Importação de fertilizantes recua em 2026 e acende alerta para safrinha de milho

Queda nas compras externas
Levantamento divulgado nesta terça-feira (13/10) pela consultoria StoneX confirma uma retração significativa nas importações brasileiras de fertilizantes ao longo de 2026. Os números acumulados entre janeiro e setembro mostram que os importadores adotaram uma postura mais cautelosa, seja reduzindo volumes de compra, seja buscando alternativas com melhor custo-benefício ou maior disponibilidade no mercado internacional.
Essa mudança de comportamento ocorre em um cenário de instabilidade nos preços internacionais de matérias-primas essenciais para a produção de fertilizantes, o que tem levado o setor a repensar estratégias de abastecimento para os próximos meses, especialmente diante da proximidade do plantio da safrinha de milho.
Fosfatados pressionados pelo enxofre
No segmento dos fosfatados, a StoneX aponta que os negócios foram diretamente impactados pela valorização do enxofre, insumo fundamental na fabricação desses produtos. O aumento nos preços está relacionado ao conflito no Oriente Médio, região que concentra parte relevante da oferta global da matéria-prima.
Segundo os dados, as compras acumuladas de MAP (fosfato monoamônico) entre janeiro e setembro ficaram cerca de 15% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano anterior. Já no caso do SSP (superfosfato simples), a retração foi ainda mais acentuada, com queda de 24% na comparação anual.
Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, destaca que a situação do SSP é particularmente delicada. Segundo ele, a valorização do enxofre levou uma importante fabricante nacional de fertilizantes a reduzir a produção desse insumo nos últimos meses, o que contribui para o cenário de menor oferta e demanda retraída.
Nitrogenados também em queda
A retração não se limitou aos fosfatados. As importações de nitrogenados também apresentaram recuo expressivo no período analisado, reforçando o quadro de cautela entre os compradores brasileiros.
De acordo com o levantamento, as compras de ureia caíram 21% em relação ao mesmo período de 2025. O nitrato de amônio (NAM) registrou queda ainda mais acentuada, de 32%, enquanto o sulfato de amônio apresentou retração de 18,5% na comparação anual.
Para Pernías, os volumes mais baixos de importação de nitrogenados em 2026 indicam que os compradores brasileiros ainda precisarão buscar cargas no mercado internacional para recompor estoques antes do início do plantio da safrinha. Segundo o analista, esse movimento deve se intensificar nas próximas semanas, à medida que se aproxima o período de maior demanda por insumos.
Receio de destruição de demanda
Diante desse cenário, cresce entre analistas do setor a preocupação de que o atraso nas importações não represente apenas uma postergação de compras, mas sim uma efetiva destruição de demanda. Esse fenômeno estaria relacionado à combinação entre volatilidade dos preços internacionais e relações de troca pouco favoráveis ao produtor rural.
Caso essa hipótese se confirme, o Brasil pode entrar no ciclo 2026/27 da safrinha de milho com estoques de nitrogênio mais baixos do que o historicamente observado. Segundo Pernías, essa condição pode reduzir a oferta disponível aos consumidores finais no momento em que a demanda por insumos costuma ser mais intensa.
O analista da StoneX pondera, no entanto, que ainda não é possível afirmar com segurança se essa redução nos estoques resultará em impacto direto sobre a produtividade das lavouras. Ainda assim, ele reforça que se trata de um ponto que exige acompanhamento próximo nos próximos meses, especialmente à medida que avança o calendário de plantio.
Reflexos sobre o planejamento do produtor
A combinação entre preços elevados de matérias-primas, menor disponibilidade de alguns produtos e cautela nas negociações tende a influenciar diretamente o planejamento de compra de insumos por parte dos produtores rurais. A necessidade de recompor estoques em um prazo mais curto pode gerar pressão adicional sobre os preços internos nos próximos meses.
Esse cenário reforça a importância de monitorar não apenas os volumes importados, mas também o ritmo das negociações internacionais, já que qualquer novo evento que afete a oferta de enxofre ou de outras matérias-primas estratégicas pode agravar ainda mais a situação observada ao longo do ano.
Panorama para os próximos meses
Com o início do plantio da safrinha se aproximando, o setor produtivo acompanha com atenção a evolução das importações de fertilizantes nas próximas semanas. A eventual aceleração das compras externas pode sinalizar uma tentativa de recomposição de estoques, enquanto a manutenção do ritmo mais lento reforçaria o cenário de cautela já identificado pela StoneX.
De qualquer forma, o comportamento do mercado internacional de matérias-primas, especialmente em relação ao enxofre, deve continuar sendo um fator determinante para a trajetória de preços e disponibilidade de fertilizantes no Brasil ao longo da próxima safra.