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Programa de monitoramento da cigarrinha-do-milho gera impacto de R$ 321,7 milhões em Santa Catarina

Por: Redação Valores Agro
16 de outubro de 2026
Programa de monitoramento da cigarrinha-do-milho gera impacto de R$ 321,7 milhões em Santa Catarina

Impacto econômico expressivo na lavoura catarinense

O programa Monitora Milho SC, conduzido pela Epagri, registrou um impacto econômico estimado em R$ 321,7 milhões na agricultura de Santa Catarina durante o ano de 2025. O número foi divulgado no Balanço Social da instituição e reflete a redução de perdas provocadas pela cigarrinha-do-milho, pelos enfezamentos e por viroses que historicamente comprometem a produtividade das lavouras catarinenses.

Segundo o levantamento, a adoção das práticas de manejo recomendadas pelo programa resultou em um ganho líquido de R$ 1.582,55 por hectare cultivado. O cálculo considerou o preço médio do milho em R$ 1,15 por quilo, valor utilizado como referência para dimensionar o benefício financeiro proporcionado pelas estratégias de controle disseminadas entre os produtores rurais.

A ameaça da cigarrinha-do-milho

A cigarrinha-do-milho figura entre as principais pragas que afetam a cultura no estado, atuando como vetor de doenças que comprometem diretamente o desenvolvimento das plantas. Sem a adoção de medidas adequadas de manejo, a perda de produtividade nas lavouras pode chegar a 17,5%, patamar considerado significativo diante da relevância econômica da cultura para a agricultura catarinense.

Nas áreas em que as técnicas de controle recomendadas pelo programa foram efetivamente adotadas, os dados da safra 2024/25 mostraram um aumento de 21,2% na produção por hectare. O resultado reforça a importância do monitoramento contínuo como ferramenta de apoio à tomada de decisão no campo, especialmente diante da variação sazonal da pressão de pragas e doenças.

Origem do programa e avanço da praga

O Monitora Milho SC foi criado na safra 2021/22, período em que a cigarrinha-do-milho avançou de forma acelerada pelas lavouras catarinenses. Naquele momento, o impacto da praga provocou uma queda de 29% na produtividade média estadual, que recuou para aproximadamente 5.487 quilos por hectare, número que evidenciou a urgência de uma resposta técnica coordenada.

Diante desse cenário, a Epagri estruturou um programa voltado à ampliação da rede de monitoramento, reunindo informações sobre a presença da cigarrinha, os agentes causadores de doenças associadas, as condições climáticas registradas ao longo da safra e as épocas de plantio adotadas pelos produtores. A integração desses dados permitiu construir um panorama mais preciso sobre o comportamento da praga em diferentes regiões do estado.

Estrutura de monitoramento e geração de dados

Ao longo de cinco safras consecutivas, o programa acumulou um volume expressivo de informações técnicas. Foram analisadas quase 10 mil armadilhas distribuídas em áreas de cultivo, além do processamento de cerca de 10 mil amostras coletadas em diferentes etapas do ciclo produtivo do milho.

O trabalho laboratorial envolveu a realização de mais de 33 mil análises por PCR, metodologia utilizada para identificar com maior precisão a presença de agentes causadores de doenças nas lavouras monitoradas. Esse conjunto de dados forma a base técnica que sustenta as recomendações repassadas aos produtores ao longo das safras.

Informações gratuitas como ferramenta de manejo

As informações geradas pelo Monitora Milho SC são disponibilizadas gratuitamente pela Epagri, permitindo que produtores de diferentes portes tenham acesso a dados atualizados sobre a situação da cigarrinha-do-milho e das doenças associadas em suas regiões. Esse acesso facilita a definição do momento mais adequado para a adoção de estratégias de manejo, reduzindo o risco de perdas decorrentes de decisões tomadas sem embasamento técnico.

A disponibilização ampla dos dados também contribui para uniformizar práticas de controle entre produtores vizinhos, fator relevante no combate a uma praga que se dissemina com rapidez entre lavouras próximas. Quanto mais sincronizadas forem as ações de manejo em uma região, maior tende a ser a eficácia do controle populacional da cigarrinha.

Parcerias institucionais que sustentam a iniciativa

O programa conta com a colaboração de diversas instituições ligadas ao setor agropecuário catarinense. Entre os parceiros estão a Cidasc, a Udesc, a Ocesc, a Fetaesc, a Faesc, a CropLife Brasil e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, cada uma contribuindo com diferentes competências técnicas e operacionais.

Essa articulação entre entidades de pesquisa, defesa agropecuária, representação de produtores e setor privado tem sido apontada como um dos fatores que viabilizaram a continuidade do monitoramento ao longo de cinco safras seguidas. A integração permite dividir custos, compartilhar infraestrutura laboratorial e ampliar a capilaridade da coleta de dados em campo.

Perspectivas para a cultura do milho em Santa Catarina

Os resultados acumulados pelo Monitora Milho SC indicam que o monitoramento sistemático pode ser um instrumento duradouro de apoio à produção de milho no estado, especialmente diante da persistência da cigarrinha como ameaça recorrente. A manutenção da rede de armadilhas e das análises laboratoriais é apontada como elemento central para sustentar os ganhos de produtividade observados nas últimas safras.

A continuidade do programa também depende da manutenção das parcerias institucionais que o sustentam, bem como do engajamento dos produtores na adoção das práticas recomendadas. A experiência acumulada desde a safra 2021/22 tem servido de referência para discussões sobre o manejo integrado de pragas em outras regiões produtoras de milho do país.

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