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Doce inusitado une cebola e chocolate em Santa Catarina

Por: Redação Valores Agro
14 de outubro de 2026
Doce inusitado une cebola e chocolate em Santa Catarina

Uma combinação que nasceu de um desafio gastronômico

Em uma cidade conhecida por sua forte tradição na produção de cebola, um produto inusitado passou a chamar atenção de moradores e visitantes. Trata-se de um bombom que leva a hortaliça em seu recheio, unindo dois ingredientes que, à primeira vista, parecem incompatíveis. A criação surgiu em Ituporanga, no interior de Santa Catarina, município reconhecido por lei como Capital Nacional da Cebola.

A ideia de transformar a hortaliça em doce partiu da engenheira de alimentos Adriana Corrêa Bittencourt, responsável por uma confeitaria especializada em chocolates finos na região. Segundo relato da própria chocolatier, o desafio de criar o bombom surgiu durante a primeira edição do Festival Gastronômico de Ituporanga, realizada em 2022, quando os participantes do evento foram convidados a desenvolver pratos e produtos que homenageassem os colonizadores responsáveis pelo desenvolvimento agrícola da região.

Diante da proposta, Adriana decidiu arriscar uma receita que fugisse do convencional, já que a cebola é o principal símbolo produtivo do município. A iniciativa, no entanto, não foi recebida com entusiasmo imediato por todos. A reação de estranhamento de parte do público inicial chegou a fazer com que a chocolatier cogitasse abandonar o projeto antes mesmo de finalizá-lo.

O processo de produção do recheio

Apesar das primeiras reações, a receita avançou e hoje segue um processo bem definido de produção. A variedade escolhida para compor o recheio é a cebola roxa, que apresenta maior concentração natural de açúcares e um sabor mais suave quando comparada à cebola branca, características consideradas fundamentais para equilibrar o doce.

Durante o preparo, a cebola passa por um processo de caramelização, etapa que ajuda a reduzir a acidez natural do vegetal e intensificar seu aspecto adocicado. Em seguida, ela é incorporada à ganache, mistura utilizada como base para o recheio de diversos tipos de bombons finos. Somente depois dessa etapa o produto recebe a cobertura final de chocolate, elaborada com 40% de cacau, antes de seguir para a embalagem.

O resultado é um bombom de sabor descrito como agridoce, que provoca reações bastante distintas entre quem experimenta pela primeira vez. Segundo Adriana, parte dos consumidores associa o sabor do recheio a um hambúrguer, enquanto outra parcela relata não pretender repetir a experiência. Entre o público infantil, é comum que o sabor seja confundido com o de manga, o que reforça a diversidade de percepções em torno do produto.

De curiosidade local a atrativo turístico

O que começou como uma proposta pontual para um festival gastronômico ganhou força ao longo do tempo e passou a integrar o catálogo fixo da confeitaria. Aos poucos, o bombom deixou de ser apenas uma curiosidade entre moradores de Ituporanga e passou a atrair consumidores de outras cidades catarinenses interessados em experimentar a combinação.

A loja Chocolatier-Chocolates Finos, responsável pela produção, tornou-se ponto de referência para quem deseja conhecer o processo de fabricação e provar o produto in loco. Segundo a chocolatier, o bombom já conquistou espaço próprio no mercado local, sem a necessidade de grandes estratégias promocionais para sustentar as vendas.

De acordo com Adriana, o item vem se consolidando desde o ano passado, somando mais de 500 unidades vendidas mensalmente. Esse número tende a crescer ainda mais em períodos nos quais a fábrica recebe visitas agendadas, já que a experiência de conhecer o processo produtivo desperta maior interesse pela compra do produto.

Cebola como símbolo da economia regional

A escolha da cebola como ingrediente central do bombom não é aleatória. Ituporanga carrega forte identidade agrícola ligada ao cultivo da hortaliça, responsável por grande parte da movimentação econômica do município. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade responde por cerca de 30% do abastecimento catarinense de cebola e por aproximadamente 10% da produção nacional do produto.

Esse protagonismo na produção agrícola foi um dos fatores que motivaram a chocolatier a transformar a hortaliça em matéria-prima de um doce, unindo tradição produtiva e inovação gastronômica. A iniciativa reforça a relação entre a identidade agrícola local e novas possibilidades de agregação de valor a partir de produtos já consolidados na região.

Reações do público e repercussão do produto

A diversidade de reações relatadas pelos consumidores tem contribuído para que o bombom se torne também um assunto recorrente entre quem visita a cidade. A curiosidade em torno da combinação pouco usual desperta interesse mesmo entre pessoas que, a princípio, demonstram certa resistência à proposta.

Segundo Adriana, essa mistura de reações positivas e negativas acaba funcionando como um diferencial do produto, já que reforça seu caráter inusitado e estimula boca a boca entre consumidores. A experiência de provar algo fora do padrão tradicional de bombons recheados tem se mostrado um atrativo adicional para quem visita a confeitaria.

O crescimento das vendas mensais indica que a aceitação do público tem se consolidado ao longo do tempo, mesmo diante das reações variadas relatadas inicialmente. A combinação entre tradição agrícola e inovação na confeitaria segue sendo apresentada como um exemplo de como produtos regionais podem ganhar novos usos e formatos comerciais.

Perspectivas para a produção do bombom

Com a consolidação das vendas e o aumento da procura por visitas à fábrica, a expectativa da chocolatier é que o bombom continue atraindo novos consumidores, tanto moradores da região quanto visitantes de outras localidades catarinenses. A proposta de unir cebola e chocolate segue sendo tratada como um exemplo de diversificação dentro do segmento de confeitaria artesanal.

A experiência também evidencia como produtos agrícolas tradicionais podem ser reinterpretados em novos formatos, ampliando possibilidades de agregação de valor para cadeias produtivas regionais. Em Ituporanga, a cebola, que historicamente sustenta parte significativa da economia local, passou a ocupar também um espaço simbólico dentro da gastronomia, reforçando a identidade do município além da produção agrícola convencional.

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