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Exportações do agronegócio brasileiro para países árabes avançam 6,8% até agosto

Por: Redação Valores Agro
28 de setembro de 2026
Exportações do agronegócio brasileiro para países árabes avançam 6,8% até agosto

Desempenho geral das exportações

As exportações do agronegócio brasileiro destinadas aos países árabes totalizaram US$ 9,897 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, um crescimento de 6,81% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, entidade que acompanha de perto o fluxo comercial entre o Brasil e as nações do mundo árabe.

Segundo o levantamento, o resultado positivo foi sustentado principalmente pelo desempenho das vendas de carnes, açúcar, cereais e soja, produtos que historicamente ocupam posição central na pauta exportadora brasileira para essa região. O comportamento desses segmentos ajudou a compensar oscilações observadas em outras categorias ao longo do período analisado.

Carne bovina em ritmo acelerado de crescimento

Entre os produtos que mais contribuíram para o avanço das exportações, a carne bovina se destacou com faturamento de US$ 1,177 bilhão nos oito primeiros meses do ano, alta expressiva de 20,23% em relação ao mesmo intervalo do período anterior. O resultado reflete o aumento da demanda por parte de importantes compradores da região.

A Arábia Saudita registrou um dos crescimentos mais relevantes, com as compras de carne bovina brasileira subindo 56,66%, alcançando US$ 296,79 milhões. O Egito também apresentou desempenho significativo, com alta de 28,64% nas importações do produto, totalizando US$ 254,68 milhões no período.

Já os Emirados Árabes Unidos, outro mercado tradicional para a proteína bovina brasileira, tiveram incremento mais moderado, de 5,40%, somando US$ 127,35 milhões em compras. Ainda assim, o país permanece entre os principais destinos do produto na região árabe.

Carne de frango desacelera queda no acumulado do ano

No segmento de carne de frango, o cenário apresentou comportamento distinto. O faturamento acumulado entre janeiro e agosto somou US$ 2,169 bilhões, resultado que representa um recuo de 4,55% na comparação com igual período do ano anterior.

Apesar da retração, o dado revela uma desaceleração em relação à queda observada no primeiro semestre, muito em função do desempenho mais favorável registrado no mês de agosto. Esse movimento indica uma possível recuperação gradual do setor nos mercados árabes.

A Arábia Saudita segue como o principal importador da proteína de frango brasileira na região, com movimentação de US$ 697,83 milhões no período, o que representa alta de 10,22% em relação ao ano anterior. O país reforça sua posição de destaque entre os compradores do produto.

Produtos agrícolas mantêm trajetória de expansão

As vendas de produtos agrícolas brasileiros para os países do Golfo também apresentaram crescimento, ainda que em ritmo mais moderado. Entre janeiro e agosto, o setor somou US$ 3,852 bilhões em receitas, avanço de 2,19% em relação ao mesmo período do ano passado.

Alguns mercados específicos chamaram atenção pelo crescimento acentuado nas importações de produtos agrícolas brasileiros. O Iêmen registrou alta de 52,08% nas compras, totalizando US$ 270,56 milhões, enquanto Omã apresentou aumento ainda mais expressivo, de 53,73%, alcançando US$ 292,85 milhões.

Rotas alternativas contornam restrições logísticas

O avanço observado nesses mercados específicos está diretamente relacionado à utilização de rotas alternativas de transporte. Segundo a Câmara Árabe-Brasileira, o crescimento das exportações para Iêmen e Omã ocorreu por meio do uso de rotas de transbordo rodoviário a partir do Golfo de Omã e do Mar Arábico.

Essa estratégia logística tem sido adotada como forma de contornar restrições relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das principais vias marítimas para o comércio internacional na região. A adaptação das rotas comerciais demonstra a capacidade do setor de buscar alternativas operacionais diante de eventuais entraves geopolíticos e logísticos.

Perspectivas para o restante do ano

Em nota divulgada pela entidade, o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Orra Mourad, comentou sobre as expectativas para o fechamento do exercício. Segundo ele, a projeção é encerrar o ano com uma leve alta nas receitas de exportação em comparação com o ano anterior.

De acordo com o dirigente, esse resultado deve ficar em um patamar muito próximo do melhor desempenho já registrado pelo setor, alcançado em 2024, quando as exportações brasileiras para os países árabes somaram quase US$ 24 bilhões. O comentário reforça a relevância histórica desse mercado para o agronegócio nacional.

Relevância estratégica do mercado árabe

Os países árabes representam um dos principais destinos das exportações do agronegócio brasileiro, especialmente em segmentos como proteína animal, açúcar e grãos. A diversidade de mercados dentro da região, que inclui desde economias do Golfo até países como Egito e Iêmen, contribui para a pulverização de riscos comerciais.

O desempenho registrado nos primeiros oito meses do ano reforça a consolidação dessas relações comerciais, mesmo diante de desafios logísticos e geopolíticos que impactam rotas tradicionais de comércio internacional. A capacidade de adaptação das exportações brasileiras, seja por meio de rotas alternativas ou pela diversificação de compradores, tem sido fator relevante para a manutenção do fluxo comercial com a região.

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