O Milho Brasileiro: Um Potencial a Explorar

O milho é um dos principais cereais cultivados no Brasil, com uma produção que saltou 500% nas últimas décadas. Ao longo desses anos, o país conseguiu aumentar significativamente a produtividade média do milho, passando de cerca de 30 sacas por hectare na década de 70 para mais de 200 sacas por hectare hoje.
Essa evolução é resultado do desenvolvimento tecnológico e da adoção de práticas agrícolas mais eficientes. Além disso, a cultura do milho tem sido influenciada pelas mudanças climáticas e pelo aumento da demanda por alimentos saudáveis e renováveis.
Para o diretor-executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o Brasil deve produzir três vezes mais milho do que soja em um futuro próximo. 'São cerca de 2 milhões de produtores no Brasil que cultivam para um mercado crescente', afirma.
O crescimento do etanol de milho é fundamental para fomentar o cultivo, diz Silveira. Atualmente, apenas uma empresa de biocombustível consome cerca de 12% de todo o milho produzido no Brasil.
Hoje em dia, o milho não está mais na posição secundária que ocupava anteriormente e alcançou a mesma importância da soja. O milho dilui os custos fixos das propriedades rurais e torna mais viável o negócio para os produtores.
Para mirar neste crescimento e assumir a liderança como maior cultivo do Brasil, o setor precisará superar as dificuldades impostas para o próximo ciclo 2026/27. Algumas das principais barreiras incluem custos de produção altos, preços de comercialização aquém do esperado e dificuldades em obter créditos e financiamentos.
Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, avalia que a maior dificuldade está no preço e disponibilidade de fertilizantes. Ele também afirma não acreditar em redução de área, mas que deve haver retração no nível tecnológico empregado pelo produtor.
As questões econômicas entram na conta das dificuldades para a temporada 26/27. 'Os juros não cabem mais no bolso do agricultor brasileiro', afirma Tereza Cristina, senadora e ex-Ministra da Agricultura e Pecuária.
'Precisamos pensar em um novo modelo para o Plano Safra porque o que existe hoje já não é mais compatível com as necessidades do agro', acrescenta ela.
Outro parlamentar que se manifestou nessa linha foi Pedro Lupion, Deputado Federal e Presidente da FPA. 'O atual modelo do Plano Safra está completamente defasado, não é mais equivalente ao tamanho da produção brasileira', diz ele.
'Hoje, menos de 20% do financiamento do setor vem de custeio do tesouro nacional', completa Lupion.
A necessidade de reestruturação do crédito agrícola também é destacada. 'O produtor do Mato Grosso está endividado como nunca, mas o problema não é falta de dinheiro e sim a falta de garantias de pagamento do produtor', afirma Luiz Pedro Bier.
'Precisamos de alternativas para fazer essa roda voltar a girar', acrescenta ele.