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Molinos Agro e ACA anunciam megainvestimento de US$ 500 milhões em nova planta de esmagamento de soja na Argentina

Por: Redação Valores Agro
29 de setembro de 2026
Molinos Agro e ACA anunciam megainvestimento de US$ 500 milhões em nova planta de esmagamento de soja na Argentina

Uma nova planta para o polo agroindustrial argentino

A Molinos Agro e a Associação de Cooperativas Argentinas (ACA) firmaram um acordo para investir US$ 500 milhões na construção de uma nova planta de moagem de soja em Timbúes, na província de Santa Fé. O empreendimento representa um dos maiores anúncios recentes do setor agroindustrial argentino e reforça a importância estratégica da região para o processamento e a exportação de grãos.

Timbúes está localizada em um dos principais corredores agroexportadores do país, às margens do rio Paraná, área que concentra grande parte da capacidade instalada de esmagamento de soja da Argentina. A escolha do local não é aleatória: a proximidade com a hidrovia facilita o escoamento da produção e a logística de exportação de farelo e óleo de soja.

Capacidade de processamento e escala industrial

A nova unidade terá capacidade para processar 15.000 toneladas de soja por dia, volume que deve elevar em aproximadamente 50% a capacidade total de moagem da Molinos Agro. Esse incremento coloca a empresa em um novo patamar competitivo dentro do setor de processamento de oleaginosas no país.

Segundo informações divulgadas pelo jornal El Cronista, a capacidade que será incorporada com o novo projeto se aproxima da que atualmente pertence à Bunge em Timbúes, o que indica a magnitude da aposta feita pela Molinos Agro e pela ACA nesse segmento do agronegócio.

Estrutura societária do projeto

O acordo entre as duas companhias prevê uma divisão de participação na produção, sendo 65% destinado à Molinos Agro e 35% à Associação de Cooperativas Argentinas. Essa distribuição reflete a estratégia conjunta das empresas para compartilhar investimentos e riscos, ao mesmo tempo em que ampliam sua presença no mercado industrial de soja.

A parceria entre uma empresa privada de grande porte e uma associação cooperativa consolidada no interior produtivo argentino sinaliza um movimento de integração entre diferentes elos da cadeia agroindustrial, unindo capacidade financeira, know-how industrial e articulação com produtores rurais.

Primeira etapa do projeto

A fase inicial do empreendimento contempla a construção da planta de moagem propriamente dita, além da infraestrutura necessária para armazenar grão de soja, farelo e óleo. Essa estrutura básica é fundamental para garantir a operação contínua da unidade e a capacidade de resposta às demandas do mercado interno e externo.

A farinha de soja, um dos principais subprodutos gerados pelo processamento, é insumo essencial na alimentação animal, sendo amplamente utilizada na produção de suínos, aves e peixes. Já o óleo de soja tem apresentado demanda crescente tanto para uso alimentar quanto para a produção de biocombustíveis, ampliando as possibilidades comerciais da nova planta.

Um master plan com potencial de expansão

Além da primeira etapa, o projeto contempla um plano diretor mais amplo, que prevê a possibilidade de incorporar novas linhas de moagem, ampliar a capacidade de armazenamento e construir um segundo píer sobre o rio Paraná. Essas expansões estão condicionadas a fatores econômicos, financeiros e agronômicos que serão avaliados conforme o avanço da obra.

Dessa forma, os US$ 500 milhões anunciados representam apenas o ponto de partida de um projeto industrial que pode crescer significativamente nos próximos anos, à medida que as condições de mercado permitirem novos aportes.

O cenário tributário como fator de estímulo

Entre os elementos que ajudam a explicar a decisão de investir um volume tão expressivo de recursos está o cenário previsto para os direitos de exportação na Argentina. A expectativa de uma redução progressiva das retenções sobre a soja e seus derivados, a partir de janeiro de 2027, tem funcionado como incentivo para que empresas do setor acelerem seus planos de expansão industrial.

Esse tipo de sinalização tributária costuma influenciar diretamente as decisões de investimento em capacidade de processamento, já que impacta a rentabilidade futura das exportações de farelo, óleo e demais subprodutos da soja.

Um movimento mais amplo na agroindústria argentina

O anúncio da Molinos Agro e da ACA se soma a outros investimentos recentes voltados ao processamento de grãos no país. Em junho, a Louis Dreyfus Company anunciou um aporte de US$ 400 milhões para construir uma nova planta de processamento de soja e girassol em Bahía Blanca, projeto que será integrado ao complexo já existente da companhia naquela cidade.

Esses investimentos, somados, evidenciam uma etapa de forte expansão da capacidade industrial argentina voltada à geração de valor agregado a partir de matérias-primas agrícolas, especialmente destinadas ao mercado internacional de óleos vegetais e biocombustíveis.

Valor agregado como estratégia de longo prazo

A nova planta em Timbúes reforça uma discussão que ganha cada vez mais espaço no agronegócio argentino: a necessidade de não apenas aumentar a produção de grãos, mas também investir na capacidade de processá-los internamente e exportar produtos com maior valor agregado, como farelo, óleo e outros derivados industrializados.

Essa estratégia tende a intensificar a disputa entre as grandes empresas que atuam na cadeia de soja, uma vez que a capacidade instalada de moagem se torna um diferencial competitivo tão relevante quanto o volume de grãos produzido nas lavouras.

Impactos regionais e para o setor

Para a Molinos Agro e para a Associação de Cooperativas Argentinas, o projeto representa a possibilidade de ganhar escala em um dos negócios mais estratégicos do agronegócio argentino. Para a região de Timbúes, o investimento significa a chegada de nova infraestrutura industrial e logística em um dos principais corredores exportadores do país.

Já para o mercado da soja como um todo, o anúncio abre um novo capítulo na disputa por volume, eficiência industrial e participação nos mercados internacionais, evidenciando que a competitividade do setor não se limita mais apenas à produção primária, mas se estende cada vez mais para as etapas de moagem, armazenamento e transformação industrial dos grãos.

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