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Indústria de fertilizantes pede redução da dependência externa em carta ao país

Por: Redação Valores Agro
13 de outubro de 2026
Indústria de fertilizantes pede redução da dependência externa em carta ao país

O Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-primas para Fertilizantes (Sinprifert) divulgou nesta terça-feira (13/10) um documento denominado Carta Aberta ao Brasil, data em que se celebra o Dia Mundial dos Fertilizantes. O texto chama atenção para a dependência brasileira de insumos importados, estimada pela entidade em cerca de 90%, e aponta essa condição como um fator de risco para o agronegócio nacional e para a segurança alimentar do país.

A publicação do documento ocorre em um contexto de dificuldades para o setor, que enfrenta aumento expressivo nos custos de matérias-primas desde o início do conflito no Oriente Médio. O enxofre, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados, é um dos produtos mais afetados pela escalada de preços internacionais.

Alta do enxofre pressiona a produção

Segundo dados citados pela entidade, o preço do enxofre chegou a US$ 1,2 mil por tonelada em meados deste ano, um patamar muito superior aos US$ 435 registrados em janeiro, antes do agravamento do conflito no Oriente Médio. O salto nos preços gerou impacto direto sobre a cadeia produtiva de fertilizantes fosfatados no Brasil.

A variação acentuada nos custos chegou a provocar a paralisação temporária da produção em fábricas instaladas no país, reflexo da dificuldade de manter a atividade industrial diante da escalada de preços das matérias-primas importadas. O episódio reforçou, segundo o Sinprifert, a urgência de discutir alternativas que reduzam a exposição do setor a oscilações do mercado internacional.

Os compromissos apresentados na carta

No documento, a entidade apresenta cinco compromissos do segmento com o desenvolvimento do país. O primeiro deles trata do retorno multiplicado ao Brasil dos investimentos realizados pela indústria. O segundo aborda a recuperação de solos desgastados, de forma que voltem a ser produtivos.

Os demais compromissos incluem a redução progressiva do impacto ambiental da cadeia produtiva, a defesa de que o Brasil assuma papel de liderança em uma nova fase de desenvolvimento agrícola sustentável e a efetivação das metas previstas no Plano Nacional de Fertilizantes, política pública voltada à ampliação da produção nacional de insumos.

Fala do presidente do conselho da entidade

O presidente do Conselho de Administração do Sinprifert, Elias Lima, afirmou que o Brasil construiu, ao longo de três décadas, uma posição de liderança na produção agrícola global sob condições de fornecimento e custo determinadas por fatores externos ao país. Segundo ele, a produção nacional de fertilizantes e o desenvolvimento de tecnologias próprias são elementos que permitirão ao Brasil ter maior controle sobre seu futuro produtivo.

A declaração reforça o argumento central da carta, que associa a soberania produtiva do agronegócio brasileiro à capacidade de reduzir a dependência de insumos vindos de outros países, especialmente diante de cenários de instabilidade geopolítica que afetam diretamente a cadeia de suprimentos.

Crescimento da dependência externa em três décadas

De acordo com dados apresentados pelo Sinprifert, a dependência brasileira de fertilizantes importados saltou de 55% para aproximadamente 90% ao longo dos últimos trinta anos. A entidade detalha que 97% do nitrogênio e do potássio utilizados nas lavouras do país são adquiridos no exterior, assim como 74% do fósforo.

Esses três nutrientes são considerados fundamentais para a nutrição das plantas e para a manutenção da produtividade agrícola em larga escala. A elevada dependência externa desses insumos é apontada pela entidade como um ponto de atenção estratégica, especialmente em um cenário de instabilidade internacional que pode afetar preços e disponibilidade de forma abrupta.

Expansão da produção agrícola brasileira

Enquanto a dependência de fertilizantes importados aumentou, a produção agrícola brasileira também registrou expansão significativa. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a safra de grãos do país passou de 123 milhões de toneladas em 2002 para 350 milhões de toneladas em 2025.

No mesmo período, a área plantada cresceu de 43,9 milhões para 81,7 milhões de hectares. Paralelamente, as entregas de fertilizantes no mercado brasileiro avançaram de 19 milhões para 49 milhões de toneladas, segundo levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o que evidencia a relação direta entre o uso de insumos e o aumento da produtividade agrícola nacional.

Relevância para outras cadeias estratégicas

A carta aberta do Sinprifert também destaca a importância da indústria de fertilizantes para setores considerados estratégicos além da agricultura. Entre eles estão a extração de terras raras, a fabricação de ímãs e baterias e o desenvolvimento do hidrogênio verde, segmentos que dependem, em alguma medida, de cadeias produtivas semelhantes às utilizadas na produção de insumos agrícolas.

Segundo a entidade, o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes poderia gerar efeitos positivos para esses outros setores, ampliando sinergias tecnológicas e produtivas em áreas consideradas essenciais para o futuro industrial do país.

Contexto do Plano Nacional de Fertilizantes

O documento reforça a importância do Plano Nacional de Fertilizantes como instrumento capaz de orientar o desenvolvimento da produção nacional de insumos. A política pública foi criada com o objetivo de reduzir a dependência externa do setor e ampliar a autonomia produtiva do país em um horizonte de médio e longo prazo.

Para o Sinprifert, a efetivação das metas previstas no plano depende de investimentos contínuos, segurança regulatória e articulação entre setor público e privado, de forma a viabilizar projetos de exploração e industrialização de matérias-primas ainda pouco desenvolvidos no território nacional.

Perspectivas para o setor

A publicação da carta aberta reforça o debate sobre a necessidade de diversificação das fontes de fertilizantes utilizadas pelo agronegócio brasileiro. A alta volatilidade registrada recentemente nos preços de matérias-primas como o enxofre evidencia os riscos associados à forte dependência de fornecedores internacionais.

Diante desse cenário, a indústria nacional de fertilizantes busca ampliar o diálogo com o poder público e com a sociedade, defendendo que o fortalecimento da produção interna de insumos seja tratado como uma questão estratégica para a manutenção da segurança alimentar e da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

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