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Chuvas persistentes limitam colheita de mandioca e pressionam preços da raiz

Por: Redação Valores Agro
13 de outubro de 2026
Chuvas persistentes limitam colheita de mandioca e pressionam preços da raiz

Umidade do solo volta a restringir atividades no campo

As chuvas registradas nos últimos dias, mesmo com frequência menor em relação a períodos anteriores, foram suficientes para manter os solos encharcados na maior parte das regiões produtoras de mandioca no país. Esse cenário voltou a dificultar a realização de atividades agrícolas essenciais, com destaque para a colheita, que depende de condições mais secas para avançar com eficiência.

De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, o excesso de umidade tem se tornado um fator recorrente de atraso nas operações de campo. A dificuldade de acesso às lavouras e a impossibilidade de arrancar as raízes em condições adequadas de solo acabam comprometendo o cronograma produtivo em diversas localidades.

Oferta reduzida pressiona cotações da raiz

A combinação entre baixa disponibilidade de mandioca e a postergação de compras por parte de compradores tem mantido a liquidez do mercado em patamar reduzido. Esse comportamento, segundo o Cepea, tem se refletido diretamente sobre os preços praticados, que sustentam trajetória de alta diante da escassez de oferta no mercado físico.

A dinâmica observada nas últimas semanas mostra um mercado mais cauteloso, no qual compradores evitam fechar negócios antecipadamente, na expectativa de melhores condições climáticas que possam normalizar o fluxo de colheita. Enquanto isso não ocorre, a pressão sobre as cotações tende a permanecer, já que a demanda segue praticamente estável diante de uma oferta mais restrita.

Esmagamento recua ao menor nível em meses

Um dos reflexos mais evidentes da escassez de matéria-prima está no volume de esmagamento de mandioca realizado pelas fecularias. Segundo dados do Cepea, o processamento semanal atingiu o menor patamar desde janeiro, evidenciando a dificuldade das indústrias em obter raiz suficiente para manter o ritmo normal de produção.

Esse recuo no esmagamento tende a gerar impactos em cadeia, uma vez que a produção de fécula e demais derivados depende diretamente do volume de matéria-prima disponível. Caso as condições climáticas não se normalizem nas próximas semanas, o setor industrial pode enfrentar novos ajustes operacionais para lidar com a oferta reduzida.

Desenvolvimento das lavouras mais lento

No campo, as lavouras implantadas entre junho e julho apresentam desenvolvimento vegetativo mais lento do que o esperado para o período, conforme apontado pelo Cepea. O excesso de chuvas, somado à saturação do solo, tem prejudicado o crescimento adequado das plantas em diversas áreas produtoras.

Em alguns casos, produtores já contabilizam perdas decorrentes diretamente do excesso de umidade, fator que compromete tanto a qualidade quanto a produtividade final das raízes. Esse quadro reforça as incertezas em relação à disponibilidade de mandioca nos próximos meses, especialmente em regiões mais afetadas pelas chuvas constantes.

Redução de área cultivada amplia preocupação

Além dos efeitos climáticos sobre as lavouras já implantadas, o setor enfrenta também uma redução das áreas cultivadas em todas as regiões produtoras do país. Essa retração na área plantada tende a agravar ainda mais o cenário de oferta restrita, especialmente se as condições climáticas adversas persistirem ao longo da safra.

A combinação entre menor área cultivada, desenvolvimento vegetativo comprometido e dificuldades logísticas para a colheita cria um ambiente de maior fragilidade para a cadeia produtiva da mandioca. Esse conjunto de fatores reforça a tendência de preços mais firmes no curto e médio prazo, à medida que a oferta se mantém aquém da demanda do setor industrial.

Perspectivas para os próximos meses

O comportamento do clima nas próximas semanas será determinante para definir o ritmo de recuperação da colheita e, consequentemente, da oferta de mandioca no mercado. Caso as chuvas percam intensidade e permitam a estabilização do solo, as atividades de colheita podem retomar um ritmo mais normal, aliviando parte da pressão observada sobre os preços.

Por outro lado, a persistência de condições úmidas pode aprofundar as perdas já identificadas em algumas lavouras, ampliando a restrição de oferta e mantendo o cenário de preços elevados tanto para produtores quanto para a indústria processadora. O setor acompanha de perto a evolução climática, já que ela tem se mostrado o principal fator de influência sobre a dinâmica produtiva e comercial da mandioca neste período.

A cadeia produtiva da mandioca segue, assim, diante de um momento de ajustes, no qual fatores climáticos, redução de área plantada e comportamento cauteloso dos compradores se combinam para moldar o cenário de preços e disponibilidade da raiz nos próximos meses.

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