Chuvas intensas elevam número de quedas de árvores em Campinas e expõem atraso em podas

Quedas de árvores crescem com temporais mais frequentes
Campinas enfrenta um aumento expressivo no número de quedas de árvores em 2026. Levantamento da Prefeitura mostra que, entre janeiro e 14 de setembro, foram registradas 713 ocorrências, número 30,3% superior ao total contabilizado durante todo o ano de 2025, quando foram 547 casos.
O crescimento coincide com um período marcado por chuvas intensas e eventos climáticos extremos na região. Apenas na última sexta-feira (9), um temporal acompanhado de granizo provocou 60 quedas de árvores e galhos em diferentes pontos da cidade.
De acordo com a administração municipal, os ventos durante o episódio superaram 60 km/h na região próxima a Viracopos, um dos fatores apontados como responsáveis pelo impacto sobre a arborização urbana.
Volume de chuvas já supera o acumulado de 2025
Dados do Cepagri, vinculado à Unicamp, mostram que Campinas já acumulou 1.354 milímetros de chuva até esta terça-feira (13). O volume é cerca de 300 milímetros maior do que o registrado em todo o ano passado.
A sequência de temporais mais volumosos tem contribuído para o enfraquecimento de árvores, especialmente aquelas com problemas estruturais ou falta de manutenção adequada, de acordo com relatos de moradores e especialistas da área florestal.
Moradores relatam longa espera por podas
Além dos números oficiais, a situação tem gerado preocupação entre moradores que convivem diariamente com árvores consideradas de risco. Casos de espera prolongada por atendimento têm se tornado recorrentes em diferentes bairros da cidade.
No Jardim Boa Esperança, a microempresária Ana Maria Ferreira afirma aguardar há oito anos por uma poda em uma árvore localizada em frente à sua residência. Segundo ela, o pedido nunca foi atendido, apesar das sucessivas tentativas de contato com os serviços municipais.
“Eu não quero extrair, eu quero só podar. Nunca tive retorno. A gente se sente um lixo. Não tem retorno, não tem atendimento”, relatou a moradora.
Ela conta que os galhos já avançaram sobre propriedades vizinhas e chegaram a danificar o motor do portão de sua casa. As raízes da árvore também teriam provocado danos na calçada ao longo dos anos.
Em uma nova tentativa de solução, Ana Maria procurou novamente o serviço 156, mas recebeu a informação de que não havia prazo definido para a execução do serviço solicitado.
Galho sobre rede elétrica preocupa outro bairro
No Jardim Roseira, moradores convivem há cerca de quatro meses com um galho apoiado diretamente sobre a rede elétrica. A situação gera apreensão, especialmente durante períodos de chuva mais intensa.
A advogada Karen Meidas afirma já ter aberto quatro protocolos solicitando a poda da árvore, sem que o serviço tenha sido efetivamente realizado até o momento.
“Já caiu um galho antes. A prefeitura veio retirar o que estava no chão, mas a árvore não foi podada. Depois caiu outro galho e o problema continua”, relatou.
Segundo ela, o temor é de que novos episódios possam atingir moradores da residência, incluindo crianças. “Quando chove, você vê a árvore balançando e não sabe o que fazer”, completou.
Pedidos de poda caem enquanto execuções recuam ainda mais
Levantamento da Prefeitura mostra que os pedidos de poda registrados pelo telefone 156 caíram 8% entre janeiro e setembro de 2026, passando de cerca de 3.121 solicitações no mesmo período de 2025 para aproximadamente 2.866 neste ano.
Chama atenção, no entanto, o recuo ainda mais acentuado no número de podas efetivamente executadas pela administração municipal, que registrou queda de 35% na comparação entre os dois períodos.
Prefeitura promete vistorias e explica critérios técnicos
Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que uma equipe do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) fará vistoria nos locais citados pelos moradores em até cinco dias úteis.
Segundo a administração municipal, os pedidos de poda são analisados com base em critérios técnicos relacionados ao estado de conservação das árvores, sendo as intervenções realizadas somente após a emissão de laudos específicos.
A prefeitura afirma ainda que cerca de 500 árvores são avaliadas mensalmente por equipes da pasta responsável pela arborização urbana. Os serviços de poda, segundo o órgão, são priorizados em situações de contato direto com a rede elétrica ou quando há risco iminente de queda sobre imóveis e vias públicas.
Especialistas alertam para riscos do manejo inadequado
Engenheiros florestais consultados sobre o tema apontam que parte dos problemas enfrentados atualmente está relacionada ao plantio inadequado de espécies em áreas urbanas, muitas vezes sem considerar o espaço disponível para o crescimento das árvores.
Os especialistas destacam ainda que procedimentos de poda e supressão precisam ser acompanhados por profissionais habilitados, capazes de avaliar corretamente os riscos estruturais envolvidos.
De acordo com a categoria técnica, engenheiros florestais e agrônomos podem emitir laudos específicos e solicitar intervenções emergenciais junto aos órgãos ambientais competentes quando há risco concreto à segurança pública.