Rebanho bovino brasileiro recua pelo segundo ano seguido, mas valor da produção pecuária bate recorde

Rebanho bovino atinge o menor patamar desde 2022
O rebanho bovino brasileiro registrou queda de 1,7% em 2025, encerrando o ano com 234,3 milhões de cabeças. O resultado representa o segundo recuo anual consecutivo e leva o efetivo nacional ao menor volume desde 2022, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o instituto, o aumento dos abates observado nos últimos quatro anos ajuda a explicar a redução do plantel. O movimento atingiu de forma mais expressiva as fêmeas, o que reforça a leitura de que o setor passa por um ciclo de ajuste na composição do rebanho nacional.
Valor da produção pecuária bate recorde da série histórica
Mesmo com a diminuição do número de animais, o valor da produção pecuária brasileira alcançou R$ 141,2 bilhões em 2025. O montante representa recorde da série histórica do IBGE e traduz uma alta de 6,2% em relação ao ano anterior.
Os produtos de origem animal foram responsáveis pela maior fatia desse resultado, somando R$ 128 bilhões, com crescimento de 5,6% sobre 2024. A aquicultura, por sua vez, contribuiu com R$ 13,2 bilhões, avanço de 12,5% no período analisado.
Entre os produtos de origem animal, o leite de vaca concentrou a maior parcela do valor gerado, com R$ 89,5 bilhões, equivalente a 63,4% do total. Os ovos de galinha aparecem na sequência, com R$ 36,4 bilhões, ou 25,8% da receita. Já o mel somou R$ 1,2 bilhão, participação de 0,9% no conjunto.
Centro-Oeste lidera rebanho, mas enfrenta quedas sucessivas
Na distribuição regional, o Centro-Oeste manteve a posição de maior detentor de bovinos do país, com 72,2 milhões de cabeças, o equivalente a 30,8% do rebanho nacional. Ainda assim, a região registrou recuo de 3,7% no efetivo, acumulando a terceira redução anual consecutiva.
O Norte apresentou o segundo maior rebanho, com 63,4 milhões de animais, queda de 1,8% frente a 2024. No Sudeste, o efetivo caiu 1%, fechando o ano em 37,3 milhões de cabeças. O Sul, por sua vez, teve retração de 1,7%, somando 24,1 milhões de bovinos.
O Nordeste foi a única região do país a ampliar seu rebanho bovino em 2025. O efetivo da região cresceu 2,2%, chegando a 37,3 milhões de cabeças, movimento que contrasta com a tendência observada nas demais regiões.
São Félix do Xingu segue na liderança municipal
Entre os municípios, São Félix do Xingu, no Pará, manteve a primeira colocação no ranking nacional, com 2,7 milhões de bovinos, concentrando 1,2% de todo o rebanho do país.
Corumbá, em Mato Grosso do Sul, apareceu na segunda posição, com 2,2 milhões de animais. Porto Velho, em Rondônia, ocupou o terceiro lugar, com 1,7 milhão de cabeças registradas.
Cáceres, em Mato Grosso, somou 1,4 milhão de bovinos, enquanto Marabá, também no Pará, fechou a lista dos cinco maiores municípios produtores, com 1,3 milhão de animais.
Produção de leite bate novo recorde apesar da queda no número de vacas ordenhadas
A produção brasileira de leite de vaca alcançou 36,7 bilhões de litros em 2025, crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior. O resultado marcou o terceiro recorde consecutivo do setor, mesmo diante da redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas no país.
O Brasil registrou 14,7 milhões de vacas ordenhadas em 2025, o menor número de toda a série histórica do IBGE, iniciada em 1974. Em contrapartida, a produtividade por animal avançou 5,6%, atingindo 2.498,7 litros por vaca ao ano, também um recorde para o indicador.
Segundo o IBGE, condições climáticas favoráveis contribuíram para o desempenho positivo da produção leiteira. Investimentos em genética animal e aprimoramento das técnicas de manejo também foram apontados como fatores relevantes para o ganho de produtividade observado no período.
O instituto destacou ainda uma reorganização da base produtiva do setor leiteiro, movimento que ajuda a explicar como a produção conseguiu crescer mesmo com menos animais em lactação.
Sul retoma liderança na produção de leite
A região Sul voltou a ocupar a primeira posição na produção nacional de leite, com 12,5 bilhões de litros, alta de 4,4% em um ano. O volume representa 34% de toda a produção do país.
O Sudeste ficou na segunda colocação, com 12,3 bilhões de litros produzidos, crescimento de 2,3% sobre o ano anterior, respondendo por 33,5% do total nacional. O Nordeste apareceu na sequência, com 6,6 bilhões de litros e alta de 2,7%.
O Centro-Oeste produziu 3,6 bilhões de litros, com queda de 1% no período, enquanto o Norte registrou 1,7 bilhão de litros, avanço de 1,4% em relação a 2024.
No recorte municipal, Castro, no Paraná, liderou a produção nacional de leite, com 532,8 milhões de litros, alta de 10% sobre o ano anterior. Carambeí, também no Paraná, produziu 306,8 milhões de litros, enquanto Patos de Minas, em Minas Gerais, somou 249,2 milhões de litros.
Avicultura de postura e criação de pequenos ruminantes também crescem
O número de galináceos no Brasil chegou a 1,6 bilhão de cabeças em 2025, alta de 1,6% e novo recorde da série histórica. As galinhas destinadas à produção de ovos somaram 293,3 milhões de animais, crescimento de 5,8%, também um recorde para o segmento.
A produção nacional de ovos alcançou 5,7 bilhões de dúzias, o maior volume desde 1999. O valor gerado pela produção chegou a R$ 36,4 bilhões, alta de 13,9% em relação ao ano anterior.
O Sudeste liderou a produção de ovos, com 2,3 bilhões de dúzias, participação de 39,3% do total nacional. O Sul produziu 1,3 bilhão de dúzias, enquanto o Nordeste registrou 1,1 bilhão de dúzias no período.
Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, liderou tanto a produção municipal de ovos quanto o maior efetivo de galináceos do país, com 18,4 milhões de animais.
O efetivo de caprinos cresceu 1,2% em 2025, chegando a 13,5 milhões de animais, recorde da série histórica. Os ovinos somaram 22,3 milhões de cabeças, alta de 1,6%, também o maior número já registrado. O Nordeste concentra a quase totalidade desses rebanhos, com 96,6% dos caprinos e 75,8% dos ovinos do país.
Já o efetivo de suínos permaneceu praticamente estável, em 44 milhões de animais, assim como o número de fêmeas reprodutoras, que se manteve em torno de 5 milhões. Toledo, no Paraná, seguiu na liderança municipal da suinocultura, com 935 mil animais, seguido por Uberlândia, em Minas Gerais, com 588 mil, e Concórdia, em Santa Catarina, com 519,4 mil.