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Raça Tabapuã: do interior paulista para o topo da pecuária zebuína brasileira

Por: Redação Valores Agro
13 de outubro de 2026
Raça Tabapuã: do interior paulista para o topo da pecuária zebuína brasileira

Origem ligada a uma propriedade rural no interior de São Paulo

A raça bovina Tabapuã carrega em seu nome a história de um município de pouco mais de 35 mil habitantes localizado no interior paulista. A denominação surgiu a partir de uma propriedade rural situada no perímetro urbano da cidade, conhecida popularmente como Fazenda Milagrosa, onde os primeiros exemplares foram criados e desenvolvidos a partir da década de 1940.

O responsável pela introdução dos animais na região foi o médico Roberto Ortenblad, proprietário da fazenda, que adquiriu exemplares resultantes do cruzamento entre o gado mocho nacional e animais de origem indiana, com destaque para a raça Nelore. A adaptação ao clima tropical e à vegetação característica da Mata Atlântica ocorreu de forma rápida, o que favoreceu a consolidação do rebanho na propriedade.

Raízes que remontam ao início do século 20

Apesar de o nome estar associado à cidade paulista, as origens genéticas da raça são anteriores e remontam ao início do século passado. Segundo Guilherme Tricca, técnico da raça Tabapuã que atua na região de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, as matrizes ancestrais foram formadas por Salviano Monteiro Guimarães, na região de Planaltina, em Goiás, entre os anos de 1903 e 1907.

Ao longo das gerações seguintes, o processo de seleção genética buscou preservar as principais características zebuínas presentes nos animais. Esse trabalho de apuramento resultou no surgimento dos primeiros exemplares mochos de ascendência indiana registrados no Brasil, conforme explica o especialista.

Reconhecimento oficial e trajetória até a consolidação como raça

O reconhecimento institucional do Tabapuã como raça ocorreu de forma gradual ao longo de décadas. Em 1970, o Ministério da Agricultura recomendou à Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, a ABCZ, que o gado passasse a integrar o grupo de raças zebuínas reconhecidas oficialmente no país.

Dez anos depois, em 1980, o desempenho dos animais em competições e pesagens chamou atenção do setor: o Tabapuã conquistou 80% das pesagens das quais participou naquele período. O resultado expressivo contribuiu para que, em 1981, a raça fosse definitivamente reconhecida, tornando-se o terceiro tipo neozebuíno formado no mundo, depois do Brahman e do Indubrasil.

Características produtivas que diferenciam o rebanho

Entre os atributos mais valorizados pelos criadores está o rápido ganho de peso dos animais. De acordo com Guilherme Tricca, exemplares da raça podem atingir média diária de 1,3 quilo em um período de 112 dias, desempenho considerado relevante dentro do segmento zebuíno.

Além do ganho de peso, as fêmeas da raça se destacam pela alta produção de leite, característica que favorece diretamente o desenvolvimento dos bezerros ainda na fase de amamentação. A lactação abundante, segundo o técnico, garante alimentação adequada para um crescimento vigoroso das crias logo nos primeiros meses de vida.

Outro traço marcante do Tabapuã é a ausência natural de chifres, resultado direto do cruzamento que deu origem à raça. Essa característica, somada ao temperamento considerado dócil pelos criadores, facilita o manejo do rebanho em diferentes sistemas de produção.

Habilidade materna e desempenho na desmama

A habilidade materna das fêmeas é apontada como um dos diferenciais da raça. Segundo Guilherme Tricca, essa característica resulta em bezerros desmamados com peso elevado, o que contribui para que os animais atinjam o peso final de abate em um intervalo de tempo menor quando comparados a outras raças zebuínas.

Esse conjunto de atributos reprodutivos e produtivos tem sido apontado pelo setor como um dos fatores que explicam a presença consolidada da raça em diferentes regiões produtoras do país, especialmente em propriedades voltadas à cria e recria de bovinos.

Desempenho em estudos técnicos da ABCZ

Um levantamento conduzido pela Superintendência Técnica da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu reforça o desempenho da raça em comparação a outros rebanhos zebuínos. O estudo, que avaliou mais de 3 milhões de animais pesados, apontou que o Tabapuã superou outras raças no quesito peso médio aos 205 dias de vida.

O resultado foi observado nos três principais regimes alimentares analisados: animais criados exclusivamente a pasto, aqueles submetidos à suplementação e os mantidos em sistema de confinamento. A consistência do desempenho nos diferentes modelos de criação é citada como um dos motivos para a adoção da raça por produtores com estratégias distintas de manejo.

Valorização comercial da raça no mercado pecuário

A combinação entre ganho de peso acelerado, boa produção leiteira e habilidade materna tem impulsionado a valorização comercial dos exemplares da raça. Segundo o técnico Guilherme Tricca, fêmeas de destaque podem ser comercializadas por valores que chegam a R$ 2 milhões, enquanto machos de alto padrão genético atingem cerca de R$ 1,25 milhão.

Esses valores refletem a procura por animais com genética diferenciada, utilizados principalmente em programas de melhoramento e na formação de matrizes dentro de propriedades especializadas em cria e seleção de reprodutores.

Contribuição para a pecuária nacional

Para o especialista, a trajetória da raça representa um dos capítulos mais relevantes da zootecnia brasileira nas últimas décadas. Segundo ele, o desenvolvimento do Tabapuã contribuiu para que a pecuária nacional alcançasse patamares de referência em outros países, impulsionada pela tecnologia empregada no manejo e pelo baixo custo de produção associado ao rebanho.

Guilherme Tricca destaca ainda que, segundo especialistas do setor, o Tabapuã é considerado uma das maiores conquistas da zootecnia brasileira dos últimos cem anos, resultado direto do trabalho de seleção genética iniciado ainda no começo do século passado e consolidado ao longo de diferentes gerações de criadores.

Cuidados recomendados na criação da raça

Apesar do desempenho produtivo reconhecido, o técnico pontua que a criação da raça exige atenção a determinados cuidados por parte dos produtores. O manejo adequado, aliado à seleção genética criteriosa, é apontado como fator importante para manter as características que consolidaram o Tabapuã como referência entre os rebanhos zebuínos no Brasil.

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