FMC projeta forte queda na receita do terceiro trimestre de 2026

Revisão de projeções financeiras
A FMC, uma das maiores fabricantes de defensivos agrícolas do mundo, revisou nesta quinta-feira suas projeções financeiras para o terceiro trimestre de 2026. Segundo a companhia, a receita do período deve ficar entre US$ 65 milhões e US$ 125 milhões, representando uma retração de 76% a 88% em comparação com o mesmo intervalo de 2025.
Além da queda acentuada na receita, a empresa também revisou para baixo sua estimativa de Ebitda ajustado, que deve variar entre US$ 565 milhões negativos e US$ 510 milhões negativos no trimestre. Os números refletem um cenário de desaceleração nas vendas e desequilíbrio entre oferta e demanda nos principais mercados em que a FMC atua.
Impacto de ações comerciais nos resultados
De acordo com a companhia, parte significativa desse resultado negativo está relacionada a um conjunto de ações comerciais destinadas a reduzir o preço de determinados produtos que ainda estão em posse de clientes do canal de distribuição em mercados estratégicos. Essas medidas, segundo a FMC, devem gerar um impacto financeiro estimado entre US$ 625 milhões e US$ 675 milhões.
A estratégia também contempla mudanças no modelo de vendas e formação de preços adotado nos Estados Unidos, com o objetivo de corrigir distorções acumuladas ao longo dos últimos períodos e facilitar o escoamento dos estoques existentes.
Demanda fraca e excesso de estoques
O diretor-executivo da FMC, Pierre Brondeau, afirmou que a demanda registrada no trimestre ficou abaixo das expectativas da companhia, enquanto o volume de estoques acumulados segue elevado. Essa combinação, segundo o executivo, exige medidas abrangentes para reequilibrar os balanços financeiros da empresa.
Brondeau destacou ainda que a queda nos preços de mercado, impulsionada em parte pelo avanço da concorrência de produtos genéricos, ampliou a diferença entre o valor contábil dos estoques da FMC e os preços praticados atualmente pelo mercado. Esse descompasso, de acordo com a companhia, tem dificultado a comercialização desses produtos junto aos produtores rurais.
Medidas comerciais em mercados estratégicos
Como primeira frente de ação, a FMC informou que está implementando medidas comerciais no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos e no Canadá. O objetivo é reduzir o preço de determinados produtos que permanecem em estoque nos canais de distribuidores desses países, facilitando a movimentação dessas mercadorias até o produtor final.
Essas ações fazem parte de um esforço mais amplo para destravar o fluxo comercial da empresa, que vem sendo impactado pelo acúmulo de produtos nos elos intermediários da cadeia de distribuição.
Mudança no modelo de vendas americano
Em um segundo momento, a FMC pretende modificar de forma estrutural seu modelo de vendas e precificação nos Estados Unidos. Historicamente, a companhia utilizava uma estrutura baseada em preços brutos elevados associados a descontos expressivos concedidos aos clientes.
A proposta agora é reduzir significativamente a diferença entre o preço bruto e o preço líquido praticado, simplificando a estrutura de custos para os clientes e tornando os valores mais alinhados às condições reais do mercado atual.
Segundo a empresa, a combinação dessas duas frentes de atuação, tanto as ações comerciais nos quatro países quanto a reformulação do modelo de vendas americano, deve eliminar uma restrição relevante à circulação de produtos até os produtores, além de preparar a companhia para atender à futura demanda de reabastecimento por parte dos clientes.
Divulgação de resultados e histórico recente
O balanço completo referente ao terceiro trimestre, assim como as perspectivas financeiras atualizadas para o ano de 2026, será divulgado pela FMC no dia 29 de outubro. O mercado acompanha de perto os próximos números da companhia, diante do cenário desafiador enfrentado nos últimos trimestres.
No segundo trimestre deste ano, a FMC já havia registrado prejuízo líquido de US$ 187 milhões, resultado atribuído à queda nos preços praticados e à redução nos volumes comercializados de defensivos agrícolas.
Medidas para fortalecer o caixa da companhia
Diante do cenário de pressão financeira, a FMC tem adotado uma série de iniciativas para reforçar sua posição de caixa ao longo do ano. Uma das principais medidas foi a venda de uma participação minoritária de 20% da companhia para o grupo belga Tessenderlo Group, acordo anunciado no final de junho e que movimentou aproximadamente US$ 403 milhões.
Ainda em junho, a FMC firmou um contrato de venda e posterior arrendamento, modalidade conhecida como sale and leaseback, envolvendo uma propriedade da empresa localizada em Newark, nos Estados Unidos. A operação, no valor de US$ 114 milhões, permite que a companhia continue utilizando o imóvel mediante contrato de locação, mesmo após a venda do ativo.
Cenário do setor de defensivos agrícolas
O momento vivido pela FMC reflete, em parte, um contexto mais amplo enfrentado pelo setor de defensivos agrícolas globalmente. O avanço de produtos genéricos tem pressionado margens e preços praticados por fabricantes tradicionais, exigindo reposicionamento estratégico de diversas companhias do segmento.
O acúmulo de estoques ao longo da cadeia de distribuição, somado à oscilação na demanda por insumos em diferentes regiões produtoras, tem levado fabricantes a reavaliar modelos comerciais historicamente consolidados, como ocorre agora com a estrutura de preços adotada pela FMC nos Estados Unidos.
A divulgação dos resultados completos ao final deste mês deve trazer mais detalhes sobre o alcance dessas medidas e sobre como a companhia pretende equilibrar sua operação financeira nos próximos trimestres, em um cenário de reorganização comercial em mercados estratégicos como Brasil, Argentina, Estados Unidos e Canadá.