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Agroexportações do Peru desaceleram em 2026 e preocupam setor produtivo

Por: Redação Valores Agro
12 de outubro de 2026
Agroexportações do Peru desaceleram em 2026 e preocupam setor produtivo

As exportações agropecuárias do Peru somaram US$ 8,005 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, um avanço de apenas 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o montante havia atingido US$ 7,856 bilhões. O resultado representa uma desaceleração significativa para um setor que vinha acostumado a expansões expressivas, especialmente quando comparado aos crescimentos de 21% registrados em 2025 e de 20% em 2024 no mesmo intervalo de oito meses.

O cenário atual reacende preocupações entre exportadores e entidades do setor, que observam de perto a perda de ritmo em um segmento historicamente dinâmico da economia peruana. Dos oito meses analisados em 2026, cinco apresentaram resultados positivos, mas maio, junho e julho registraram quedas interanuais de 4,8%, 0,9% e 2,8%, respectivamente, evidenciando a irregularidade do desempenho ao longo do ano.

Influência climática e riscos para a produção

Parte da apreensão do setor está relacionada ao possível impacto do fenômeno El Niño sobre lavouras localizadas no norte do país. Culturas como manga, abacate, mirtilo, uva e banana estão entre as mais expostas a eventuais alterações no regime de chuvas e temperatura, fatores que historicamente influenciam a produtividade agrícola na região.

A combinação entre variações climáticas e oscilações de mercado tem sido apontada como um dos principais desafios para a manutenção do ritmo de crescimento observado em anos anteriores. A incerteza sobre a extensão e intensidade do fenômeno no restante do ano mantém o setor em estado de atenção.

Produtos agroindustriais concentram a maior parte dos envios

Os produtos agroindustriais responderam por 90,3% do total exportado, somando US$ 7,231 bilhões e crescimento de 1,8% na comparação anual. Entre esses itens, as frutas se destacaram como principal motor de expansão, com exportações de US$ 4,561 bilhões, alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Os mirtilos lideraram o avanço entre os principais produtos monitorados pela associação exportadora, com crescimento de 47,9%. As uvas vieram na sequência, com incremento de 17,6%, enquanto os abacates registraram alta de 8,3%. Esses três itens ajudaram a sustentar o desempenho positivo do segmento de frutas mesmo diante de um cenário mais desafiador para outras categorias.

Queda em legumes, hortaliças e outros itens agroindustriais

Apesar do bom resultado das frutas, o desempenho não se repetiu em toda a oferta agroindustrial peruana. As exportações de legumes e suas preparações recuaram 9,9%, enquanto os envios de hortaliças e outros vegetais caíram 1,8% no acumulado do ano.

O setor também reportou retração nos volumes exportados de cacau em grão, manga, aspargos frescos, cítricos e cacau em pó. Essa diversidade de resultados reforça a heterogeneidade do desempenho entre os diferentes produtos que compõem a pauta agroindustrial do país.

Principais destinos e variações por mercado

Estados Unidos, Países Baixos e Espanha concentraram 57% dos envios agroindustriais peruanos no período analisado. Entre os dez principais destinos, sete registraram crescimento nas compras, enquanto Espanha, China e Equador apresentaram retrocessos de 4,2%, 8% e 0,5%, respectivamente.

A diversificação de mercados tem sido uma característica relevante do setor exportador peruano, mas as oscilações registradas em alguns desses destinos mostram que a demanda internacional não se comporta de maneira uniforme, exigindo monitoramento constante por parte dos produtores e exportadores.

Cacau enfrenta clima adverso e queda de preços internacionais

Entre os produtos que mais sofreram dificuldades está o cacau. Representantes do setor cacaueiro indicaram que as chuvas e a umidade registradas entre março e maio prejudicaram a floração e a maturação do cultivo em diversas regiões do país, com destaque para áreas que concentram parcela expressiva da produção nacional.

De acordo com a avaliação do setor, a produção em determinadas regiões caiu entre 15% e 30%, justamente em um período que costuma coincidir com o pico da colheita. A expectativa é de que essa tendência possa se estender até o fim do ano, impactando de forma mais direta os pequenos e médios produtores.

Às dificuldades climáticas somou-se a queda nos preços internacionais do cacau, atribuída ao aumento da produção e das exportações de importantes países fornecedores globais. Projeções internacionais apontam para uma retração expressiva nos preços do produto ao longo de 2026, com possível estabilização apenas no ano seguinte.

Desempenho das exportações tradicionais

As exportações agrícolas tradicionais somaram US$ 774,5 milhões entre janeiro e agosto, com crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior. O café concentrou a maior parte desse resultado, representando 90,7% do total, com envios de US$ 701,7 milhões e avanço de apenas 0,6%.

O desempenho do café foi atribuído a um aumento nos volumes exportados, relacionado ao adiantamento da colheita em função das condições climáticas, além de uma leve valorização do preço médio no mercado internacional. Estados Unidos e Alemanha figuraram como os principais compradores, mas com trajetórias opostas: as exportações ao mercado norte-americano cresceram 16,1%, enquanto os envios à Alemanha recuaram 30,8%.

Perspectivas para o setor exportador

O café contribuiu para sustentar o crescimento das exportações agrícolas tradicionais, mas o avanço geral segue aquém dos patamares observados em anos recentes. A combinação entre fatores climáticos, oscilações de preços internacionais e comportamento irregular da demanda em diferentes mercados compõe um cenário de maior cautela para o setor.

A continuidade dessas condições ao longo dos próximos meses será determinante para definir se o ritmo mais lento observado em 2026 representa uma desaceleração pontual ou uma tendência mais duradoura para as agroexportações peruanas.

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