Candidato ao governo do RS defende manutenção de fundos setoriais do agro e alerta para concorrência desleal no leite

Fundos setoriais entram no debate eleitoral
A discussão sobre o papel dos fundos de desenvolvimento voltados a setores específicos do agronegócio gaúcho ganhou espaço na sabatina realizada com os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. Instrumentos como o Fundovitis, voltado à viticultura, e o Fundovinos, direcionado ao setor vinícola, foram citados como exemplos de mecanismos que historicamente auxiliam cadeias produtivas específicas a superar dificuldades conjunturais e estruturais.
Ao ser questionado sobre a necessidade de manutenção ou aprimoramento desses fundos, o candidato Marcelo Maranata, do PSDB, defendeu que todos os instrumentos hoje existentes devem ser preservados. Segundo ele, esses fundos funcionam como uma rede de proteção para produtores que enfrentam adversidades climáticas, econômicas ou de mercado, e sua manutenção é fundamental para garantir a continuidade da produção em diferentes elos do agronegócio estadual.
A cadeia do leite como exemplo de fragilidade setorial
Durante a sabatina, Maranata utilizou o exemplo da cadeia produtiva do leite para ilustrar os desafios enfrentados por produtores gaúchos diante da concorrência com produtos vindos de fora do Estado. Segundo o candidato, há um cenário de entrada de leite em pó proveniente de outras regiões do país a preços mais baixos, o que caracteriza uma prática de dumping que prejudica diretamente o produtor local.
O candidato citou que uma das fábricas de chocolate mais tradicionais do Rio Grande do Sul atualmente utiliza leite em pó adquirido integralmente de fora do Estado. Essa realidade, de acordo com ele, evidencia como a falta de competitividade de preço, somada à carga tributária elevada enfrentada pelo produtor gaúcho, tem afastado a indústria local da matéria-prima produzida dentro do próprio Estado.
Para Maranata, essa dinâmica gera um ciclo de prejuízo ao produtor rural, que arca com custos de produção elevados e ainda assim perde espaço para concorrentes externos que operam com estruturas de custo mais vantajosas. Segundo o candidato, esse tipo de situação reforça a necessidade de os fundos setoriais estarem estruturados e disponíveis para socorrer produtores em momentos de dificuldade extrema.
Eventos climáticos e a necessidade de resposta rápida
O candidato também relacionou a existência dos fundos de desenvolvimento a situações de perdas provocadas por fenômenos climáticos extremos, como as recentes chuvas de granizo que atingiram lavouras em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Segundo ele, esses eventos têm se tornado mais frequentes e exigem instrumentos ágeis de apoio ao produtor afetado.
De acordo com Maranata, é fundamental que o Estado disponha de mecanismos financeiros capazes de amparar rapidamente o agricultor que perde parte ou toda a produção devido a fenômenos climáticos adversos. A existência de um fundo estruturado, segundo ele, permitiria uma resposta mais imediata diante de situações emergenciais, reduzindo o impacto financeiro sobre famílias produtoras que dependem exclusivamente da atividade agropecuária para sua subsistência.
Vigilância sobre concorrência externa e benefícios fiscais de outros estados
Outro ponto abordado pelo candidato durante a sabatina foi a necessidade de o governo estadual manter atenção constante sobre benefícios fiscais concedidos por outros estados brasileiros, que podem impactar negativamente a competitividade da produção gaúcha. Segundo Maranata, é preciso monitorar continuamente as políticas de incentivo adotadas em outras regiões do país para evitar que o produtor rio-grandense seja prejudicado por assimetrias tributárias.
O candidato defendeu que essa vigilância deve ser proativa, antecipando cenários que possam colocar em desvantagem os setores produtivos do Rio Grande do Sul frente a estados que oferecem condições tributárias mais favoráveis. Para ele, essa atenção deve estar presente tanto no acompanhamento de políticas estaduais quanto nas decisões tomadas em nível federal que possam impactar diretamente a competitividade do agro gaúcho.
Reforma tributária entra na pauta do debate
Maranata também mencionou a reforma tributária como um tema que precisa ser acompanhado de perto pelos governadores, especialmente no que se refere aos impactos sobre o setor agropecuário. Segundo o candidato, é necessário que os chefes de Executivo estaduais se articulem para questionar aspectos da reforma que possam gerar desvantagens competitivas para os produtores de seus respectivos estados.
De acordo com ele, essa articulação entre governadores seria importante para garantir que as mudanças na estrutura tributária nacional não prejudiquem setores estratégicos da economia gaúcha, como a produção de leite, grãos, carnes e demais cadeias produtivas que sustentam boa parte da atividade econômica do Estado. Maranata defendeu que esse movimento de questionamento precisa ocorrer de forma coordenada e com embasamento técnico.
Contexto da sabatina e relevância do tema para o Estado
A sabatina realizada com os quatro candidatos ao governo do Rio Grande do Sul incluiu uma série de questionamentos voltados especificamente ao setor agropecuário, reconhecendo a importância estratégica da atividade para a economia estadual. O Rio Grande do Sul tem historicamente parte significativa de seu Produto Interno Bruto vinculada direta ou indiretamente ao agronegócio, o que faz com que propostas voltadas ao setor sejam analisadas com atenção pelo eleitorado rural e por representantes de cadeias produtivas.
As respostas dos candidatos sobre temas como fundos setoriais, competitividade tributária e apoio emergencial em situações de perdas climáticas têm sido acompanhadas de perto por entidades ligadas ao setor produtivo, que buscam identificar propostas concretas para os próximos anos de gestão estadual. A manutenção e o eventual aprimoramento de mecanismos como o Fundovitis e o Fundovinos são vistos como parte de uma política mais ampla de sustentação da atividade agropecuária no Estado.
Perspectivas para o setor produtivo gaúcho
O debate em torno dos fundos de desenvolvimento setorial e da necessidade de proteção do produtor frente à concorrência externa reflete preocupações recorrentes entre representantes do agronegócio gaúcho. A busca por equilíbrio entre livre concorrência e proteção a setores estratégicos tem sido um tema recorrente em discussões sobre política econômica estadual, especialmente diante de cenários de instabilidade climática e mudanças na estrutura tributária nacional.
A continuidade dessas discussões ao longo do processo eleitoral deve trazer mais elementos sobre as propostas concretas de cada candidato para o setor, permitindo que produtores e entidades representativas avaliem com maior profundidade os planos de governo apresentados para a próxima gestão estadual.