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Pobreza rural na Colômbia persiste mesmo com avanço do setor agropecuário, apontam dados oficiais

Por: Redação Valores Agro
13 de outubro de 2026
Pobreza rural na Colômbia persiste mesmo com avanço do setor agropecuário, apontam dados oficiais

Contraste entre crescimento agrícola e pobreza no campo

Dados divulgados recentemente por entidades ligadas ao governo colombiano revelam um cenário contraditório para o setor rural do país. Enquanto a agricultura registrou expansão de 2,4% no último ano, os indicadores de pobreza no campo continuam elevados, evidenciando que o crescimento econômico do setor não tem se traduzido, na mesma proporção, em melhoria das condições de vida da população rural.

Luis Fernando Mejía, diretor da entidade responsável pela análise, destacou que esse descompasso chama atenção justamente porque ocorre em um período de desempenho positivo da produção agropecuária. Segundo ele, a persistência da pobreza rural em meio a esse avanço setorial representa um dos principais pontos de debate sobre as políticas públicas voltadas ao campo.

Os dois principais indicadores utilizados para medir a pobreza no país, o multidimensional e o monetário, apontam na mesma direção: a precariedade e a escassez de recursos básicos ainda não foram superadas nas áreas rurais. Essa convergência entre os dois termômetros reforça a percepção de que os desafios estruturais do campo exigem respostas mais amplas do que o simples crescimento da produção agrícola.

De acordo com o diretor da entidade, parte das diferenças observadas entre as diferentes bases de dados sobre pobreza se explica pela metodologia utilizada para o cálculo da linha de pobreza. Esse fator técnico tem gerado discussões sobre a comparabilidade dos números e sobre qual abordagem melhor reflete a realidade das famílias que vivem no meio rural.

Atualização catastral e adjudicação de terras

Entre as ações destacadas pelo Ministério da Agricultura colombiano estão a distribuição de alimentos e a adjudicação de terras, medidas que fazem parte de um conjunto de iniciativas voltadas à regularização fundiária e ao apoio a comunidades rurais. Essas ações têm sido apresentadas como parte de um esforço mais amplo para reduzir desigualdades históricas no acesso à terra e aos meios de produção.

Ana María Aljure, diretora do Instituto Geográfico Agustín Codazzi (Igac), informou que a atualização catastral rural e urbana já alcançou 29 milhões de hectares no país. Esse processo é considerado estratégico para melhorar a gestão territorial, dar mais segurança jurídica a proprietários e facilitar políticas públicas relacionadas ao uso do solo e à tributação.

A modernização dos registros catastrais também é vista como um instrumento que pode contribuir para o planejamento de investimentos rurais, já que informações mais precisas sobre a propriedade da terra tendem a facilitar o acesso a crédito e a programas de fomento agropecuário.

Conectividade digital chega às áreas rurais

Outra frente de atuação mencionada envolve a ampliação do acesso à internet em regiões remotas. A iniciativa tem como objetivo levar conectividade a escolas, postos de saúde, comunidades indígenas e parques naturais, locais que historicamente enfrentam maior dificuldade de acesso a serviços digitais básicos.

A expansão da internet nessas áreas é apontada como um passo relevante para reduzir o isolamento de comunidades distantes dos grandes centros urbanos, com potencial impacto em educação, saúde e acesso a informações sobre políticas públicas voltadas ao campo.

Um levantamento da revista U.S. News & World Report, citado entre as referências sobre o tema de conectividade, posiciona a operadora Spectrum, que utiliza conexão coaxial de fibra híbrida, como a segunda colocada em um ranking de provedores de internet. A menção reforça a discussão sobre quais tecnologias podem ser mais adequadas para levar conectividade a regiões de difícil acesso.

Meios de pagamento eletrônicos avançam no campo e na cidade

O uso de meios de pagamento eletrônicos tem se consolidado tanto no comércio urbano quanto nas zonas rurais do país, alterando a forma como a população resolve suas necessidades financeiras do dia a dia. Esse movimento é parte de um processo mais amplo de digitalização que também tem alcançado áreas tradicionalmente dependentes do uso de dinheiro em espécie.

Um estudo sobre comportamento digital apontou que o Facebook segue como a rede social mais utilizada pela população, seguido de perto pelo WhatsApp. Essas plataformas têm papel relevante não apenas na comunicação, mas também na divulgação de serviços financeiros e em estratégias de inclusão digital voltadas a produtores rurais.

Financiamento para atividades agropecuárias, florestais e pesqueiras

Também foi anunciada uma linha de financiamento destinada a apoiar iniciativas empresariais ligadas a atividades agropecuárias, florestais e pesqueiras. O objetivo é oferecer recursos que permitam a estruturação e o fortalecimento de negócios ligados a essas cadeias produtivas, consideradas estratégicas para a economia rural.

Construtores interessados em apresentar propostas relacionadas a projetos vinculados a essas linhas de apoio têm até o dia 9 de novembro como prazo máximo para submissão, segundo as informações divulgadas. O cronograma estabelecido busca dar previsibilidade ao processo de seleção e viabilizar a execução dos projetos aprovados.

Mulheres enfrentam mais barreiras de acesso ao crédito rural

Um dos pontos destacados no debate sobre financiamento rural diz respeito à participação das mulheres nesse mercado. Segundo os dados apresentados, as mulheres têm menor probabilidade de acesso a financiamento em comparação aos homens, mesmo apresentando menor probabilidade de atraso no pagamento de suas obrigações.

Esse contraste reforça a existência de barreiras estruturais que dificultam o acesso feminino ao crédito, apesar do perfil de pagamento mais favorável observado entre as tomadoras de recursos. A informação tem alimentado discussões sobre a necessidade de políticas específicas voltadas à inclusão financeira de mulheres no meio rural.

Reestruturação bancária para fortalecer serviços digitais

Por fim, foi aprovada uma reestruturação em uma instituição bancária com atuação relevante no financiamento rural, medida que deve fortalecer sua força de vendas e ampliar o desenvolvimento de produtos digitais. A iniciativa está alinhada ao movimento mais amplo de digitalização de serviços financeiros observado tanto em áreas urbanas quanto rurais.

Com essa reestruturação, a expectativa apresentada é de que a instituição amplie sua capacidade de atender produtores e empresas do setor agropecuário, acompanhando a transformação digital que já atinge diferentes etapas das cadeias produtivas, do financiamento à comercialização.

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