Fabricante de veículos elétricos amplia atuação para mineração e agro no Peru

Uma nova fase de expansão no mercado elétrico peruano
A Electron Motors, concessionária peruana voltada à comercialização de veículos elétricos para empresas, estrutura um plano de crescimento para os próximos dois anos. A companhia projeta avançar entre 2026 e 2027 por meio de uma parceria estratégica com a IPESA, empresa com quase cinco décadas de atuação na venda de maquinário pesado e representante local de uma grande fabricante de equipamentos agrícolas.
Desde que iniciou suas operações em 2021, a Electron Motors já comercializou cerca de 120 veículos elétricos, sendo 60 apenas em 2025. A empresa reconhece que o cenário político no país reduziu o ritmo de negócios no início de 2026, mas aposta na retomada do crescimento na segunda metade do ano com uma série de iniciativas voltadas à ampliação de sua base corporativa.
Parceria com a IPESA como eixo central da estratégia
O principal pilar da expansão da Electron Motors é o desenvolvimento da divisão de eletromobilidade da IPESA, companhia tradicional no setor de maquinário pesado no Peru. A aproximação entre as duas empresas começou em 2025, quando o executivo Eduardo Rizo Patrón apresentou à IPESA a proposta de ingressar no segmento de veículos elétricos.
Segundo Rizo Patrón, a iniciativa representa mais do que uma simples parceria comercial. “Mais do que uma aliança, é uma nova frente gigantesca”, afirmou o executivo, destacando que a cooperação permitirá aproveitar a estrutura logística e a cobertura nacional já consolidada pela IPESA ao longo de décadas de atuação no mercado peruano.
Primeiro lote de picapes elétricas já está em operação
Como parte dessa estratégia conjunta, em fevereiro de 2026 chegou ao Peru o primeiro lote de doze picapes 4x4 elétricas, adquirido com um investimento próximo a 500 mil dólares. A iniciativa tem como público-alvo empresas dos setores de mineração, agropecuária e utilities, segmentos que demandam veículos resistentes e com boa autonomia operacional.
O primeiro cliente a adotar essas unidades foi uma empresa de serviços de engenharia e infraestrutura. De acordo com Rizo Patrón, o objetivo inicial é consolidar a confiança do mercado nesse tipo de veículo. “O primeiro passo é colocar essas picapes 4x4 em operação para gerar confiança e oportunidades de negócio para a IPESA, e, eventualmente, trazer o estoque que o mercado mais demandar”, explicou o executivo.
Ampliação do portfólio de veículos elétricos
Atualmente, as picapes 4x4 representam cerca de 40% da oferta comercial da Electron Motors, enquanto veículos de carga, entre furgões e caminhões, somam aproximadamente 50% do portfólio. O restante é composto por picapes 4x2 e caminhões de maior porte, utilizados em operações logísticas mais robustas.
A empresa planeja incorporar caminhões elétricos de quatro, seis e dez toneladas voltados aos setores de mineração, agricultura e logística. Também estão em avaliação novas categorias de veículos, como escavadeiras, caminhões basculantes, utilitários esportivos, vans e ônibus elétricos, ampliando o alcance da marca para diferentes perfis de clientes corporativos.
Paralelamente, a companhia mantém conversas com a fabricante chinesa GAC para ampliar a oferta de veículos leves elétricos no mercado peruano. Rizo Patrón destacou que a estratégia prioriza unidades mais leves por apresentarem melhor relação entre custo e benefício para empresas que buscam reduzir despesas operacionais no médio prazo.
Tecnologia e padrão de baterias
Sobre o componente tecnológico dos veículos comercializados, o executivo afirmou que as baterias de lítio-ferro-fosfato seguem como o padrão mais estável disponível atualmente no mercado. Essa tecnologia é considerada mais segura e duradoura para aplicações comerciais intensivas, como mineração, logística e operações agrícolas.
Foco no mercado corporativo como estratégia central
A Electron Motors projeta encerrar 2026 com a venda adicional de 30 a 40 veículos elétricos, mantendo o foco no segmento empresarial, conhecido como B2B. Segundo a empresa, esse nicho apresenta oportunidades de crescimento mais consistentes quando comparado ao mercado voltado a consumidores individuais.
Atualmente, a carteira de clientes inclui empresas dos setores de energia, engenharia e logística, como operadoras de courier e serviços de transporte especializado. A companhia pretende ampliar essa base ao longo dos próximos meses, consolidando contratos corporativos de maior volume.
Rizo Patrón explicou que a adoção de veículos elétricos por pessoas físicas ainda enfrenta barreiras práticas no Peru. “Para uma pessoa comum, um carro elétrico hoje é um luxo ou uma complicação pela falta de infraestrutura de carga”, afirmou, reforçando que o modelo B2B tende a liderar a transição para a eletromobilidade no país.
Infraestrutura e regulação como principais desafios
Apesar do crescimento do setor, o executivo apontou que a falta de infraestrutura adequada e de um marco regulatório específico continua sendo o principal obstáculo para acelerar a eletromobilidade no Peru. Embora o mercado de veículos eletrificados tenha registrado alta de 86% entre 2025 e 2026, esse número inclui modelos híbridos, que ainda dependem de combustíveis fósseis.
Segundo Rizo Patrón, os veículos totalmente elétricos representam apenas 5% das vendas totais do setor automotivo peruano. “O híbrido ainda é um carro movido a gasolina. Deveria haver uma diferenciação clara na venda de unidades 100% elétricas, porque são essas que realmente exigem infraestrutura de recarga”, afirmou o executivo.
Perspectivas para os próximos anos
O executivo reforçou que o modelo corporativo deve continuar liderando a adoção de veículos elétricos no país, já que as empresas têm maior capacidade de desenvolver seus próprios pontos de recarga e tendem a priorizar a redução de custos operacionais no longo prazo. Essa lógica orienta grande parte das decisões estratégicas da Electron Motors.
Com a consolidação da parceria com a IPESA, a ampliação do portfólio de veículos e o fortalecimento das relações comerciais com clientes corporativos, a empresa projeta um novo ciclo de crescimento sustentado entre 2026 e 2027, mesmo diante dos desafios estruturais que ainda marcam o setor de eletromobilidade no Peru.