Soja fecha em alta em Paranaguá e interrompe sequência de quedas

Preço da soja volta a subir após dois dias de recuo
O mercado da soja no porto de Paranaguá, no Paraná, registrou recuperação nesta terça-feira (29/9), encerrando uma sequência de duas quedas seguidas nas cotações. O indicador Cepea/Esalq, referência para o setor, avançou 0,52% na comparação com o pregão anterior, com a saca da oleaginosa fechando a R$ 161,27.
O movimento de alta ocorre em um contexto de demanda firme pelo grão brasileiro, aliado a uma menor disponibilidade de produto pronto para entrega imediata no mercado interno. Essa combinação de fatores tem sustentado os preços em níveis considerados elevados, mesmo com a proximidade do início da nova temporada de colheita.
Plantio da safra 2026/27 avança com ritmo acelerado
Chama atenção o fato de a soja ter valorizado justamente em um momento de aceleração do plantio da safra 2026/27. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os produtores brasileiros já haviam semeado 3,9% da área total prevista para o novo ciclo agrícola até o levantamento mais recente.
O percentual representa um avanço em relação ao mesmo período do ano passado, quando o plantio estava em 3,5%. O ritmo atual também supera a média histórica dos últimos cinco anos para a mesma época, que se situa em 3,6%, indicando que as condições climáticas e logísticas têm favorecido o cronograma de semeadura na atual temporada.
O avanço mais rápido da semeadura costuma ser acompanhado de perto pelo mercado, já que sinaliza expectativas sobre o volume e o momento da nova oferta. No entanto, no cenário atual, esse fator não tem sido suficiente para pressionar os preços para baixo, uma vez que a demanda continua absorvendo o produto disponível no mercado físico.
Chicago também opera em alta e influencia o mercado brasileiro
A valorização observada no porto paranaense acompanhou o comportamento da bolsa de Chicago, principal referência internacional para o mercado de commodities agrícolas. Os contratos futuros de soja para vencimento em novembro encerraram o pregão desta terça-feira com alta de 0,74%, cotados a US$ 12,9775 o bushel.
O movimento em Chicago costuma ter impacto direto sobre as cotações praticadas no Brasil, especialmente em praças exportadoras como Paranaguá, dado o peso do mercado internacional na formação de preços da soja brasileira. A sincronia entre os dois mercados reforça a percepção de que fatores globais de oferta e demanda continuam influenciando o comportamento dos preços domésticos.
Valorização se espalha por outras praças monitoradas
Além de Paranaguá, a soja também registrou valorização na maior parte das regiões produtoras acompanhadas pela consultoria AgRural. Em Ponta Grossa, no interior paranaense, a saca do grão subiu R$ 2 em relação ao pregão anterior, alcançando R$ 155.
Em Primavera do Leste, no Mato Grosso, um dos principais polos produtores do país, o comportamento foi semelhante, com alta diária de R$ 2, levando o preço da saca a R$ 145. O estado mato-grossense concentra parte relevante da produção nacional de soja e costuma servir como termômetro para o mercado físico do grão.
Já em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, região que integra o polo produtor do Matopiba, os preços permaneceram estáveis, com a saca também cotada em R$ 145. A estabilidade nessa praça contrasta com as altas registradas em outras regiões, mas ainda reflete o cenário geral de sustentação de preços observado no mercado nesta semana.
Fatores que sustentam os preços elevados
O cenário atual de preços elevados para a soja no mercado brasileiro está diretamente relacionado à combinação entre demanda aquecida e oferta mais restrita do produto disponível para negociação imediata. Com boa parte da safra anterior já comercializada, o volume remanescente em poder de produtores e tradings tende a ser menor, o que reduz a pressão vendedora e favorece a manutenção de preços mais firmes.
Esse cenário se soma ao comportamento do mercado internacional, que também exerce influência relevante sobre as cotações domésticas. A demanda por soja brasileira no exterior, aliada às expectativas sobre a produção global, contribui para moldar as referências de preço tanto em Chicago quanto nos portos brasileiros.
Expectativas para o restante do plantio
Com o avanço do plantio da safra 2026/27 dentro de um ritmo considerado favorável, o mercado deve continuar acompanhando de perto a evolução dos trabalhos de semeadura nas próximas semanas. As condições climáticas em diferentes regiões produtoras serão determinantes para definir se o ritmo atual, mais adiantado que o histórico recente, será mantido até a conclusão do plantio.
A relação entre o avanço da nova safra e o comportamento dos preços tende a se tornar mais evidente conforme a colheita se aproxima, especialmente se houver mudanças significativas nas expectativas de produção. Por ora, o mercado físico continua reagindo principalmente aos fundamentos de oferta e demanda de curto prazo, refletidos nas oscilações diárias registradas em praças como Paranaguá, Ponta Grossa, Primavera do Leste e Luís Eduardo Magalhães.
O comportamento observado nesta terça-feira reforça a percepção de que, apesar do início mais acelerado da semeadura da nova safra, o mercado de soja no Brasil ainda opera sob influência direta da menor disponibilidade do produto e da demanda consistente, fatores que devem continuar pautando as negociações nas próximas semanas.