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Preços do milho recuam no mercado interno com exportações mais lentas e oferta ampliada

Por: Redação Valores Agro
17 de outubro de 2026
Preços do milho recuam no mercado interno com exportações mais lentas e oferta ampliada

Cenário externo menos favorável pressiona cotações

O mercado brasileiro de milho segue sob pressão nos preços internos, de acordo com o boletim semanal divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), referente ao período de 5 a 9 de outubro de 2026. A entidade aponta que o ambiente internacional se tornou menos favorável ao exportador nacional, que passou a obter margens menores diante da valorização do real frente ao dólar combinada a preços externos mais baixos.

Esse conjunto de fatores tem reduzido o apetite pela venda externa do cereal, fazendo com que parte da produção que seria destinada aos portos permaneça circulando no mercado doméstico. O resultado é um excedente de oferta interna que, somado à menor demanda por exportação, mantém as cotações em trajetória de queda em praticamente todas as praças acompanhadas.

Chicago recua com revisão da safra americana

Na Bolsa de Chicago, os contratos de milho acumularam perdas ao longo da semana. O movimento foi influenciado pela divulgação de novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que revisou para cima a produtividade do milho norte-americano, resultando em aumento de quase 6 milhões de toneladas na estimativa de produção para o fechamento do ciclo.

Além da produção, o USDA também elevou a projeção de estoque final americano, com incremento de pouco mais de 7 milhões de toneladas. O aumento da disponibilidade do grão nos Estados Unidos reforça a oferta global e contribui para pressionar os preços internacionais, refletindo diretamente nas paridades de exportação do Brasil.

Câmbio valorizado reduz competitividade do produto brasileiro

O câmbio também desempenhou papel relevante na formação dos preços durante a semana. O real apresentou valorização moderada frente ao dólar, movimento que, combinado à queda nas cotações internacionais, deteriorou ainda mais as paridades de exportação do milho brasileiro.

Com margens mais apertadas para quem exporta, o mercado interno passa a ser alternativa mais atrativa para comercialização, o que amplia a oferta disponível internamente e intensifica a pressão sobre os preços pagos ao produtor e no atacado.

Exportações mantêm ritmo mais lento

Dados parciais divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o volume exportado de milho na segunda semana de outubro somou 1,7 milhão de toneladas. A média diária de embarques ficou em 247,3 mil toneladas, patamar inferior às 295,5 mil toneladas registradas no mesmo período do ano anterior, o que representa retração de 16,3%.

Esse ritmo mais lento de exportações já era observado nos meses anteriores e tende a se manter enquanto as condições externas permanecerem desfavoráveis. A dificuldade de escoamento contribui diretamente para o acúmulo de estoques internos, fator que reforça a tendência de preços mais baixos no curto prazo.

Sem sinais de melhora no ambiente externo, o mercado interno deve continuar pressionado, já que não há expectativa de aumento repentino da demanda doméstica capaz de absorver o excedente de forma significativa.

Preços ao produtor recuam nas principais praças

Levando em conta as cotações pagas diretamente ao produtor, a região de Sorriso, no Mato Grosso, registrou queda moderada na semana. O preço do saco de 60 quilos passou de R$ 49,50 para R$ 47,00, recuo de 5,05%.

Em Londrina, no Paraná, a queda foi mais acentuada, com o preço caindo de R$ 57,00 para R$ 51,00 por saco, variação negativa de 10,53%. Já em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a retração foi discreta, de R$ 61,50 para R$ 61,17, baixa de 0,54%.

Em Barreiras, na Bahia, o preço passou de R$ 63,33 para R$ 61,50 por saco, queda de 2,89%. Na contramão das demais regiões, Uberlândia, em Minas Gerais, apresentou alta semanal de 1,56%, com o preço subindo de R$ 64,00 para R$ 65,00 por saco.

Preços mínimos definidos para a safra 2025/26

Para a safra 2025/26, os preços mínimos do milho por saco de 60 quilos foram fixados em R$ 38,28 para as regiões de Mato Grosso e Oeste da Bahia, R$ 51,03 para Paraná e Minas Gerais, e R$ 55,64 para o Rio Grande do Sul. Esses valores servem como referência institucional de garantia ao produtor em períodos de baixa acentuada de mercado.

Mercado atacadista também sente o reflexo da queda

No segmento atacadista, as praças acompanhadas também registraram recuo nos preços. Em São Paulo, a cotação passou de R$ 68,30 para R$ 66,50 por saco, variação negativa de 2,64%. Em Paranaguá, no Paraná, a queda foi mais expressiva, de R$ 68,70 para R$ 64,20, recuo de 6,55%.

Em Fortaleza, no Ceará, o preço caiu de R$ 79,80 para R$ 76,00 por saco, variação negativa de 4,76%. O movimento nas principais praças atacadistas reforça o cenário de ajuste generalizado nos preços, acompanhando a tendência observada tanto no mercado interno quanto no externo.

Paridades e referências internacionais em queda

Na Bolsa de Chicago, a tonelada do milho passou de US$ 200,41 para US$ 196,26, queda semanal de 2,07%, ainda que com alta acumulada de 19,01% em doze meses. No mercado argentino, o preço FOB Rosário recuou de US$ 217,40 para US$ 214,20 por tonelada, variação negativa de 1,47% na semana, com alta anual de 6,67%.

As paridades de importação também refletiram o movimento. A paridade dos Estados Unidos para o porto de Paranaguá caiu de R$ 102,91 para R$ 98,64 por saco, queda de 4,15%. Já a paridade de importação da Argentina para o mesmo destino recuou de R$ 92,36 para R$ 87,53, variação negativa de 5,23%. A paridade de exportação brasileira também cedeu, passando de R$ 68,51 para R$ 65,20 por saco, queda de 4,83%.

O Índice Esalq, referência para o mercado nacional, passou de R$ 68,89 para R$ 67,25 por saco de 60 quilos, recuo semanal de 2,38%, ainda que com alta de 3,24% no acumulado de doze meses. O dólar Ptax de compra também registrou queda, saindo de R$ 5,21 para R$ 4,99, variação negativa de 4,21% na semana e de 6,90% em base anual.

Semeadura da primeira safra avança de forma heterogênea

O relatório de Monitoramento Semanal das Condições das Lavouras da Conab indica que a primeira safra de milho está 33,5% semeada em âmbito nacional. No Rio Grande do Sul, onde a umidade do solo permitiu, os produtores avançaram nos principais tratos culturais, enquanto a semeadura prossegue nas regiões de cultivo mais tardio.

Eventos climáticos como granizo, vendavais e chuvas intensas causaram danos pontuais em algumas áreas do estado, enquanto temperaturas mais baixas e menor radiação solar têm retardado o desenvolvimento das plantas em estágio inicial.

No Paraná, a maior parte das lavouras apresenta boas condições, com a semeadura em estágio avançado, favorecida pelo volume de chuvas registrado nas últimas semanas. Em algumas regiões do estado, no entanto, o excesso de umidade combinado à baixa luminosidade pode alongar o ciclo da cultura e impactar a janela de plantio da segunda safra.

Em Santa Catarina, a semeadura se aproxima da conclusão, com maior avanço nas regiões Oeste e Extremo Oeste. A umidade tem beneficiado áreas com boa drenagem, mas as chuvas recorrentes dificultam o manejo fitossanitário das lavouras em desenvolvimento.

Demais estados registram avanços pontuais no plantio

Em Minas Gerais, o plantio da primeira safra já teve início, concentrado principalmente nas áreas irrigadas e naquelas que receberam volumes satisfatórios de chuva. Em Goiás, a semeadura ocorre de forma pontual na região Leste do estado, enquanto na Bahia o plantio começou na porção Oeste.

Em Maranhão, Pará, Piauí e São Paulo, a semeadura da safra 2026/27 ainda não teve início, conforme aponta o levantamento da Conab. Já a segunda safra de milho está totalmente colhida em âmbito nacional, com a colheita finalizada em Goiás, Piauí, Tocantins, Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

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