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Produção nacional de azeite de oliva atinge maior volume da história em 2026

Por: Redação Valores Agro
27 de setembro de 2026
Produção nacional de azeite de oliva atinge maior volume da história em 2026

Colheita recorde consolida crescimento da olivicultura brasileira

A produção brasileira de azeite de oliva extravirgem atingiu o maior volume já registrado em 2026, somando 1,434 milhão de litros. O resultado representa um salto expressivo em relação ao ciclo anterior, quando o país havia produzido 240,3 mil litros, número impactado por condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras.

O avanço também supera com folga o recorde histórico anterior, obtido em 2023, quando a produção nacional havia alcançado 640.228 litros. A diferença entre os dois patamares reforça o caráter excepcional da safra atual, que ocorre após dois anos consecutivos de perdas relacionadas ao excesso de chuvas durante o período de floração e maturação das oliveiras.

Rio Grande do Sul mantém liderança absoluta na produção

O Rio Grande do Sul segue como o principal polo da olivicultura nacional, respondendo por 81% de todo o volume produzido em 2026. O estado gaúcho produziu 1,17 milhão de litros de azeite, reforçando sua posição consolidada como referência produtiva no país ao longo dos últimos anos.

Em segundo lugar aparece a região da Mantiqueira, que soma 250 mil litros produzidos, distribuídos entre municípios localizados em Minas Gerais e São Paulo. Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo completam a relação de estados que contribuem para o resultado nacional, ainda que em volumes proporcionalmente menores.

Estrutura produtiva se expande em número de olivicultores e lagares

Além do crescimento em volume, a cadeia produtiva também avançou em capilaridade. O setor reúne atualmente mais de 620 produtores distribuídos por cerca de 280 municípios em oito estados brasileiros, número que evidencia a expansão geográfica da atividade nos últimos anos.

A estrutura de processamento também cresceu, com 77 lagares em operação no país, responsáveis pela extração do azeite a partir da azeitona colhida. Esse crescimento na infraestrutura industrial acompanha o aumento da área cultivada e da profissionalização do setor.

No Rio Grande do Sul, o levantamento aponta a atuação de 390 olivicultores distribuídos por aproximadamente 120 municípios. O estado concentra 69% dos 10,3 mil hectares de oliveiras plantados em todo o território nacional, consolidando sua relevância dentro da cadeia produtiva.

Clima ainda é o principal fator de risco para 2027

Apesar do resultado histórico, produtores e especialistas já monitoram os riscos para o próximo ciclo. A perspectiva de chuvas mais intensas durante a primavera na região Sul acende um sinal de alerta, já que o setor havia registrado quedas expressivas de produção justamente por conta do excesso de precipitação nas duas safras anteriores.

A sensibilidade da oliveira às condições climáticas explica a oscilação observada nos últimos anos. Períodos de floração e maturação dos frutos exigem estabilidade climática, e chuvas fora do padrão esperado podem comprometer significativamente o rendimento das lavouras, mesmo em regiões consolidadas como o Rio Grande do Sul.

Consumidor ainda não deve sentir alívio imediato nos preços

Mesmo diante do volume recorde, a expectativa é que o preço da garrafa de 500 ml de azeite não gourmet permaneça entre R$ 30 e R$ 35 ao longo de 2026. A explicação está na proporção ainda pequena que a produção nacional representa diante do consumo interno.

O Brasil consome cerca de 100 milhões de litros de azeite por ano, volume muito superior à capacidade produtiva atual do país. Essa diferença mantém o Brasil como um dos maiores importadores globais do produto, ocupando a terceira posição no ranking mundial de importações.

Segundo dados da Embrapa, o país importou 91 mil toneladas de azeite na safra 2022/2023, reforçando a dependência estrutural do mercado externo para atender à demanda interna, mesmo diante do avanço da produção nacional.

Trajetória de preços reflete oscilações do mercado internacional

Entre 2023 e 2024, o azeite figurou entre os produtos que mais pressionaram a inflação de alimentos no país. Os preços acumularam alta de 37% em 2023 e avançaram mais 20% em 2024, período marcado por quebras de safra em importantes regiões produtoras europeias.

O cenário começou a se reverter a partir de 2025. Entre janeiro daquele ano e janeiro de 2026, o índice de preços do produto recuou 22%. Já em julho de 2026, o acumulado em 12 meses apontou queda de 17,10%, refletindo a recuperação da oferta internacional após ciclos mais fracos registrados entre 2022 e 2024.

Essa recuperação da produção europeia, especialmente em países como Espanha, Itália e Portugal, tem impacto direto sobre o mercado brasileiro. Como o Brasil ainda depende fortemente das importações, oscilações na safra europeia se refletem no preço final ao consumidor nacional meses depois.

Mercado brasileiro segue atrelado ao calendário europeu

A dinâmica de preços no Brasil segue intimamente ligada a fatores externos, como o volume da safra europeia, a variação cambial e os custos de frete internacional. Essa combinação de variáveis explica por que uma quebra de produção em países como Portugal, Espanha ou Itália não gera impacto imediato, mas chega ao consumidor brasileiro com defasagem de meses.

Diante desse contexto, o crescimento da produção nacional é visto como um avanço relevante para o setor, ainda que insuficiente para alterar de forma significativa a relação de dependência do mercado externo no curto prazo. A consolidação da olivicultura brasileira, no entanto, sinaliza potencial de expansão para os próximos anos, condicionado principalmente à estabilidade climática nas regiões produtoras.

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