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Crime em Candelária reabre memória de tragédia familiar ocorrida há 14 anos

Por: Redação Valores Agro
30 de setembro de 2026
Crime em Candelária reabre memória de tragédia familiar ocorrida há 14 anos

Uma nova tragédia na mesma localidade

A morte de Patrícia Cristina Pereira, de 31 anos, e da filha dela, Karolayne Cristina Costa, de 13, trouxe à tona um capítulo trágico que já havia marcado a família há mais de uma década. As duas foram encontradas sem vida dentro de casa, na localidade de Passa Sete, interior do município de Candelária, no Vale do Rio Pardo. O caso chamou atenção não apenas pela violência do crime, mas também pela coincidência geográfica com outro episódio sangrento que atingiu a mesma família em 2012.

Na ocasião, os pais de Patrícia, os agricultores Sérgio Antônio Pereira, de 36 anos, e Roseli Rosa, de 39, foram mortos a tiros enquanto voltavam para casa de motocicleta. O ataque ocorreu em uma estrada próxima à residência onde o casal morava, também na região de Passa Sete, revelando que a família convive há anos com episódios de violência extrema na mesma área rural.

O duplo homicídio de 2012

De acordo com o que foi apurado à época, o crime contra Sérgio e Roseli aconteceu em 9 de abril de 2012, após uma sequência de desentendimentos entre famílias vizinhas. O casal chegou a registrar uma ocorrência de ameaça na Delegacia de Polícia antes de retornar para casa, mas acabou sendo alvo de disparos de arma de fogo pouco depois.

A investigação da época apontou que o conflito havia se intensificado após uma briga ocorrida durante uma festa na comunidade. Um dos elementos levantados pelos investigadores foi a oposição do casal ao relacionamento da filha com o filho de um dos envolvidos na disputa, fator que teria contribuído para o agravamento das tensões entre as famílias.

Passados três anos, em junho de 2015, a Justiça condenou dois homens, pai e filho, pelo duplo homicídio. As penas impostas foram de 28 e 27 anos de prisão, encerrando judicialmente um caso que deixou marcas profundas na família de Patrícia, que na época ainda era adolescente.

A descoberta dos corpos em 2025

Na terça-feira, Patrícia e Karolayne foram encontradas mortas dentro da residência onde moravam, também na região de Passa Sete. A descoberta ocorreu depois que a babá responsável por cuidar de três dos filhos de Patrícia estranhou a ausência de resposta da mãe desde o fim de semana e acionou a Brigada Militar.

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a porta da residência aberta e, ao entrarem, localizaram os corpos das duas vítimas no interior do imóvel. A cena levou a Polícia Civil a iniciar imediatamente as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte de mãe e filha.

Perícia aponta uso de arma branca

Inicialmente, havia a suspeita de que Patrícia e Karolayne tivessem sido atingidas por disparos de arma de fogo, dada a semelhança inicial com o crime que vitimou os avós da adolescente em 2012. No entanto, o laudo pericial indicou que as duas foram mortas com golpes de arma branca, possivelmente faca ou facão, alterando o entendimento inicial sobre a dinâmica do crime.

Segundo a investigação, os assassinatos podem ter ocorrido ainda durante o fim de semana, antes da descoberta dos corpos na terça-feira. O intervalo entre a data provável do crime e a localização das vítimas levanta questões sobre a cronologia dos fatos, que segue sendo apurada pelas autoridades.

Investigação em andamento

A Polícia Civil trabalha atualmente com as hipóteses de duplo homicídio e feminicídio para tentar compreender a motivação por trás do crime. Até a manhã desta quarta-feira, havia um suspeito identificado, mas nenhuma prisão havia sido efetuada, conforme informações repassadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Como parte das diligências, o celular de Patrícia foi encontrado quebrado dentro da residência e encaminhado para perícia técnica, na expectativa de que o aparelho possa fornecer informações relevantes sobre os últimos contatos e movimentações da vítima antes do crime.

Os investigadores também analisam imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades do imóvel, além de ouvir pessoas próximas à família em busca de elementos que ajudem a reconstituir os fatos e identificar a motivação do crime.

Um histórico de ameaças

Levantamentos feitos pela polícia indicam que Patrícia havia registrado uma ocorrência por ameaça em dezembro de 2025. Até o momento, contudo, os investigadores não encontraram indícios de que esse episódio esteja diretamente relacionado ao crime que vitimou ela e a filha, mantendo em aberto diferentes linhas de apuração.

A existência desse registro anterior, somado ao histórico trágico da família, tornou-se um dos pontos de atenção da investigação, que busca compreender se há algum padrão de violência recorrente contra os membros da família ou se os episódios são eventos isolados ao longo dos anos.

Os filhos e o acompanhamento institucional

Patrícia era mãe de outras três crianças, que não estavam na residência no momento em que os corpos foram encontrados. Diante da situação, o Conselho Tutelar foi imediatamente acionado para prestar o acompanhamento necessário às crianças, que passam a ser assistidas por órgãos de proteção após a perda da mãe e da irmã mais velha.

A rotina da família, marcada por mais um episódio de violência extrema, levanta preocupações adicionais sobre o amparo às crianças remanescentes, que precisarão de suporte psicológico e social diante do impacto causado pela nova tragédia.

Buscando relação entre os casos

A Polícia Civil segue investigando para esclarecer se existe alguma relação entre o crime atual e os acontecimentos que atingiram a família de Patrícia há 14 anos. Embora os dois episódios tenham ocorrido na mesma localidade rural de Passa Sete, as autoridades ainda não confirmaram conexões diretas entre os fatos, tratando-os, por ora, como investigações distintas.

O caso segue sob sigilo em diversos aspectos, enquanto peritos e investigadores buscam reunir provas que permitam identificar com precisão a motivação e os responsáveis pela morte de Patrícia e Karolayne, em mais um capítulo de uma história familiar marcada pela violência ao longo dos anos.

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