O Desafio da Produtividade: Tecnologia para o Pequeno Produtor

O Brasil tem uma longa história de superação de desafios na produtividade da sua agropecuária. Desde os anos 1970, quando o país ainda era um importador de alimentos, ele venceu diversos obstáculos e hoje se tornou um grande exportador de commodities.
Agora, em vez de ocupar mais terras e abrir novas fronteiras agrícolas, a prioridade é criar políticas que permitam o acesso digital para os pequenos produtores. Essa foi a conclusão dos participantes do painel 'O Salto da Produtividade: O Brasil como Fronteira Tecnológica', durante o São Paulo Innovation Week (SPIW).
O evento, parceria do Estadão com a Base Eventos, reuniu especialistas na área de tecnologia e inovação. Participaram do debate Dirceu Júnior, sócio da PwC Agtech Innovation; Frederico Logemann, chefe de inovação e estratégia da SLC Agrícola; Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio; e Guilherme Bastos, coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV Agro.
'A tecnologia, com IA, traz os pequenos para o jogo', defendeu Guilherme Bastos. Ele explicou que existem dois grupos de pequenos produtores no país: 1 milhão que interage com o mercado e outros quase 4 milhões pobres que não podem ser tratados como produtores rurais formais.
'O desafio para os próximos 30 anos está em incorporar o pequeno produtor ao mercado', complementou Guilherme Bastos. Ele enfatizou a importância de dados atualizados da produção brasileira, pois há um censo agro que data de 2017.
Os especialistas concordaram que é preciso levar conectividade para o campo e destacaram a disparidade grande no Brasil em relação à acessibilidade à internet. Apenas 25% da área rural brasileira teria acesso a essa tecnologia.
'A IA generativa e uso dos dados, o Big Data, são o que muda o jogo', disse Dirceu Júnior. 'A agricultura deixa de ser reativa para olhar para a frente.'
Os palestrantes destacaram que as grandes empresas do setor já estão na fronteira tecnológica e citaram como exemplo a SLC Agrícola, com 830 mil hectares de produção. A empresa já investiu em diversas tecnologias para administrar tamanho espaço.
'A gente sempre teve ganho de escala e discutimos o limite máximo de espaço que pode ser administrado por um único gestor', disse Frederico Logemann, da SLC Agrícola. 'Há 20 anos, eram 20 mil hectares. Hoje já são 70 mil hectares.'
Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em diversas áreas. O SPIW é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap.