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Araguaína avança no ranking estadual de produção leiteira e amplia número de vacas ordenhadas

Por: Redação Valores Agro
16 de outubro de 2026
Araguaína avança no ranking estadual de produção leiteira e amplia número de vacas ordenhadas

Crescimento expressivo no número de vacas ordenhadas

Araguaína registrou um avanço significativo na pecuária leiteira local, conforme os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que o número de vacas ordenhadas no município passou de 12.052 cabeças em 2023 para 14.540 em 2025, representando um crescimento de 20% em apenas dois anos.

Esse desempenho permitiu que a cidade subisse da 10ª para a 5ª colocação no ranking estadual de vacas ordenhadas, um salto expressivo que reflete o momento de retomada da atividade leiteira na região. O resultado chama atenção especialmente por reverter uma tendência de queda observada nas últimas duas décadas.

Histórico de uma bacia leiteira que já foi referência

Durante muitos anos, Araguaína foi reconhecida como a principal bacia leiteira do Tocantins, concentrando grande parte da produção estadual. No entanto, mudanças no mercado e o fechamento de laticínios que operavam na região provocaram uma retração significativa nos índices de produção ao longo dos últimos 20 anos.

Esse cenário levou a uma perda gradual de competitividade do município diante de outras regiões produtoras do estado, que passaram a ocupar posições de destaque no ranking estadual. A reversão desse quadro vinha sendo tratada como um desafio pelo poder público local.

Ações da Prefeitura para retomar a atividade

Diante desse contexto, a Prefeitura de Araguaína iniciou um conjunto de ações voltadas à reestruturação da pecuária leiteira no município. As iniciativas incluíram investimentos em melhoramento genético, apoio técnico aos produtores e reorganização da cadeia produtiva local.

Entre as medidas adotadas está o programa Mais Pecuária Brasil, resultado de uma parceria entre a administração municipal e a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). O programa, iniciado em 2023, já concluiu mais de 800 protocolos de inseminação artificial entre os produtores rurais do município.

Relato de produtor reforça impacto da genética

O pecuarista Fernando Martins Vilmar é um dos produtores beneficiados pelo programa de inseminação artificial. Segundo ele, o plantel de vacas leiteiras cresceu de 18 para 22 cabeças, com a meta de alcançar 25 matrizes nos próximos períodos de reprodução.

De acordo com o produtor, o melhoramento genético proporcionado pelo programa tem sido um dos principais diferenciais observados em sua propriedade. Ele destacou que, entre as dez bezerras nascidas recentemente, já é possível identificar características voltadas à produção leiteira, o que deve permitir aumento na quantidade de leite sem a necessidade de ampliar a área de pastagem.

Produção anual também apresenta avanço

Além do crescimento no número de vacas ordenhadas, a produção total de leite no município também avançou. Em 2025, Araguaína registrou uma produção anual próxima de 12 milhões de litros, um aumento de 17% em comparação ao início do programa, em 2023.

Esse resultado contribuiu para que o município subisse da 9ª para a 6ª posição entre os maiores produtores de leite do Tocantins, reforçando a trajetória de recuperação da atividade leiteira na região.

Expectativa de resultados ainda maiores

Segundo o agrônomo e diretor de Agricultura de Araguaína, Mário Vitória, os números atuais refletem apenas uma etapa inicial do processo de melhoramento genético implementado no município. Ele destacou que o real impacto das ações deve ser percebido quando as bezerras nascidas com genética aprimorada iniciarem seus próprios ciclos de reprodução e lactação.

Vitória ressaltou ainda que, além do incentivo à inseminação artificial, a Prefeitura tem atuado na orientação técnica aos produtores rurais, buscando aprimorar práticas de manejo e fortalecer a estrutura produtiva como um todo.

Reorganização da indústria local do leite

Outro ponto central da retomada da bacia leiteira em Araguaína foi a reativação do Laticínio Municipal, que passou a operar no fim do ano passado sob concessão da empresa Feliz Laticínios. A unidade tem papel estratégico ao reduzir a distância que o leite precisava percorrer até ser processado, já que antes parte da produção era destinada a empresas de cidades vizinhas.

Essa reorganização logística tende a favorecer as condições de comercialização por litro de leite, beneficiando diretamente os produtores rurais. A proximidade entre produção e processamento também pode estimular o aumento da oferta, já que parte significativa do leite ainda é comercializada para garrafeiros, que possuem capacidade limitada de absorção da produção local.

Efeitos econômicos em cadeia

O subsecretário do Desenvolvimento Econômico de Araguaína, Helter Dantas, destacou que a retomada da atividade leiteira gera impactos que vão além da produção de leite em si. Segundo ele, o fortalecimento dessa cadeia produtiva também beneficia setores relacionados, como empresas de ração animal e fornecedores de insumos agropecuários.

Dantas ressaltou ainda que o crescimento da produção local pode contribuir para a oferta de leite e queijo frescos à população do município, com possibilidade de preços mais acessíveis em decorrência da redução de etapas logísticas no processo produtivo.

Investimento em infraestrutura para produtores

Para assegurar a qualidade do leite produzido e reduzir perdas, a Prefeitura iniciou a distribuição de resfriadores, equipamentos populares conhecidos como “balão”, com capacidade de armazenar mil litros cada. Até o momento, 15 unidades foram entregues em comunidades rurais como Três Riachos, Gurguéia, Manoel Alves e no Assentamento Paraíso.

Durante a entrega dos equipamentos, realizada em agosto deste ano, representantes da Feliz Laticínios informaram que a coleta diária era de aproximadamente 4 mil litros de leite, provenientes de cerca de 20 produtores rurais. Com a chegada dos novos resfriadores, a expectativa é elevar inicialmente esse volume para cerca de 6 mil litros por dia, com meta futura de alcançar 10 mil litros diários de captação.

Perspectivas para a cadeia leiteira municipal

O conjunto de iniciativas implementadas em Araguaína demonstra um movimento estruturado de reconstrução da cadeia leiteira local, após anos de retração causados por mudanças no mercado e pelo encerramento de laticínios que atuavam na região. Os números divulgados pelo IBGE indicam que as ações adotadas já produzem resultados mensuráveis.

A combinação entre melhoramento genético, apoio técnico, infraestrutura de resfriamento e reativação da indústria processadora local forma a base de uma estratégia voltada à consolidação do município como polo leiteiro no Tocantins, com efeitos que tendem a se expandir à medida que novas gerações de animais entrem em produção.

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