Incêndios destroem lavouras e geram prejuízos milionários em Goiás

Fogo avança sobre propriedades rurais em três municípios
Incêndios de grandes proporções atingiram propriedades rurais em diferentes regiões de Goiás, deixando um rastro de destruição sobre lavouras de milho e cana-de-açúcar. Os municípios de Mineiros, Pontalina e Montividiu registraram focos de fogo que avançaram rapidamente sobre áreas de produção agrícola, surpreendendo produtores que não tiveram tempo de reagir diante da velocidade das chamas.
Em Mineiros, no interior do estado, o fogo atingiu diretamente propriedades rurais e avançou sobre uma plantação de milho, comprometendo parte significativa da lavoura. A situação se repetiu em Pontalina, onde outro incêndio destruiu áreas de cultivo, incluindo uma plantação de cana-de-açúcar pertencente a uma usina da região, ampliando o impacto econômico sobre o setor produtivo local.
Já em Montividiu, o fogo consumiu uma plantação de milho que estava praticamente pronta para a colheita. Nas áreas atingidas, as espigas ficaram completamente queimadas, inutilizando o trabalho de meses de cultivo em questão de horas.
Prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões em Montividiu
Na propriedade atingida em Montividiu, o incêndio destruiu uma área de 250 hectares de milho. Segundo o produtor responsável pela fazenda, o prejuízo estimado com a perda da lavoura chega a R$ 2,5 milhões, um valor expressivo que evidencia o impacto financeiro direto causado pelas chamas em uma única propriedade.
A extensão da área atingida reforça a gravidade do episódio, já que 250 hectares representam uma parcela considerável de investimento em insumos, maquinário e mão de obra, todos comprometidos com a destruição da plantação momentos antes da colheita.
Outras propriedades também foram atingidas
Em outra fazenda do mesmo município, o produtor Vanderlei Secco havia acabado de realizar a colheita quando as chamas alcançaram sua área. Mesmo com a produção já retirada do campo, o fogo destruiu a palha seca que permanecia sobre o solo, material que tinha a função de proteger a terra e contribuir para a manutenção da umidade e da fertilidade do solo para o próximo ciclo produtivo.
Na propriedade de Antonio Carlos Grandi, o incêndio não poupou nem os equipamentos utilizados na produção. O sistema usado para irrigar a plantação foi atingido pelas chamas, ampliando os prejuízos materiais além da perda da própria lavoura.
Segundo relato do produtor, o fogo se espalhou de forma inesperada e extremamente rápida. Ele descreveu que as chamas atravessaram uma rodovia próxima à propriedade e, em poucos instantes, novos focos surgiram em diferentes pontos da área, dificultando qualquer tentativa de controle imediato. Para ele, a velocidade de propagação do fogo tornou praticamente impossível reagir a tempo de evitar a destruição.
Área queimada em 2025 já supera o tamanho de São Paulo
Dados do MapBiomas indicam que, apenas no primeiro semestre deste ano, uma área de agricultura maior do que a cidade de São Paulo foi consumida por incêndios em todo o país. O número reforça a preocupação com a recorrência desse tipo de evento em regiões de intensa atividade agrícola, especialmente durante períodos de estiagem prolongada.
O cenário atual reacende o alerta sobre a vulnerabilidade das lavouras brasileiras diante de condições climáticas adversas, que favorecem a propagação rápida do fogo em áreas de cultivo extenso, como as encontradas em Goiás.
Histórico recente de perdas bilionárias
Os incêndios rurais não são um fenômeno isolado neste ano. Em 2024, entre os meses de junho e agosto, período marcado por uma seca extrema e prolongada, cerca de 2,8 milhões de hectares de propriedades rurais foram queimados em todo o Brasil. A extensão da área atingida naquele período é comparável ao tamanho do estado de Alagoas, o que dá dimensão à escala do problema enfrentado pelo setor produtivo.
De acordo com a Confederação Nacional da Agricultura, os prejuízos causados pelos incêndios em 2024 somaram quase R$ 15 bilhões, um valor que reflete o impacto direto sobre a renda de produtores rurais em diferentes regiões do país e sobre a economia agrícola como um todo.
Produtores voltam a enfrentar perdas em meio a custos elevados
Agora, em 2025, produtores como Bruno Brais voltam a lidar com prejuízos semelhantes. Em sua propriedade, cerca de 160 hectares de palhada foram queimados, além de parte da produção de milho que ainda estava no campo.
Segundo o produtor, a situação se soma a um contexto já desafiador para o setor. Ele afirmou que os custos de produção têm pressionado a atividade agrícola, agravados pelo preço baixo do milho no mercado. Com o novo episódio de incêndio, o prejuízo se torna ainda mais difícil de absorver, já que a queima da palhada compromete não apenas a produção atual, mas também a proteção do solo para os próximos plantios.
O relato de diferentes produtores em Goiás evidencia um padrão recorrente: a rapidez com que o fogo se espalha em áreas de cultivo extenso, muitas vezes impulsionado por condições climáticas secas, dificulta ações preventivas e de combate em tempo hábil, ampliando o volume de perdas registradas em cada episódio.
A recorrência desses incêndios em diferentes safras reforça a necessidade de atenção redobrada por parte de produtores rurais, especialmente em períodos de baixa umidade, quando o risco de propagação de focos de fogo tende a aumentar significativamente nas regiões produtoras do país.