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Boi gordo mantém alta em praças estratégicas e pressiona margens de frigoríficos

Por: Redação Valores Agro
30 de setembro de 2026
Boi gordo mantém alta em praças estratégicas e pressiona margens de frigoríficos

Cenário geral do mercado físico

O mercado físico do boi gordo segue em trajetória de valorização, conforme apurado pela Scot Consultoria nesta terça-feira. Das 33 praças acompanhadas pela consultoria em todo o país, 17 registraram novos reajustes de preço na comparação com o dia anterior, enquanto as demais 16 permaneceram estáveis, sem qualquer registro de queda entre os mercados monitorados.

Entre as regiões que mais se destacaram nos reajustes estão Mato Grosso do Sul e Pará, além de núcleos específicos localizados em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Esse movimento reforça a percepção de que a demanda por animais terminados segue aquecida em diferentes praças produtoras, ainda que de forma não uniforme entre as regiões do país.

Referências de São Paulo seguem estáveis

Nas praças de Araçatuba e Barretos, tradicionais referências para a formação de preços no mercado nacional, a arroba do boi gordo permaneceu cotada em R$ 355 para pagamento em 30 dias, sem alteração em relação ao pregão anterior. A cotação do chamado \"boi China\", modalidade vinculada a especificações voltadas à exportação, também não apresentou mudanças nessas praças.

Já as categorias de vaca e novilha tiveram valorização mais expressiva no estado paulista, com alta de R$ 3 em ambos os casos. A arroba da vaca passou a ser negociada a R$ 338, enquanto a novilha atingiu R$ 350, movimento que indica maior procura por fêmeas em algumas regiões, possivelmente relacionada à composição das escalas de abate dos frigoríficos.

Escalas de abate seguem apertadas

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, as escalas de abate continuam concentradas em um intervalo de seis a sete dias úteis, patamar considerado curto e que tende a sustentar o viés de alta no mercado no curto prazo. Esse cenário reflete a dificuldade de algumas indústrias em reconstituir estoques de animais prontos para o abate dentro de um horizonte mais confortável de operação.

A pressão sobre a oferta se mostra mais evidente entre frigoríficos de pequeno e médio porte, que enfrentam maiores obstáculos para completar suas programações semanais de abate. Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, as grandes indústrias do setor conseguem operar em condição mais confortável neste momento, sustentadas por animais provenientes de contratos de parceria e pelo uso de confinamentos próprios, o que reduz a dependência direta do mercado à vista para garantir volume de abate.

Contrato futuro da B3 mantém prêmio

Mesmo diante da valorização recente da arroba no mercado físico, o contrato futuro da B3 com vencimento em outubro segue sendo negociado com prêmio relevante em relação aos preços à vista praticados nas praças acompanhadas pelas consultorias. Essa diferença mantém a operação de hedge atrativa para produtores e frigoríficos que buscam proteção de margem diante das oscilações do mercado físico.

A manutenção desse prêmio sugere que parte dos agentes de mercado ainda projeta espaço para novos ajustes de preço nas próximas semanas, o que reforça a estratégia de travamento de operações futuras como instrumento de gestão de risco em um momento de oferta mais restrita de animais para abate.

Atacado da carne bovina em patamar elevado

O mercado atacadista de carne bovina também reflete o movimento observado no boi gordo, operando nos níveis mais elevados alcançados após os reajustes recentes de preço, segundo avaliação de Iglesias. A proximidade da virada do mês é apontada pelo analista como um fator que pode favorecer a reposição de estoques entre atacado e varejo, criando condições para eventuais novos avanços de preço no curto prazo.

Esse movimento de reposição costuma ser mais intenso em períodos de transição mensal, quando redes varejistas e distribuidores ajustam seus volumes de compra para o início de um novo ciclo comercial, o que tende a sustentar a demanda por cortes bovinos mesmo diante de preços já em patamares elevados.

Competitividade entre proteínas animais

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, chama atenção para a competitividade das carnes suína e de frango frente à carne bovina no mercado atacadista da Grande São Paulo. O preço da carcaça casada bovina está em patamar elevado quando comparado às proteínas concorrentes, ainda que tenha ganhado alguma competitividade relativa em relação ao mês anterior.

Na comparação com agosto, o frango resfriado registrou aumento de 12% em seu preço, enquanto a carne suína teve alta de 3% no mesmo período. Já a carne bovina apresentou avanço mais discreto, de apenas 1%, o que reduziu parcialmente a diferença de preço entre as três proteínas no mercado atacadista paulista.

Na parcial de setembro, considerando os dados apurados até o dia 28, o preço de um quilo de carcaça casada bovina no atacado da Grande São Paulo equivaleu a 3,16 quilos de frango resfriado. Em relação à carne suína, essa equivalência foi de 3,17 quilos, números que ilustram a distância ainda existente entre o valor da proteína bovina e as demais opções disponíveis ao consumidor final.

Perspectivas para o curto prazo

A combinação de escalas de abate ainda apertadas, prêmio relevante no mercado futuro e demanda aquecida no atacado sugere que o cenário de valorização da arroba pode se manter nas próximas semanas, especialmente diante da chegada de um novo mês, período tradicionalmente marcado por reposição de estoques.

Ao mesmo tempo, a diferença de preço entre a carne bovina e as proteínas suína e de frango pode funcionar como um limitador natural para novos avanços mais acentuados, na medida em que consumidores e redes de varejo avaliam alternativas mais competitivas para compor suas ofertas. O equilíbrio entre esses fatores deve continuar orientando o comportamento do mercado de boi gordo nos próximos pregões.

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