no mercado europeu de pimentão, mas cota de participação recua

Espanha lidera mercado europeu de pimentão

A Espanha segue como o principal fornecedor de pimentão dentro da União Europeia, concentrando uma fatia expressiva das negociações do produto no bloco. Na campanha 2025/2026, o país respondeu por 36,69% do mercado europeu, número que reforça sua posição histórica como maior produtor e exportador da hortaliça entre os países membros.

Essa liderança está associada a fatores estruturais da produção espanhola, como a extensão das áreas cultivadas, a tradição no manejo da cultura e a proximidade logística com os principais centros consumidores europeus. Ainda assim, o cenário atual mostra sinais de acomodação em relação a ciclos anteriores.

O desempenho da campanha atual, embora ainda dominante, reflete uma dinâmica de mercado mais disputada, na qual outros países vêm ampliando gradualmente sua presença nas prateleiras e nos canais de distribuição do continente.

Redução da participação ao longo das últimas safras

Um dos pontos que chama atenção no comportamento recente do setor é a trajetória de queda na cota de mercado espanhola ao longo das últimas dez campanhas. Mesmo mantendo a liderança, o país vem perdendo espaço de forma gradual para concorrentes que investem em expansão produtiva e em estratégias comerciais mais agressivas dentro do bloco europeu.

Esse movimento não significa necessariamente uma retração da produção espanhola em termos absolutos, mas indica que o crescimento de outros players tem sido proporcionalmente mais rápido, reduzindo a fatia relativa detida pela Espanha no total comercializado na União Europeia.

A leitura desse cenário costuma levar em conta variáveis como custos de produção, condições climáticas em cada região produtora, disponibilidade de mão de obra e a competitividade dos preços praticados por diferentes origens ao longo do ano comercial.

Holanda mantém-se como principal concorrente

Logo atrás da Espanha aparece a Holanda, que na campanha 2025/2026 registrou uma cota de mercado de 21,44% no comércio de pimentão dentro da União Europeia. O país segue como o segundo maior fornecedor do produto no bloco, consolidando uma posição que vem sendo mantida ao longo de diferentes ciclos comerciais.

A presença holandesa no setor está historicamente associada a sistemas de cultivo protegido, com alto grau de tecnificação, o que permite regularidade na oferta e padronização do produto entregue ao mercado europeu. Essa característica tem contribuído para sustentar a competitividade do país mesmo diante da liderança espanhola.

Agricultura regenerativa ganha espaço no manejo agrícola

Paralelamente às disputas de mercado no setor hortícola, cresce entre produtores e técnicos o interesse pela agricultura regenerativa, modelo de manejo que tem como foco principal a recuperação e a manutenção da qualidade do solo ao longo do tempo. A proposta busca reduzir a degradação dos recursos naturais associada a práticas convencionais mais intensivas.

O conceito parte da ideia de reproduzir processos observados em ambientes naturais, priorizando o equilíbrio biológico do solo em vez de depender exclusivamente de insumos externos para sustentar a produtividade das lavouras. Essa abordagem tem ganhado espaço em discussões técnicas voltadas à sustentabilidade da produção agrícola.

Entre as estratégias mais associadas a esse modelo está o uso de cobertura vegetal permanente ou temporária sobre o solo, prática que ajuda a preservar a umidade, reduzir processos erosivos e favorecer a atividade biológica responsável pela ciclagem de nutrientes.

Práticas que imitam os processos naturais do solo

A lógica por trás da agricultura regenerativa envolve minimizar o revolvimento do solo, manter a cobertura vegetal na maior parte do ano e diversificar as espécies cultivadas em rotação, de forma a reduzir a dependência de um único sistema produtivo em determinada área.

Esse conjunto de práticas tem como objetivo devolver ao solo parte da resiliência observada em ecossistemas naturais, nos quais a decomposição de matéria orgânica e a atividade microbiana sustentam ciclos contínuos de fertilidade sem intervenção humana direta.

Ainda que o conceito não seja recente, o interesse por sua aplicação prática tem se intensificado diante da necessidade de equilibrar produtividade agrícola com a preservação de recursos naturais no longo prazo, especialmente em regiões onde o desgaste do solo já compromete o desempenho das lavouras.

Perspectivas para o setor hortícola

O cenário observado no mercado europeu de pimentão ilustra como a competitividade entre países produtores pode se transformar mesmo quando a liderança de mercado permanece estável em termos absolutos. A disputa por participação relativa tende a se intensificar à medida que novos players ampliam capacidade produtiva e investem em eficiência logística.

Ao mesmo tempo, a incorporação de práticas como a agricultura regenerativa aponta para uma tendência mais ampla no setor agrícola, na qual a sustentabilidade do solo passa a ser tratada como fator estratégico, e não apenas ambiental, dentro do planejamento produtivo de médio e longo prazo.

A combinação entre pressão competitiva internacional e busca por modelos de manejo mais duradouros deve seguir moldando o debate sobre produtividade e sustentabilidade no setor hortícola nos próximos ciclos comerciais.

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