Balança agroalimentar do México registra superávit menor em meio a tarifas dos EUA e peso valorizado

Superávit recua em meio a pressões externas
A balança comercial agroalimentar do México fechou o período acumulado entre janeiro e agosto de 2026 com superávit de 4.283 milhões de dólares, valor 13,1% inferior ao resultado de 4.931 milhões de dólares registrado no mesmo intervalo do ano anterior. O dado foi divulgado a partir de informações do Banco do México, compiladas pelo Grupo Consultor de Mercados Agrícolas (GCMA), entidade que acompanha de perto o desempenho do comércio exterior do setor agropecuário mexicano.
O recuo no saldo positivo decorre de um descompasso entre o ritmo de crescimento das exportações e das importações. Enquanto as vendas externas agroalimentares somaram 36.035 milhões de dólares, com expansão de 2,5% em relação ao ano anterior, as compras externas alcançaram 31.752 milhões de dólares, avançando a um ritmo mais acelerado, de 5,1%. Essa diferença de velocidade entre os dois fluxos comerciais explica, em grande parte, a redução do superávit setorial.
Resultado mensal de agosto mostra inversão de sinal
Os números referentes especificamente ao mês de agosto de 2026 revelam um cenário ainda mais desafiador para o setor. As exportações agroalimentares do mês somaram 3.862 milhões de dólares, com crescimento de 6,6% na comparação com agosto de 2025. Já as importações mensais chegaram a 4.027 milhões de dólares, com alta de 1,1% no mesmo comparativo.
Como consequência direta desse movimento, a balança agroalimentar mensal fechou agosto com déficit de 165 milhões de dólares. Trata-se de um resultado que contrasta com o saldo positivo acumulado no período de oito meses, evidenciando que a tendência de deterioração do superávit vem se intensificando nos meses mais recentes.
Cerveja, tequila e abacate lideram pauta exportadora
No detalhamento dos principais produtos exportados pelo setor agroalimentar mexicano entre janeiro e agosto, a cerveja ocupou a primeira posição, com valor de 4.424 milhões de dólares, ainda que tenha registrado queda de 2,1% em relação ao ano anterior. O tequila apareceu na segunda colocação, somando 3.015 milhões de dólares, com expansão expressiva de 15,5%, um dos destaques positivos do período.
O abacate, por sua vez, manteve-se na terceira posição do ranking de exportações, totalizando 2.256 milhões de dólares, mas com recuo de 13,2% frente ao mesmo intervalo do ano passado. A queda no valor exportado do produto reflete parte das dificuldades enfrentadas pelo setor diante do cenário comercial mais restritivo imposto por parceiros internacionais.
Produtos pecuários e frutas vermelhas completam a lista
Na sequência do levantamento, o produto bovino se posicionou em quarto lugar entre as exportações agroalimentares, somando 2.103 milhões de dólares, com crescimento de 9,6% no comparativo anual. Esse desempenho positivo do segmento pecuário se destaca em meio a um cenário geral de maior cautela nas vendas externas de outros produtos do setor.
As berries, categoria que reúne frutas vermelhas como morango, framboesa e mirtilo, somaram 2.035 milhões de dólares em exportações, com contração de 3,4%. O tomate também figurou entre os principais itens da pauta, alcançando 1.805 milhões de dólares, com leve alta de 1,6%.
Já o açúcar apresentou um dos recuos mais acentuados entre os produtos monitorados, com queda de 8,0% e valor exportado de 1.405 milhões de dólares. Os chiles, por outro lado, mostraram resultado positivo, somando 1.287 milhões de dólares e crescimento de 7,2% no período acumulado.
Tarifas americanas e câmbio pressionam o setor
De acordo com a análise do GCMA, o setor agroalimentar mexicano enfrenta atualmente uma dupla pressão que ajuda a explicar o enfraquecimento do saldo comercial. De um lado, está o endurecimento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, movimento que tem freado as vendas de produtos como cerveja, abacate, berries e açúcar, itens tradicionalmente relevantes na pauta exportadora do país.
De outro lado, a valorização do peso mexicano frente ao dólar reduz a receita em moeda nacional obtida pelos exportadores, afetando diretamente a rentabilidade das operações de venda externa. Ao mesmo tempo, essa apreciação cambial torna as importações mais baratas, o que estimula o crescimento das compras externas e contribui para o estreitamento do superávit comercial do setor.
Reabertura parcial da fronteira beneficia setor pecuário
Em relação ao desempenho do segmento pecuário e às perspectivas para o restante do ano, o GCMA destaca que a reabertura parcial da fronteira para o comércio de gado bovino em pé representa um alívio importante para o setor. Esse movimento ajuda a sustentar o crescimento de 9,6% já observado nas exportações de produtos de origem bovina no período acumulado.
Ainda assim, segundo a análise, esse fôlego adicional não é suficiente para reverter a tendência geral de enfraquecimento da balança comercial agroalimentar como um todo. O desempenho isolado de um segmento, por mais relevante que seja, não compensa integralmente as pressões enfrentadas por outras categorias de produtos exportados pelo país.
Desafios para o restante do ano
O principal desafio apontado para os meses finais de 2026 será a capacidade do setor de manter o dinamismo das exportações sem que isso venha acompanhado de uma erosão ainda maior do saldo positivo da balança agroalimentar. O cenário combina fatores externos, como a política tarifária americana, com elementos internos relacionados à dinâmica cambial.
A continuidade desse quadro dependerá, em boa medida, da evolução das negociações comerciais entre México e Estados Unidos, além do comportamento futuro do peso mexicano frente ao dólar. Esses dois fatores devem seguir sendo monitorados de perto por analistas e representantes do setor produtivo ao longo dos próximos meses.