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Produção de leite bate novo recorde no Brasil em 2025, mesmo com redução do rebanho ordenhado

Por: Redação Valores Agro
30 de setembro de 2026
Produção de leite bate novo recorde no Brasil em 2025, mesmo com redução do rebanho ordenhado

Terceiro ano seguido de alta na produção

A produção brasileira de leite de vaca voltou a bater recorde em 2025, mantendo uma trajetória de crescimento que já se estende por três anos consecutivos. Segundo a Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume produzido no país cresceu 2,7% em relação ao ano anterior, consolidando um novo patamar histórico para o setor leiteiro nacional.

O resultado chama atenção principalmente porque foi obtido em um cenário de retração do rebanho ordenhado. O número de vacas em lactação recuou 2,7% na comparação anual, totalizando 14,7 milhões de animais, o menor contingente registrado desde 1979. Ainda assim, o país conseguiu produzir mais leite, o que evidencia uma mudança estrutural na forma como a atividade vem sendo conduzida nas propriedades rurais.

Produtividade impulsiona o setor

O fator determinante para esse desempenho foi o avanço expressivo da produtividade por animal. A média nacional alcançou 2.498,7 litros de leite por vaca ao ano, também um recorde histórico para a série pesquisada pelo IBGE. O aumento reflete um processo mais amplo de modernização da pecuária leiteira, marcado por maior aporte tecnológico, incorporação de genética de melhor desempenho e adoção de práticas de manejo mais eficientes.

De acordo com o gerente da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira, o crescimento da produção está diretamente relacionado a esse ganho de eficiência. Segundo ele, o resultado é fruto de investimentos realizados pelos produtores, aliados à evolução tecnológica e ao aprimoramento genético dos rebanhos, fatores que permitem extrair mais leite de um número menor de animais.

Esse movimento indica uma tendência de concentração da produção em sistemas mais tecnificados, nos quais a busca por escala e produtividade tem substituído gradualmente modelos baseados apenas no aumento do número de cabeças. A racionalização do rebanho, combinada a ganhos de eficiência, tem se mostrado um caminho consistente para sustentar a expansão da oferta de leite no país.

Impacto no valor da produção pecuária

O desempenho do setor leiteiro teve reflexo direto no valor total da produção pecuária brasileira, que também atingiu patamar recorde em 2025, somando R$ 141,2 bilhões. O montante representa um crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pela contribuição do leite de vaca, responsável por 63,4% de todo o valor gerado pela pecuária nacional.

Esse peso expressivo do leite na composição do valor da produção reforça a relevância econômica da atividade leiteira dentro do agronegócio brasileiro, situando-a como um dos pilares mais importantes da pecuária nacional, ao lado da criação de gado de corte e de outras cadeias produtivas de proteína animal.

Sul retoma a liderança na produção

Depois de perder a primeira posição em anos anteriores, a região Sul voltou a liderar a produção nacional de leite em 2025. A região registrou crescimento de 4,4% no volume produzido, atingindo 12,5 bilhões de litros, o que representa 34% de toda a produção do país.

O Sudeste ficou na segunda colocação, com expansão de 2,3% e produção de 12,3 bilhões de litros, equivalente a 33,5% do total nacional. A proximidade entre os volumes das duas regiões evidencia a competitividade entre os principais polos produtores do país, historicamente responsáveis pela maior parte da oferta de leite no Brasil.

O Nordeste manteve a terceira posição no ranking regional, com alta de 2,7% na produção, alcançando 6,6 bilhões de litros, o correspondente a 18% do total nacional. Já o Centro-Oeste apresentou retração de 1%, somando 3,6 bilhões de litros e participação de 9,8% na produção do país.

O Norte, por sua vez, permaneceu como a região com menor contribuição relativa para a produção nacional, respondendo por 4,6% do volume total. Ainda assim, a região registrou crescimento de 1,4%, atingindo 1,7 bilhão de litros produzidos ao longo do ano.

Destaques no ranking municipal

No recorte municipal, a cidade paranaense de Castro manteve a liderança nacional na produção de leite, com um crescimento expressivo de 10% em relação ao ano anterior, somando 532,8 milhões de litros produzidos. O desempenho reforça a posição do município como um dos principais polos leiteiros do país.

Na sequência do ranking, aparece Carambeí, também no Paraná, com produção de 306,8 milhões de litros, seguida por Patos de Minas, em Minas Gerais, que registrou 249,2 milhões de litros. A presença de dois municípios paranaenses entre os primeiros colocados reforça o protagonismo da região Sul na liderança nacional recuperada em 2025.

Perspectivas para a cadeia leiteira

Os dados divulgados pelo IBGE reforçam um movimento observado nos últimos anos na pecuária leiteira brasileira, marcado pela busca por maior eficiência produtiva diante de um cenário de rebanhos menores. A combinação entre avanços tecnológicos, melhoria genética e práticas de manejo mais aprimoradas tem permitido ao país sustentar recordes sucessivos de produção, mesmo com a redução do número de vacas ordenhadas.

Esse cenário sinaliza uma transformação gradual na estrutura produtiva do setor, com tendência de maior concentração em sistemas mais tecnificados e voltados à produtividade. A trajetória recente da pecuária leiteira brasileira deve continuar sendo acompanhada de perto pelos agentes do setor, uma vez que reflete diretamente no valor gerado pela pecuária nacional como um todo.

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