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Produtores do RS enfrentam falta de diesel às vésperas do plantio de verão

Por: Redação Valores Agro
15 de outubro de 2026
Produtores do RS enfrentam falta de diesel às vésperas do plantio de verão

Escassez chega ao campo em momento crítico

Agricultores do Rio Grande do Sul relatam dificuldades crescentes para abastecer máquinas e equipamentos com óleo diesel justamente no período que antecede o plantio da safra de verão. A escassez, segundo entidades do setor, tem relação direta com os conflitos no Oriente Médio, que pressionaram o preço do combustível no mercado internacional e reduziram a disponibilidade do produto em diferentes regiões do país.

O Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido internamente, o que torna o abastecimento nacional sensível a oscilações no cenário geopolítico global. Qualquer instabilidade em rotas de fornecimento ou aumento nos custos de aquisição no mercado externo tende a repercutir rapidamente na oferta interna, especialmente em períodos de alta demanda, como o início do ciclo produtivo de verão.

Representantes do setor confirmam pressão nos estoques

A Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis no Rio Grande do Sul, confirmou que a redução dos estoques é reflexo direto da tensão internacional. Segundo a entidade, o conflito elevou o valor do diesel no mercado externo, dificultando a reposição em ritmo normal pelos distribuidores que atuam no estado.

Além do cenário externo, outro fator agravou a situação local. De acordo com a Sulpetro, diversos estados brasileiros passaram a buscar combustível na Região Sul nas últimas semanas, atraídos por preços mais competitivos em comparação a outras praças. Esse movimento aumentou a demanda sobre um estoque já pressionado, intensificando as dificuldades de abastecimento para quem depende do diesel no dia a dia da produção agrícola.

Relatos de produtores evidenciam o problema

Em Santa Cruz do Sul, o produtor Arcênio Dupont enfrenta dificuldades há cerca de três semanas para conseguir o volume necessário de combustível. Ele afirma ter conseguido comprar apenas mil litros de diesel, quantidade inferior à metade do que costuma utilizar em suas máquinas, já que seu consumo médio gira em torno de dois mil litros no período.

A limitação no abastecimento compromete o planejamento das atividades no campo, especialmente em uma fase do calendário agrícola em que o preparo do solo e o plantio exigem uso intensivo de maquinário. A redução na quantidade disponível obriga produtores a reorganizar operações e, em alguns casos, a postergar etapas do trabalho rural.

Cooperativas também sentem o impacto

Em Júlio de Castilhos, uma cooperativa que atende cerca de seis mil produtores relata dificuldades semelhantes. Segundo a entidade, os distribuidores não têm conseguido enviar o volume de combustível necessário para suprir a demanda de toda a base de associados, o que gera incerteza entre quem depende da cooperativa para dar continuidade às atividades agrícolas.

A situação preocupa especialmente produtores que dependem de cronogramas apertados para realizar o plantio dentro da janela ideal. Qualquer atraso na disponibilidade de insumos, incluindo o combustível usado em tratores e colheitadeiras, pode impactar diretamente o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, a produtividade da safra.

Produtores recorrem a postos para garantir operações

Em Santa Maria, o agricultor Sidnei Prates precisou buscar diretamente em postos de combustíveis o diesel necessário para dar sequência à colheita de arroz. A medida reflete a tentativa dos produtores de contornar a limitação enfrentada pelas cooperativas, buscando alternativas para não interromper etapas essenciais da produção.

No entanto, mesmo os postos de combustíveis enfrentam restrições no fornecimento. O empresário Antônio Palharin relatou ter recebido apenas metade da quantidade de diesel que havia encomendado aos distribuidores, o que demonstra que o problema não se limita a produtores isolados, mas atinge toda a cadeia de distribuição no estado.

ANP afirma que não há risco de desabastecimento

Diante dos relatos de dificuldades no Rio Grande do Sul, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) se manifestou publicamente. A agência afirmou que não existe risco de desabastecimento de diesel no estado nem no restante do território nacional, buscando esclarecer a situação para produtores e consumidores.

Apesar da declaração, a ANP informou que reforçou o monitoramento dos estoques e da distribuição do combustível em todo o país. A medida tem como objetivo acompanhar de perto a evolução do cenário e identificar possíveis gargalos regionais antes que afetem de forma mais ampla setores estratégicos como o agronegócio.

Momento sensível para o calendário agrícola

O período em que os relatos de escassez ganharam força coincide com uma fase determinante para a agricultura gaúcha, marcada pela preparação do solo e pelo início do plantio da safra de verão. Nessa etapa, o uso de maquinário agrícola é intensificado, o que eleva significativamente a demanda por combustível em um curto espaço de tempo.

Produtores que dependem de cronogramas específicos para garantir o melhor aproveitamento das condições climáticas e do solo tendem a ser os mais afetados por qualquer instabilidade na oferta de diesel. A combinação entre demanda sazonal elevada e redução temporária nos estoques amplia a sensação de vulnerabilidade entre quem trabalha diretamente no campo.

Desdobramentos ainda em acompanhamento

Até o momento, entidades do setor de combustíveis e órgãos reguladores seguem monitorando a evolução do cenário no Rio Grande do Sul. A expectativa entre produtores é de que a normalização do fornecimento ocorra o quanto antes, evitando impactos mais amplos sobre o cronograma de plantio da safra de verão.

Enquanto isso, cooperativas, postos de combustíveis e agricultores seguem adaptando suas rotinas para lidar com a limitação temporária na oferta de diesel, buscando garantir a continuidade das atividades essenciais ao ciclo produtivo agrícola no estado.

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