Café arábica acumula queda de mais de 10% em setembro, aponta Cepea

Cotações recuam com força ao longo do mês
O mercado do café arábica registrou uma das quedas mais expressivas dos últimos meses em setembro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Esalq/USP. Na última terça-feira, dia 29, o indicador Cepea/Esalq apontou cotação de R$ 1.564,02 por saca de 60 quilos, patamar que representa recuo de 10,55% em relação ao início do mês.
O movimento de baixa ocorreu em meio a negociações pontuais no mercado físico, característica que costuma ampliar a volatilidade dos preços em períodos de transição entre safras. Compradores e vendedores adotaram postura mais cautelosa, refletindo o cenário de oferta em ajuste e a reprecificação dos contratos futuros negociados internacionalmente.
Fim da colheita e ajuste da safra brasileira
Entre os fatores apontados pelo Cepea para explicar a desvalorização está a conclusão da colheita da safra 2026/27 no Brasil, maior produtor e exportador mundial do grão. Com o encerramento dessa etapa, o mercado passou a operar com mais clareza sobre o volume efetivamente colhido, reduzindo incertezas que anteriormente sustentavam preços mais altos.
Esse cenário foi reforçado por um ajuste positivo nas estimativas de produção nacional, que passou a ser revisada para cima conforme os dados de campo foram consolidados. Uma safra maior do que se projetava anteriormente tende a pressionar as cotações, já que amplia a disponibilidade do produto no mercado interno e para exportação.
Estoques em Nova York também pesam
Outro elemento citado pelo Cepea como determinante para o movimento de baixa foi a recuperação dos estoques certificados de café arábica na Bolsa de Nova York. O aumento desses volumes é acompanhado de perto por operadores do mercado internacional, pois funciona como termômetro da disponibilidade global do grão negociado em contratos futuros.
Quando os estoques certificados sobem, a percepção de escassez se reduz, o que tende a enfraquecer o poder de sustentação dos preços. Esse efeito se somou aos demais fatores internos, compondo um quadro predominantemente baixista para o café arábica ao longo da maior parte de setembro.
Regime de chuvas favoreceu a floração
O regime de chuvas registrado no período também contribuiu para reforçar a tendência de queda nas cotações. Segundo o Cepea, os volumes acumulados de precipitação garantiram boa umidade do solo justamente na fase de abertura das flores do cafeeiro, etapa considerada crítica para a formação da próxima safra.
Essa condição climática favorável afastou, durante boa parte do mês, o temor de restrição hídrica que costuma acompanhar o período de florada. Historicamente, a escassez de chuva nessa fase compromete o pegamento das flores e pode reduzir o potencial produtivo do ciclo seguinte, fator que costuma ser rapidamente precificado pelo mercado.
Reversão parcial nos últimos dias
Apesar da tendência predominante de queda ao longo do mês, o Cepea observou uma reação nos preços nos dias mais recentes. O aumento das cotações nesse período está relacionado ao calor intenso e à ausência de chuvas, condições que voltaram a preocupar os cafeicultores quanto ao pegamento das flores.
A mudança repentina no padrão climático evidencia a sensibilidade do mercado cafeeiro a variações meteorológicas de curto prazo, especialmente durante a fase reprodutiva da lavoura. Um período mais seco e quente, mesmo que breve, pode comprometer parte da florada e alterar as expectativas para a formação da safra seguinte.
Fase de floração exige atenção constante
A floração do cafeeiro é uma das etapas mais delicadas do ciclo produtivo, pois determina, em grande medida, o potencial de produção da safra futura. Condições climáticas adversas nesse momento, como estiagem prolongada ou temperaturas muito elevadas, podem provocar aborto floral e reduzir a quantidade de frutos formados.
Por esse motivo, produtores e analistas de mercado acompanham de forma constante os boletins meteorológicos nas regiões produtoras, especialmente durante a primavera, quando ocorre a maior parte das floradas. Qualquer sinal de irregularidade nas chuvas tende a repercutir rapidamente nas cotações negociadas tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros.
Mercado permanece atento a novos sinais
O comportamento recente das cotações do café arábica ilustra como fatores climáticos, produtivos e de estoque se combinam para definir a trajetória de preços em um mercado marcado pela sazonalidade. A conclusão da colheita e o ajuste da produção brasileira trouxeram mais previsibilidade sobre a oferta disponível neste momento do ano.
Ao mesmo tempo, a manutenção de condições climáticas instáveis durante a floração mantém o mercado em estado de alerta. Qualquer intensificação do calor ou prolongamento da falta de chuvas nas próximas semanas pode reverter parte da queda observada em setembro, especialmente se houver indícios de comprometimento do potencial produtivo da safra 2027/28.
Diante desse cenário, cafeicultores e agentes da cadeia produtiva devem seguir monitorando de perto tanto os indicadores de preço quanto as previsões meteorológicas para as principais regiões produtoras do país, já que a combinação entre esses dois elementos continuará pautando o comportamento do mercado nas próximas semanas.