FMI e Banco Mundial reúnem 191 países na Tailândia para debater inteligência artificial e economia global

Representantes de 191 países e territórios iniciam nesta semana, em Bangkok, as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, um dos encontros mais relevantes do calendário econômico mundial. O evento, que se estende até domingo, reúne autoridades financeiras, banqueiros centrais, ministros de Economia e representantes de organismos multilaterais para discutir os principais desafios da economia global neste momento.
Entre os temas que ganharam maior destaque na programação deste ano está o avanço da inteligência artificial e seus efeitos sobre o crescimento econômico, o mercado de trabalho e a desigualdade entre países. A organização do encontro reservou 17 eventos específicos para debater o tema, o que demonstra a prioridade dada pelos organizadores à discussão sobre os impactos dessa tecnologia na economia mundial.
Agenda ampla reúne autoridades de diferentes continentes
A programação da cúpula inclui a apresentação, pelo FMI, das perspectivas de crescimento econômico para diferentes países, além de relatórios sobre estabilidade financeira global e monitoramento fiscal. Esses documentos costumam servir como referência para governos e mercados financeiros ao longo dos meses seguintes.
Segundo informações divulgadas pela diplomacia tailandesa, o encontro deve reunir dezenas de dirigentes de bancos centrais, ministros de Economia, assessores financeiros e empresários do setor privado. Parte das discussões ocorrerá em formato fechado, sem acesso da imprensa, o que é comum em encontros desse porte voltados à negociação de temas sensíveis entre nações.
Inteligência artificial é destaque nos debates
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que a inteligência artificial estará no centro das conversas ao longo da semana, ao lado de temas como os preços da energia, considerados persistentemente elevados, e os níveis recordes de endividamento público em diversas economias.
A dirigente do FMI participará de um painel sobre o tema ao lado do vice-presidente e ministro de Economia da Espanha, Carlos Cuerpo, e de um dos cofundadores da empresa de inteligência artificial Anthropic. A companhia já defendeu publicamente um ritmo mais cauteloso no desenvolvimento dessa tecnologia, citando riscos potenciais e já identificados em sua aplicação.
Além desse painel, batizado de 'Dos riscos às oportunidades', a organização do evento espera reunir cerca de 15 mil participantes, entre eles 400 representantes de governos de diferentes países. Ao longo da semana, outros fóruns vão tratar da relação entre inteligência artificial e temas como emprego, educação, tributação, segurança e agricultura.
Crescimento econômico e riscos de desigualdade
De acordo com Georgieva, estudos conduzidos pelo próprio FMI indicam que a inteligência artificial, se utilizada de forma adequada, poderia adicionar até meio ponto percentual ao crescimento econômico mundial a cada ano. Esse ganho, no entanto, dependeria do controle adequado dos riscos associados ao uso da tecnologia, incluindo a possibilidade de que sistemas automatizados escapem do controle humano em determinados contextos.
A dirigente também alertou que a inteligência artificial pode ampliar desigualdades econômicas já existentes. Segundo ela, há risco de perda de postos de trabalho em diversos setores, ao mesmo tempo em que empresas de tecnologia registram ganhos financeiros expressivos com o avanço dessas ferramentas.
Participação de autoridades latino-americanas
Fontes diplomáticas confirmaram a presença, no encontro, dos presidentes dos bancos centrais da Argentina, do Chile e do Peru. Também estará presente o ministro de Economia da Argentina, Luis Caputo, além do vice-ministro de Fazenda do Peru, Erick Lahura Serrano.
A lista de participantes divulgada pelo FMI inclui ainda dirigentes dos bancos centrais da República Dominicana, do Uruguai e do Paraguai. O presidente da Junta de Política e Regulação Financeira e Monetária do Equador também deve integrar as discussões ao longo da semana.
Situação da Venezuela em pauta
Entre os painéis previstos está uma conversa específica sobre a situação econômica da Venezuela, que será conduzida pelo vice-presidente de Economia do país, Calixto Ortega. O painel, intitulado 'Do gerenciamento da crise à recuperação da esperança', deve abordar a cooperação entre Caracas e o FMI em um contexto recente de mudanças políticas no país.
Contexto global marcado por conflitos e incertezas energéticas
Segundo a diretora do FMI, a cúpula deste ano ocorre em um momento em que diversas economias enfrentam efeitos diretos de conflitos armados, com destaque para a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio. Outras nações seguem altamente dependentes de importações de energia, o que reduz sua capacidade de absorver choques externos.
Diante desse cenário, estão previstas reuniões específicas para discutir, sob uma perspectiva financeira, os impactos da guerra envolvendo o Irã, o comportamento do mercado internacional de petróleo e outras fontes de energia, além das cadeias globais de suprimento. Esses temas também permeiam a disputa tarifária entre China e Estados Unidos, intensificada desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.
A expectativa é que as discussões realizadas ao longo da semana em Bangkok influenciem diretamente as políticas econômicas adotadas por diferentes países nos próximos meses, especialmente diante da necessidade de equilibrar o avanço tecnológico com a manutenção da estabilidade financeira global.