Reputação constrói laços, mas também medo

Valorização de produtos com origem reconhecida
Em um mundo onde as pessoas valorizam mais do que a qualidade dos produtos, elas também valorizam a origem. Isso é especialmente verdadeiro para os produtos associados às indicações geográficas.
Na semana passada, durante o Connection Terroirs do Brasil, em Gramado (RS), Fabiano Machado da Rosa, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e advogado especializado em compliance e gestão de crises corporativas, defendeu a necessidade de que esses produtos estejam associados a princípios de ética, sustentabilidade e responsabilidade em toda a cadeia produtiva.
'Um café pode se transformar em uma experiência, um pão pode contar a história de uma família e de uma imigração, um vinho, um mel, um queijo carregam todo esse arcabouço cultural', disse Machado
Importância das boas práticas
Na avaliação do professor, o mesmo mecanismo que eleva a reputação de um produto também pode comprometer seu valor.
'A proibição do diamante de sangue não decorre da sua origem geográfica, mas de uma origem não limpa. Da ilegalidade, do crime, da exploração e da desumanidade', afirmou Machado
Responsabilidade sobre a cadeia produtiva
Para ele, as empresas precisam compreender que a responsabilidade sobre a cadeia produtiva não desaparece com a terceirização.
'Uma das estratégias de defesa das vinícolas foi dizer que o trabalho era terceirizado. Mas o terceirizado entrou por uma porta, e essa porta é a porta da contratação', ressaltou
Conclusão
Na avaliação do especialista, boa parte dos empreendimentos ligados às indicações geográficas nasce justamente da herança familiar e da preservação de tradições transmitidas entre gerações.