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Etanol hidratado tem queda em São Paulo após dois meses de valorização

Por: Redação Valores Agro
29 de setembro de 2026
Etanol hidratado tem queda em São Paulo após dois meses de valorização

Preços recuam após período de alta

O mercado paulista de etanol hidratado registrou queda nas cotações após quase dois meses de trajetória ascendente. O movimento foi identificado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que acompanha diariamente as negociações do biocombustível no estado de São Paulo, principal referência para o setor sucroenergético no país.

De acordo com o levantamento, o recuo nos preços está diretamente relacionado a fatores financeiros enfrentados por algumas usinas. Diante da necessidade de reforçar o caixa, essas unidades passaram a intensificar a comercialização do produto estocado, o que abriu espaço nos tanques e ampliou a oferta disponível no mercado.

Chuvas limitam produção e moagem

Apesar do aumento pontual na oferta, as condições climáticas seguem impondo restrições à atividade das usinas. As chuvas registradas recentemente em boa parte das regiões produtoras do Centro-Sul dificultaram o avanço da colheita da cana-de-açúcar, reduzindo o volume de matéria-prima disponível para processamento.

Esse cenário de precipitações constantes tem provocado atrasos consecutivos na moagem, comprometendo também a logística de transporte da cana até as unidades industriais. O acúmulo de dias improdutivos gera preocupação entre produtores quanto ao desempenho da safra nos meses restantes do período de colheita.

Comportamento do mercado comprador

Do lado da demanda, distribuidoras de combustíveis adotaram uma postura mais cautelosa nas últimas semanas. Parte delas priorizou a retirada de volumes já adquiridos anteriormente, evitando novas compras enquanto aguardam uma definição mais clara sobre a direção dos preços no curto prazo.

Essa cautela, no entanto, não impediu que o volume de negócios superasse os patamares observados no ano anterior. Segundo o Cepea, a média semanal de etanol hidratado negociada em setembro deste ano ficou 57,7% acima do volume verificado no mesmo mês do ano passado, indicativo de um mercado mais aquecido em termos de liquidez.

Reflexos sobre o açúcar

O mesmo fator climático que atrasa a colheita da cana também impacta diretamente a produção de açúcar no Centro-Sul. Com menos matéria-prima disponível para processamento, a oferta do produto diminuiu, o que tem sustentado uma trajetória de alta nas cotações do açúcar cristal branco no mercado interno.

Diante dessa combinação de fatores, o Cepea revisou para baixo as projeções de produção de açúcar para a safra 2026/27 no Centro-Sul. A instituição avalia que a produção menor deve reduzir a disponibilidade do produto nos próximos meses, mantendo os preços em patamar elevado enquanto durar o cenário de oferta restrita.

Panorama para os próximos meses

Os pesquisadores do Cepea reforçam que a manutenção das chuvas nas regiões canavieiras pode aprofundar ainda mais os atrasos na colheita, criando um efeito cumulativo sobre a produção total da safra. Esse fator tende a manter tanto o etanol quanto o açúcar sob influência direta das condições climáticas nas próximas semanas.

Para o setor sucroenergético, o equilíbrio entre a necessidade de caixa das usinas, a disponibilidade de matéria-prima e o comportamento da demanda seguirá sendo determinante para a formação de preços. A combinação desses elementos deve continuar pautando as negociações tanto no mercado físico quanto nas expectativas para os contratos futuros de açúcar e etanol.

O mercado financeiro do setor também acompanha de perto os desdobramentos climáticos, já que qualquer nova frente de chuvas pode alterar rapidamente o ritmo da moagem e, consequentemente, a oferta dos dois principais produtos derivados da cana-de-açúcar processada no Centro-Sul do país.

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