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Exportações agroindustriais da Argentina atingem volume recorde no primeiro semestre de 2026

Por: Redação Valores Agro
29 de setembro de 2026
Exportações agroindustriais da Argentina atingem volume recorde no primeiro semestre de 2026

Volume recorde impulsiona balança comercial argentina

O comércio exterior agroindustrial da Argentina registrou entre janeiro e agosto de 2026 o maior volume já contabilizado para o período, somando 84,26 milhões de toneladas exportadas e um valor total de 37,525 bilhões de dólares. Os números foram divulgados por órgãos oficiais responsáveis pelo acompanhamento de mercados agroalimentares e inserção internacional do país, com base em dados do instituto de estatísticas argentino.

O crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior foi de 10% em volume e 13% em valor, conforme apontado em relatório da pasta de Agricultura, Pecuária e Pesca argentina. O desempenho consolida uma trajetória de expansão que já vinha sendo observada em levantamentos anteriores, reforçando a relevância do setor agroindustrial na composição das exportações totais do país vizinho.

Mais de cem produtos batem recordes históricos

Segundo o levantamento, 126 produtos distintos alcançaram os maiores valores exportados de toda a década, evidenciando que o resultado positivo não está concentrado em poucos itens, mas distribuído por diferentes cadeias produtivas. Essa pulverização de recordes sugere um movimento amplo de diversificação da pauta exportadora argentina, que tem buscado ampliar mercados e reduzir a dependência de poucas commodities.

Entre os destaques individuais está a carne bovina desossada e congelada, que somou 1,889 bilhão de dólares em vendas externas, alta de 40% em relação ao período anterior. Já a carne bovina desossada fresca ou resfriada movimentou 1,051 bilhão de dólares, com crescimento de 36%, reforçando o protagonismo do produto animal na pauta exportadora do país.

Óleo e grão de girassol registram forte expansão

O óleo de girassol foi um dos produtos com desempenho mais expressivo, somando 1,842 bilhão de dólares em exportações, o que representa um avanço de 55% frente ao ano anterior. O grão de girassol, por sua vez, apresentou uma das variações mais acentuadas de todo o levantamento, com alta de 869%, totalizando 623 milhões de dólares em vendas externas.

Outros itens do complexo oleaginoso e de proteína animal também mostraram desempenho relevante, casos dos crustáceos congelados, que somaram 756 milhões de dólares com crescimento de 77%, e do mel, que atingiu 223 milhões de dólares, alta de 59% em relação ao período anterior.

Frutas, tabaco e laticínios completam lista de destaques

O limão argentino também figurou entre os produtos com desempenho de destaque, somando 203 milhões de dólares em exportações e crescimento de 45%. O tabaco desvenado avançou 18%, alcançando 158 milhões de dólares, enquanto o queijo mussarela somou 183 milhões de dólares, com alta de 15%.

Já as madeiras serradas, item que costuma ter menor visibilidade nas pautas de comércio exterior do agro, somaram 107 milhões de dólares em vendas externas, com crescimento de 25%. O conjunto desses resultados reforça a diversidade de setores que contribuíram para o desempenho recorde do período.

Produtos de nicho também alcançam marcas históricas

Além dos itens de maior volume financeiro, o relatório destaca uma série de produtos que ainda apresentam valores modestos em termos absolutos, mas que também bateram recordes de exportação. Entre eles estão orégano, café torrado sem descafeinar, sementes de coentro, kiwi, sementes de trevo, farelos de cereais, óleo de jojoba e preparações à base de tomate.

Esses itens, embora representem parcela menor do total exportado, indicam um processo de diversificação que pode ganhar relevância nos próximos períodos, à medida que novos mercados sejam explorados e a demanda internacional por produtos diferenciados se consolide.

Ásia lidera lista de principais destinos

Entre os dez principais destinos das exportações agroindustriais argentinas no período estão Índia, China, Vietnã, Brasil, Estados Unidos, Chile, Peru, Arábia Saudita, Indonésia e Malásia. A presença de países asiáticos no topo da lista reforça a importância desses mercados para o escoamento da produção agropecuária argentina, especialmente em segmentos como grãos, óleos e proteína animal.

O Brasil também aparece entre os principais compradores, consolidando o papel do país como parceiro comercial relevante para a Argentina em diferentes cadeias do agronegócio, ainda que o relatório não detalhe especificamente os produtos responsáveis pelo volume comercializado entre os dois países vizinhos.

Mercados emergentes registram saltos expressivos

O levantamento também chamou atenção para o crescimento acentuado das vendas para mercados que, historicamente, não figuravam entre os principais compradores da agroindústria argentina. A Bulgária liderou essa lista, com alta de 2.990% nas importações, impulsionada principalmente pela compra de girassol.

A Romênia também apresentou expansão relevante, de 424%, puxada por girassol e amendoim, enquanto Moçambique registrou crescimento de 388% nas compras, concentradas em óleo de soja. A Jordânia somou alta de 295%, com destaque para óleo de girassol, milho e cevada, e as Filipinas cresceram 248%, impulsionadas por milho e leguminosas.

Diversificação geográfica ganha força

Outros países que registraram crescimento expressivo nas compras foram Tailândia, com alta de 201% baseada em trigo e leguminosas, e Venezuela, com crescimento de 133% em produtos derivados da soja. A Turquia somou expansão de 132%, impulsionada por girassol, milho e soja, enquanto a Colômbia cresceu 103%, com destaque para óleo de soja e leguminosas.

Espanha também apareceu entre os mercados em expansão, com compras concentradas em crustáceos e girassol, assim como Israel, que registrou alta de 81% nas importações de carne bovina argentina. Esse conjunto de dados evidencia um movimento de ampliação geográfica das exportações, com ganho de espaço em mercados até então pouco representativos.

Consolidação da presença internacional

Os dados divulgados indicam que as exportações agroindustriais argentinas mantêm trajetória de crescimento mês a mês, alcançando um total de 135 mercados distribuídos por diferentes continentes. Esse alcance amplo reforça a inserção internacional do setor e sua capacidade de atender demandas específicas de diferentes regiões do mundo.

O desempenho registrado no primeiro semestre de 2026 se soma a resultados já observados em períodos anteriores, consolidando um cenário de expansão consistente para a cadeia agroindustrial argentina, que tem diversificado tanto os produtos exportados quanto os países de destino ao longo dos últimos anos.

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