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Crescimento do etanol de milho enfrenta limites de capacidade produtiva, aponta Rabobank

Por: Redação Valores Agro
15 de outubro de 2026
Crescimento do etanol de milho enfrenta limites de capacidade produtiva, aponta Rabobank

Etanol de milho segue em expansão, mas com ressalvas

A produção de etanol de milho no Brasil vive um momento de expansão acelerada, consolidando-se como uma das principais transformações recentes no mercado de biocombustíveis. Esse avanço, no entanto, não ocorre sem obstáculos, segundo análises apresentadas por especialistas do setor durante discussões recentes sobre o tema.

De acordo com projeções da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a produção do biocombustível a partir do cereal deve atingir 21,75 bilhões de litros até a safra 2034/35. O número reforça a trajetória de crescimento contínuo que o segmento vem apresentando nos últimos anos, impulsionado pela disponibilidade de matéria-prima e pela diversificação das rotas produtivas de etanol no país.

Apesar do otimismo com os números de longo prazo, especialistas chamam atenção para fatores que podem conter o ritmo dessa expansão nos próximos anos, especialmente relacionados à infraestrutura disponível para sustentar o crescimento projetado.

Capacidade instalada como principal gargalo

Durante a Conferência NovaCana, o chefe do departamento de pesquisas do Rabobank, Andy Duff, destacou que o principal desafio para a consolidação do etanol de milho como força relevante no mercado brasileiro de biocombustíveis está relacionado à capacidade instalada das plantas produtoras.

Segundo o especialista, a expectativa é de que, entre 2029 e 2030, a produção de etanol de milho alcance um patamar próximo a 20 bilhões de litros. Esse número, embora expressivo, indica um ritmo de crescimento que pode encontrar limitações estruturais antes de atingir a marca projetada pela Unem para a década seguinte.

A limitação de capacidade instalada envolve não apenas a construção de novas unidades industriais, mas também investimentos em logística, armazenamento e escoamento da produção, elementos essenciais para que o crescimento do setor se mantenha sustentável ao longo do tempo.

Impactos sobre o setor sucroenergético

O avanço do etanol de milho já provoca reflexos perceptíveis sobre o segmento sucroenergético, tradicionalmente dominante na produção de etanol no Brasil. A ascensão de uma rota alternativa de produção altera o equilíbrio competitivo entre as duas fontes, impactando decisões estratégicas de usinas e produtores.

Esses efeitos colaterais se manifestam de diferentes formas, desde a reconfiguração da oferta de etanol no mercado interno até possíveis ajustes na forma como as usinas de cana-de-açúcar planejam sua produção e distribuição de produtos entre açúcar e etanol.

A diversificação da matriz de produção de etanol, somando cana-de-açúcar e milho, representa uma mudança estrutural no setor sucroenergético brasileiro, que historicamente teve a cana como insumo quase exclusivo para a produção do biocombustível.

Perspectivas para a próxima década

As projeções da Unem indicam um cenário de consolidação para o etanol de milho ao longo da próxima década, com a produção avançando de forma consistente até 2034/35. Esse crescimento reflete tanto a disponibilidade crescente de milho no país quanto o interesse de investidores em diversificar as fontes de produção de biocombustíveis.

Contudo, a visão apresentada pelo Rabobank sugere que esse processo não será linear, havendo um período de transição em que a capacidade instalada precisará se expandir de forma significativa para acompanhar a demanda projetada pelo setor.

Esse descompasso entre a projeção de longo prazo e os desafios estruturais de curto e médio prazo tende a ser um dos pontos centrais de debate entre produtores, investidores e analistas de mercado nos próximos anos.

Diversificação da matriz energética brasileira

O crescimento do etanol de milho se insere em um contexto mais amplo de diversificação da matriz energética brasileira, na qual diferentes fontes de biocombustíveis passam a coexistir e, em alguns casos, competir por espaço no mercado interno e externo.

Essa diversificação é vista como um movimento natural diante da expansão da produção agrícola de milho no Brasil, que gerou excedentes capazes de sustentar tanto o mercado de grãos quanto a produção industrial de etanol a partir do cereal.

Ao mesmo tempo, a coexistência entre etanol de cana e etanol de milho exige adaptação por parte de toda a cadeia produtiva, incluindo distribuidores, usinas e o próprio consumidor final, que passa a ter acesso a um biocombustível com origem diversificada.

Desafios estruturais para sustentar o crescimento

Para que as projeções de produção de etanol de milho se concretizem, será necessário investimento contínuo em infraestrutura, especialmente em novas plantas industriais e na ampliação da capacidade das unidades já existentes.

Além da questão da capacidade instalada, o setor também precisará lidar com desafios logísticos relacionados ao transporte do milho até as unidades produtoras e à distribuição do etanol produzido até os centros consumidores, especialmente em regiões mais distantes dos polos de produção.

O cenário projetado pelo Rabobank reforça a importância de um planejamento estratégico de longo prazo por parte das empresas do setor, de modo a equilibrar a expansão da produção com a capacidade real de absorção e distribuição do biocombustível no mercado nacional.

A evolução do etanol de milho no Brasil, portanto, segue como um dos temas mais relevantes para o futuro do setor de biocombustíveis, exigindo acompanhamento constante de especialistas, produtores e formuladores de políticas públicas para o setor energético e agropecuário.

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