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Etanol de cana pode ter padrão de carbono aprovado pela IMO ainda em 2026

Por: Redação Valores Agro
30 de setembro de 2026
Etanol de cana pode ter padrão de carbono aprovado pela IMO ainda em 2026

Etanol brasileiro perto de reconhecimento internacional

A Organização Marítima Internacional, entidade responsável por regular as emissões do transporte marítimo global, avalia a possibilidade de aprovar ainda neste ano o padrão de intensidade de carbono do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A informação foi divulgada por um representante brasileiro que acompanha os assuntos do órgão, durante um evento do setor sucroenergético realizado recentemente.

A aprovação desse padrão é considerada um passo relevante para o setor, já que permitirá que companhias de navegação passem a contabilizar oficialmente o uso do biocombustível como parte de suas estratégias de redução de emissões de carbono. Atualmente, embarcações já podem utilizar combustíveis renováveis, desde que possuam capacidade técnica para isso, mas a contabilização formal dentro das metas de descarbonização da IMO depende do reconhecimento oficial da intensidade média de carbono de cada rota produtiva.

Vantagem competitiva do etanol de cana

Segundo o coordenador de temas ambientais da comissão brasileira que trata dos assuntos da IMO, o fato de o Brasil concentrar boa parte da produção mundial de etanol de cana-de-açúcar deve acelerar o processo de reconhecimento do biocombustível pelo órgão internacional. A concentração da oferta em um único país facilita a coleta e a análise dos dados necessários para a certificação.

Essa característica contrasta com a realidade do biodiesel de soja, cuja produção está mais pulverizada entre diferentes nações. Como a IMO exige informações que representem ao menos 80% da oferta mundial de determinado biocombustível para reconhecer sua intensidade de carbono, rotas mais concentradas geograficamente tendem a passar por um processo de validação mais ágil.

O precedente do etanol de milho

Um exemplo recente desse processo foi observado com o etanol de milho de segunda safra, cuja intensidade de carbono já foi reconhecida oficialmente pela IMO no mês de maio. O órgão estabeleceu o valor de 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente por megajoule de energia gerada para esse tipo de combustível.

Como a produção desse insumo é concentrada majoritariamente no Brasil, o processo de análise e aprovação transcorreu de forma relativamente rápida. Esse caso serve como referência para o setor sucroenergético, que aposta em dinâmica semelhante para o etanol de cana-de-açúcar, dada a posição de destaque do país na produção global do insumo.

Biodiesel de soja em fase de análise

Em relação ao biodiesel de soja, o representante brasileiro afirmou acreditar que a IMO também deverá reconhecer futuramente a intensidade de carbono do produto, embora tenha evitado estabelecer qualquer previsão de prazo para essa definição. O processo para essa matéria-prima segue etapas distintas, considerando a distribuição da produção entre diferentes países.

De acordo com as informações apresentadas, a IMO já aprovou os dados relativos à pegada de carbono do biodiesel de soja produzido no Brasil. Atualmente, Estados Unidos e Argentina, também relevantes produtores da oleaginosa, estão em processo de apresentação de suas próprias informações ao órgão internacional.

Somente após a avaliação dos dados desses três países a IMO deverá consolidar uma intensidade de carbono média global para o biodiesel de soja, o que tornaria possível sua utilização contabilizada dentro das metas de descarbonização do transporte marítimo internacional.

Brasil defende certificação ampla e neutra

O representante brasileiro na IMO destacou ainda que o país tem atuado ativamente junto ao órgão para que seja criada uma certificação própria capaz de considerar diferentes rotas de produção de biocombustíveis, sem privilegiar uma matéria-prima específica em detrimento de outra.

Essa postura busca garantir tratamento equilibrado entre as diversas fontes utilizadas na produção de combustíveis renováveis, evitando que critérios técnicos ou regulatórios favoreçam determinados países ou setores produtivos em detrimento de outros igualmente relevantes para a transição energética global.

Divergências com regulamentações europeias

A estratégia brasileira também é vista como uma resposta a posicionamentos adotados por outros blocos regulatórios, como o europeu. A União Europeia, em suas próprias normas de descarbonização, tem historicamente restringido o uso de biocombustíveis de primeira geração, sob o argumento de que essas rotas competiriam diretamente com a produção de alimentos.

Essa divergência de entendimento entre diferentes blocos regulatórios evidencia a complexidade do debate internacional sobre descarbonização no setor de transporte marítimo. Cada região tende a adotar critérios próprios para definir quais fontes energéticas podem ser consideradas sustentáveis, o que gera desafios para a harmonização de regras em nível global.

Perspectivas para o setor sucroenergético

Caso a IMO efetivamente reconheça o padrão de intensidade de carbono do etanol de cana-de-açúcar ainda neste ano, o setor sucroenergético brasileiro poderá se beneficiar de uma nova frente de demanda internacional, vinculada às exigências ambientais do transporte marítimo global.

O avanço das discussões dentro da IMO também reforça a relevância do Brasil como protagonista nas negociações internacionais sobre combustíveis renováveis, especialmente diante de sua posição de destaque na produção de etanol e biodiesel. O desfecho desse processo deve ser acompanhado de perto por produtores, exportadores e representantes do setor nos próximos meses.

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