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Safra de alho no Peru registra quebra superior a 40% e enfrenta pressão da concorrência chinesa

Por: Redação Valores Agro
16 de outubro de 2026
Safra de alho no Peru registra quebra superior a 40% e enfrenta pressão da concorrência chinesa

Quebra de safra supera expectativas iniciais

A agroexportadora peruana Sol de Olmos informou que sua safra de alho registrou uma queda de produção superior a 40%, resultado mais severo do que as projeções apresentadas meses antes pela própria empresa. O cenário reflete dificuldades enfrentadas ao longo de todo o ciclo produtivo, marcado por condições climáticas consideradas atípicas para a região produtora.

Segundo o gerente agrícola da companhia, Cesáreo Sifuentes, a ausência de um inverno com temperaturas típicas alterou o ciclo vegetativo das plantas, prejudicando o desenvolvimento adequado dos bulbos. Essa anomalia térmica teria comprometido tanto o volume quanto a qualidade do produto colhido nesta temporada.

A campanha de alho arequipeño da empresa teve início em meados de julho e atualmente está em fase avançada de colheita e comercialização. O momento é considerado estratégico, já que concentra parte significativa da receita anual obtida com a cultura.

Projeções anteriores já indicavam alerta climático

Ainda em junho, a companhia já havia sinalizado a possibilidade de uma queda expressiva na produção nacional de alho, estimando uma redução de até 40% frente aos patamares históricos, que giram em torno de 100 mil toneladas. Na época, a expectativa era de que o volume produzido ficasse entre 60 mil e 70 mil toneladas.

O então gerente comercial da empresa, Paulov Sifuentes Fernández, atribuía o problema a um aumento de aproximadamente três graus nas temperaturas médias da região, fator que já se refletia nas primeiras colheitas, realizadas com volume e qualidade inferiores ao esperado.

Passados os meses seguintes, no entanto, os números finais da safra superaram as estimativas mais pessimistas, evidenciando que o impacto climático foi mais profundo do que o inicialmente calculado pelos técnicos da companhia.

Qualidade do produto também foi comprometida

Dos cerca de 11 mil hectares cultivados pela empresa, apenas 6 mil conseguiram produzir alho dentro dos padrões de qualidade exigidos para exportação. As demais 5 mil hectares resultaram em produto classificado como de segunda ou terceira categoria, inadequado para os mercados internacionais mais exigentes.

Essa divisão no resultado da safra representa um desafio adicional para a companhia, que precisa direcionar parte significativa da produção para mercados internos ou de menor exigência técnica, reduzindo a margem obtida com a cultura nesta temporada.

Preços registram queda expressiva

Apesar da menor oferta provocada pela quebra de safra, fator que normalmente tenderia a sustentar os preços, a empresa relatou um cenário de valores baixos para o alho peruano. De acordo com Sifuentes, trata-se de um patamar de preços considerado atípico quando comparado aos últimos anos de comercialização.

A companhia aponta como principal explicação para esse descompasso a concorrência do alho chinês nos mercados de destino, especialmente Estados Unidos e México, que figuram entre os principais compradores do produto peruano.

Concorrência chinesa pressiona mercados de destino

Segundo a empresa, parte do volume de alho chinês comercializado nesses mercados ingressaria por meio de práticas irregulares, incluindo possível contrabando e o não pagamento integral de tarifas alfandegárias aplicáveis ao produto. A companhia também sustenta que a cadeia produtiva chinesa recebe subsídios governamentais ao longo de diferentes etapas, o que tornaria o produto mais competitivo em termos de preço final.

Essas afirmações refletem exclusivamente a avaliação da empresa peruana sobre o cenário competitivo e não foram submetidas a verificação independente, cabendo a devida ressalva quanto à origem dessas informações.

Sifuentes mencionou ainda que existe um volume considerável de alho armazenado em câmaras frigoríficas, tanto de origem nacional quanto estrangeira, que estaria sendo gradualmente liberado para comercialização, contribuindo para pressionar ainda mais os preços praticados no mercado.

Armazenamento prolonga disponibilidade do produto

De acordo com o executivo, o alho pode ser conservado por até um ano quando mantido sob condições adequadas de temperatura e controle ambiental. Para viabilizar esse período extenso de armazenagem, é comum o uso de inibidores de brotação, como a hidrazida maleica, substância aplicada para evitar que o bulbo brote durante o período de estocagem.

Essa capacidade de conservação prolongada é um fator relevante na dinâmica do mercado, já que permite regular a oferta ao longo do ano, mas também pode intensificar a concorrência entre lotes de diferentes origens e safras quando liberados simultaneamente para venda.

Empresa mantém diversificação de culturas

Além do alho, a Sol de Olmos atua na produção de limão tahiti, abacate e banana orgânica, tendo incorporado recentemente a uva passa ao seu portfólio de produtos. Diante do cenário desafiador enfrentado nesta temporada, a empresa optou por não expandir novas linhas de negócio no curto prazo.

Segundo Sifuentes, a estratégia da companhia para o período é de cautela, mantendo o foco nas culturas já consolidadas em sua operação até que as condições de mercado e clima apresentem maior estabilidade para eventuais novos investimentos.

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