IBGE projeta nova safra recorde de grãos para 2026

Produção de grãos deve bater recorde histórico
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), projeta que a safra brasileira de grãos em 2026 alcance 354,5 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 2,4% em relação à temporada anterior, quando a colheita somou 346,1 milhões de toneladas, consolidando uma nova marca para a série histórica acompanhada pelo instituto.
A estimativa divulgada em setembro também mostra avanço em relação ao levantamento anterior, realizado em agosto. Naquele período, a projeção já apontava para um resultado expressivo, mas os números atuais indicam um incremento de 0,4%, equivalente a 1,6 milhão de toneladas a mais no total estimado para o próximo ciclo.
Área plantada também cresce
Além do aumento na produção, o levantamento aponta expansão da área destinada à colheita de grãos em 2026. A projeção é de 83,2 milhões de hectares cultivados, volume 2% superior aos 81,6 milhões de hectares registrados na safra anterior. Esse crescimento reforça a tendência de ampliação do espaço agrícola dedicado às principais culturas do país.
Na comparação com o mês anterior, a área estimada também apresentou leve alta, de 0,2%, equivalente a um acréscimo de 143,7 mil hectares. O movimento indica ajustes graduais nas projeções à medida que novos dados de intenção de plantio e condições de lavoura são incorporados ao levantamento.
Soja, milho e arroz concentram a produção nacional
Entre as culturas avaliadas pelo IBGE, soja, milho e arroz seguem como os principais responsáveis pelo volume total de grãos produzidos no país. Juntos, os três produtos devem representar 93% da produção estimada para 2026 e 87,3% da área total a ser colhida, reforçando o peso dessas commodities na composição da safra nacional.
Esse padrão de concentração é recorrente nas estimativas do instituto e reflete a dimensão da cadeia produtiva ligada a esses grãos, que abrange desde o plantio até o processamento industrial e a exportação, com forte presença em praticamente todas as regiões produtoras do Brasil.
Soja deve registrar forte expansão
A soja aparece como uma das culturas com maior crescimento projetado para o próximo ciclo. A estimativa indica produção de 175 milhões de toneladas, alta de 5,4% em relação ao ciclo anterior. O resultado é impulsionado tanto pelo aumento da área destinada à oleaginosa quanto pelas expectativas de produtividade para a safra.
De acordo com o levantamento, a área a ser colhida de soja deve crescer 1,3% no período, acompanhando o movimento de expansão observado em outras culturas de grande relevância econômica para o agronegócio brasileiro.
Milho tem avanço puxado pela primeira safra
Para o milho, a projeção do IBGE aponta produção de 143,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 1,1% na comparação com o ciclo anterior, o que representa um acréscimo de 1,6 milhão de toneladas. O resultado é influenciado principalmente pelo desempenho da primeira safra do cereal.
A primeira safra de milho deve somar 29,7 milhões de toneladas, com crescimento expressivo de 15,5% em relação ao ano anterior. Já a segunda safra, conhecida como safrinha, tem estimativa de 113,6 milhões de toneladas, recuo de 2% no período, o que indica uma reacomodação entre as duas janelas de cultivo do cereal.
Em relação à área plantada, o levantamento projeta expansão de 2,5% para o milho no total do ano, com aumento de 8% na primeira safra e de 1,1% na segunda, reforçando o movimento de ampliação do espaço destinado ao cereal em diferentes regiões produtoras.
Arroz apresenta recuo na produção
Em sentido contrário ao observado na soja e no milho, a produção de arroz em casca deve registrar queda de 11,4% em 2026, totalizando 11,2 milhões de toneladas. A área destinada à colheita do cereal também deve diminuir, com retração estimada em 12,6%.
O resultado negativo para o arroz contrasta com o desempenho geral da safra de grãos, evidenciando variações específicas entre as culturas que compõem o levantamento do IBGE, influenciadas por fatores como rentabilidade, custos de produção e decisões de plantio dos produtores.
Trigo, algodão, sorgo e feijão têm resultados distintos
Entre as demais culturas acompanhadas pelo levantamento, o trigo deve apresentar queda significativa na produção, com estimativa de 5,9 milhões de toneladas para 2026, recuo de 24% em relação ao ciclo anterior. O resultado representa uma das maiores variações negativas entre os produtos avaliados.
O algodão herbáceo em caroço também deve registrar retração, com produção estimada em 9,5 milhões de toneladas, queda de 3,9% na comparação anual. Já o feijão apresenta projeção de recuo de 6,6% na produção total para o próximo ciclo.
Na direção oposta, o sorgo surge como uma das culturas com desempenho positivo entre os produtos de menor participação no total da safra. A estimativa é de produção de 6 milhões de toneladas, alta de 11% em relação ao ano anterior, resultado que contribui para a diversificação do cenário agrícola nacional.
Cenário geral da safra 2026
O conjunto de dados divulgado pelo IBGE mostra um cenário heterogêneo entre as culturas, mas que resulta, no total, em uma nova safra recorde de grãos para o Brasil. O crescimento da área plantada, combinado ao desempenho positivo de soja e milho, compensa as quedas registradas em produtos como arroz, trigo, algodão e feijão.
O levantamento segue sendo atualizado mensalmente pelo instituto, incorporando novas informações sobre condições de lavoura, avanço do plantio e expectativas de produtividade. Os próximos boletins devem oferecer um panorama ainda mais detalhado sobre a evolução da safra ao longo do ciclo 2025/2026.