Efetivo de galináceos e produção de ovos batem recorde no Brasil em 2025

Recorde histórico no plantel nacional
O Brasil registrou em 2025 os maiores efetivos de galináceos e de galinhas já contabilizados pela Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), levantamento realizado anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado confirma uma trajetória de expansão que já se estendia por vários anos e reforça a posição do país como um dos principais protagonistas mundiais da avicultura.
De acordo com os números divulgados, o total de galináceos - categoria que reúne galinhas destinadas à postura e frangos de corte - somou 1,6 bilhão de cabeças em 2025, alta de 1,6% em relação ao ano anterior. Quando o recorte considera apenas as galinhas voltadas à produção de ovos, o crescimento foi ainda mais expressivo, de 5,8%, alcançando 293,3 milhões de aves.
Segundo o gerente da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira, os patamares recordes estão diretamente relacionados ao aumento do consumo doméstico de carne de frango e de ovos, produtos que vêm ganhando espaço na dieta dos brasileiros como fontes proteicas de custo mais acessível em comparação a outras carnes.
Produção de ovos também alcança novo patamar
A produção nacional de ovos de galinha seguiu a mesma tendência de expansão observada no plantel. O volume produzido em 2025 chegou a 5,7 bilhões de dúzias, um avanço de 5,7% na comparação com o ano anterior. Trata-se de um ciclo de crescimento ininterrupto que se mantém desde 1999, configurando quase três décadas de expansão contínua no setor.
O valor da produção também apresentou salto relevante. Com preço médio estimado em R$ 6,34 por dúzia, o setor movimentou R$ 36,4 bilhões em 2025, montante 13,9% superior ao registrado em 2024. O resultado evidencia não apenas o crescimento em volume, mas também a valorização do produto ao longo do ano.
Posição do Brasil no cenário internacional
No mercado internacional, o Brasil manteve em 2025 a condição de maior exportador mundial de carne de frango, além de figurar como o terceiro maior produtor global do item, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Essa posição consolidada no comércio exterior tem relação direta com a expansão da produção interna, que sustenta tanto o abastecimento doméstico quanto os embarques para diferentes mercados consumidores ao redor do mundo.
A combinação entre demanda interna aquecida e competitividade nas exportações tem servido de estímulo para que produtores mantenham investimentos em plantel e em capacidade produtiva, o que ajuda a explicar os recordes sucessivos verificados nos últimos anos.
Santa Maria de Jetibá lidera rankings municipais
Entre os municípios brasileiros, Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, manteve a liderança tanto no efetivo de galináceos e de galinhas quanto na produção de ovos. A cidade capixaba registrou expansão de mais de 890,5 mil galináceos em 2025, elevando o total local para 18,4 milhões de aves.
Do crescimento observado no município, 23,6% correspondeu especificamente a galinhas, o que reforça uma liderança que se mantém desde 2015 nesse quesito. Com isso, Santa Maria de Jetibá chegou a 15,1 milhões de galinhas em 2025, consolidando-se como o principal polo avícola do país nesse segmento.
Completam o ranking dos cinco maiores municípios em efetivo de galináceos as cidades de São Bento do Una, em Pernambuco, Bastos, em São Paulo, Uberlândia, em Minas Gerais, e Toledo, no Paraná. Já no recorte específico de galinhas, Bastos e São Bento do Una ocupam a segunda e a terceira posições, respectivamente, seguidas por Primavera do Leste, no Mato Grosso, e Santo Antônio do Monte, em Minas Gerais.
Distribuição regional do plantel
A Região Sul concentra a maior parcela do efetivo nacional de galináceos, respondendo por 48,1% do total, com 772,9 milhões de cabeças e crescimento de 3,4% em relação a 2024. O resultado reforça a tradição avícola sulista, historicamente associada à produção integrada de frangos de corte.
No recorte específico de galinhas destinadas à postura, o Sul aparece na segunda posição entre as regiões, com 72,2 milhões de cabeças, o equivalente a 24,6% do efetivo nacional, e alta de 5,8% no período. Já o Sudeste concentra a maior quantidade de galinhas do país, com 104,3 milhões de cabeças, representando 35,6% do total nacional, após crescimento de 5% em relação ao ano anterior.
Produção de ovos por região
O Sudeste também lidera com folga a produção nacional de ovos, respondendo por 2,3 bilhões de dúzias, o que representa 39,3% do total produzido no país, com expansão de 3,2% em 2025. A região se beneficia da forte concentração de granjas de postura em estados como Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais.
Na sequência aparecem as regiões Sul e Nordeste, com participações de 22,5% e 20,0%, respectivamente. O Sul produziu 1,3 bilhão de dúzias, enquanto o Nordeste alcançou 1,1 bilhão de dúzias, com crescimentos de 5,9% e 6,6% na comparação anual, indicando que a expansão da produção de ovos não ficou restrita a uma única região do país.
Os cinco principais municípios produtores de ovos em 2025 foram os mesmos que lideram o ranking de efetivo de galinhas: Santa Maria de Jetibá, Bastos, São Bento do Una, Primavera do Leste e Santo Antônio do Monte, mantendo a mesma ordem de classificação. Essa coincidência reflete a correlação direta existente entre o tamanho do plantel de postura e o volume produzido de ovos em cada localidade.
Perspectivas para o setor
Os resultados divulgados pela PPM reforçam a relevância da avicultura, tanto de corte quanto de postura, dentro da estrutura produtiva do agronegócio brasileiro. O crescimento sustentado ao longo de quase três décadas na produção de ovos, somado à expansão recente do plantel de galináceos, sinaliza um setor em consolidação, apoiado no aumento da demanda interna por proteínas de menor custo relativo.
A manutenção da liderança brasileira nas exportações mundiais de carne de frango, combinada com o desempenho robusto no mercado interno, indica que a cadeia avícola deve continuar sendo um dos pilares relevantes da produção pecuária nacional nos próximos ciclos, acompanhando tanto o comportamento do consumo doméstico quanto a evolução da demanda internacional por proteína animal.