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China projeta safra maior de milho e reduz dependência de importações em 2026/27

Por: Redação Valores Agro
13 de outubro de 2026
China projeta safra maior de milho e reduz dependência de importações em 2026/27

Produção chinesa deve crescer com ganhos no norte do país

A China deve registrar um aumento na produção de milho da nova safra, segundo projeções apresentadas por Zhang Dalong, diretor de pesquisa de produtos agrícolas da Cofco Futures, durante conferência realizada na cidade de Dalian, no nordeste chinês. De acordo com o especialista, a produção nacional deve crescer entre 5 milhões e 8 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior, impulsionada principalmente pelo desempenho da região norte do país.

Zhang destacou que o comportamento da produção varia conforme a região produtora. No nordeste chinês, tradicional polo de cultivo, houve expansão da área plantada, mas a produtividade apresentou queda. Já na região norte, o cenário foi inverso, com melhora tanto na produção quanto na qualidade do grão colhido, fator que ajudou a compensar o desempenho mais fraco observado em outras áreas.

Importações devem recuar ligeiramente na safra 2026/27

Apesar do aumento da oferta interna, a China ainda depende de importações para equilibrar seu consumo doméstico de milho. Segundo as projeções apresentadas, as compras externas do grão para a safra 2026/27 devem somar 3,5 milhões de toneladas, uma redução de 170 mil toneladas em relação ao período anterior.

Do volume total estimado, Brasil e Argentina devem responder por 1,2 milhão de toneladas cada, enquanto os Estados Unidos devem fornecer 900 mil toneladas. O restante das importações deve ser suprido por outros países fornecedores, conforme indicado pelo analista durante sua apresentação.

Milho americano ainda enfrenta entraves comerciais

O tema ganha relevância diante do acompanhamento do mercado internacional sobre uma possível intensificação das compras agrícolas chinesas junto aos Estados Unidos. Isso ocorre após os dois países apresentarem uma proposta de redução de tarifas que abrange produtos como milho, trigo, óleos vegetais e farelos.

O milho americano é historicamente um dos produtos agrícolas de maior valor nas exportações dos Estados Unidos para a China, e poderia contribuir para que Pequim avance no compromisso de compras agrícolas bilionário mencionado anteriormente por autoridades americanas, relacionado a entendimentos firmados em encontro de lideranças em maio.

No entanto, segundo Zhang, o cenário atual ainda não favorece a retomada relevante das compras do grão americano. Ele afirmou que o produto não é comercialmente viável no momento, mesmo com a possibilidade de uma tarifa reduzida de 1% dentro da cota de importação estabelecida.

Margens negativas dificultam viabilidade comercial

De acordo com dados apresentados por Zhang, utilizando como referência os portos do Golfo dos Estados Unidos, as margens teóricas de importação para o milho com entrega entre novembro de 2026 e março de 2027 permanecem negativas. As estimativas indicam prejuízo variando entre 15,52 iuanes e 59,75 iuanes por tonelada, o que equivale a uma faixa aproximada de US$ 2,32 a US$ 8,93.

Esse cenário reforça a avaliação de que, mesmo diante de sinalizações políticas de aproximação comercial entre os dois países, fatores econômicos relacionados a custos logísticos, câmbio e competitividade de preço ainda pesam contra a retomada mais expressiva das compras chinesas de milho junto aos Estados Unidos.

Sorgo apresenta alta nas projeções de importação

Enquanto o milho segue com perspectiva de leve recuo nas importações, o sorgo deve apresentar comportamento oposto. As estimativas apontam que as importações chinesas do grão devem atingir 8 milhões de toneladas na safra 2026/27, um aumento de 550 mil toneladas em relação ao ciclo anterior.

O crescimento das compras de sorgo pode estar relacionado à busca por alternativas de abastecimento para a indústria de alimentação animal, especialmente diante das incertezas que ainda cercam o fornecimento de milho proveniente dos Estados Unidos.

Cevada registra queda expressiva nas estimativas

Já as importações de cevada devem apresentar recuo mais acentuado. A projeção aponta para um volume total de 10 milhões de toneladas na safra 2026/27, uma queda de 3,14 milhões de toneladas em relação ao período anterior.

A redução nas compras do grão pode refletir ajustes na demanda interna chinesa, bem como possíveis mudanças na composição de rações utilizadas pela indústria pecuária do país, que frequentemente intercala diferentes insumos conforme variações de preço e disponibilidade no mercado internacional.

Chegadas no quarto trimestre mostram oscilações entre grãos

Em relação ao curto prazo, as estimativas indicam que as chegadas de milho no quarto trimestre devem somar 400 mil toneladas. Já as chegadas de sorgo estão projetadas em 2,95 milhões de toneladas, um salto de 2,06 milhões de toneladas na comparação com o mesmo período do ano anterior.

As chegadas de cevada, por sua vez, devem alcançar 2,6 milhões de toneladas no mesmo intervalo. Os números reforçam o movimento de recomposição de estoques observado em diferentes grãos, ainda que com intensidades distintas conforme o produto analisado.

Cenário segue sob observação do mercado internacional

O conjunto de projeções apresentado reforça a complexidade do mercado global de grãos, especialmente diante das negociações comerciais em curso entre China e Estados Unidos. Embora haja expectativa sobre uma eventual retomada das compras agrícolas americanas, fatores técnicos e econômicos continuam determinando o ritmo real das transações.

O mercado internacional deve continuar acompanhando de perto os próximos desdobramentos das negociações tarifárias, assim como o comportamento da produção interna chinesa, que tem se mostrado determinante para definir o volume e a origem das importações de grãos do país nos próximos ciclos.

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