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El Niño muito forte reacende alerta sobre safra 2026/27 na América do Sul

Por: Redação Valores Agro
16 de outubro de 2026
El Niño muito forte reacende alerta sobre safra 2026/27 na América do Sul

Fenômeno climático exige atenção redobrada do setor produtivo

O avanço do El Niño sobre a América do Sul tem elevado o grau de atenção de produtores rurais e instituições técnicas em relação à safra 2026/27. Países como Argentina, Uruguai e Paraguai já acompanham de perto as condições meteorológicas, enquanto o Brasil também monitora os possíveis desdobramentos do fenômeno sobre lavouras, pastagens e a produção pecuária ao longo dos próximos meses.

Apesar de a maior disponibilidade hídrica poder beneficiar determinadas culturas, o excesso de chuva traz consigo riscos relevantes, como alagamentos, atrasos no cronograma de plantio e dificuldades de acesso às propriedades rurais. Dessa forma, os efeitos do El Niño variam conforme a região, a distribuição das precipitações e as características específicas de cada área produtiva, o que torna o cenário mais complexo do que uma simples previsão de mais ou menos chuva.

Diante dessa realidade, o acompanhamento constante das previsões meteorológicas e a preparação das propriedades para diferentes cenários passam a ser estratégias centrais para reduzir riscos. Tanto a escassez quanto o excesso de água podem comprometer o desenvolvimento das culturas, impactar a produtividade e elevar os custos de produção ao longo da temporada agrícola.

Argentina adota monitoramento técnico para orientar decisões no campo

Na Argentina, o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária acompanha de maneira sistemática as condições climáticas para subsidiar as decisões dos produtores rurais. A influência do El Niño sobre a agricultura argentina não é uniforme, variando de acordo com a região e o tipo de cultura, o que reforça a necessidade de atenção ao calendário agrícola e às condições específicas do solo em cada área.

Em regiões historicamente marcadas pela baixa disponibilidade hídrica, as chuvas associadas ao fenômeno podem favorecer o desenvolvimento das lavouras de verão, como soja e milho. Por outro lado, quando o volume de precipitação ultrapassa a capacidade de drenagem do terreno, os produtores podem enfrentar alagamentos, atrasos nas operações de campo e dificuldades para a utilização de máquinas agrícolas nas áreas cultivadas.

O excesso de umidade também impõe cuidados adicionais relacionados ao armazenamento de grãos e ao manejo dos animais, exigindo que o planejamento produtivo leve em conta não apenas o volume de chuva previsto, mas também a capacidade de escoamento da água e a infraestrutura disponível nas propriedades rurais.

Para apoiar esse processo, o INTA e o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas desenvolveram a ferramenta AgroENSO, que reúne dados históricos de produtividade para avaliar a relação entre as diferentes fases do fenômeno climático e o desempenho de culturas como soja, milho, trigo, cevada e girassol. As informações geradas por essa ferramenta auxiliam no planejamento agrícola, embora as projeções climáticas, por si só, não determinem o resultado final da safra.

Uruguai projeta chuvas acima da média no último trimestre do ano

No Uruguai, a previsão sazonal divulgada pelo Instituto Uruguaio de Meteorologia aponta maior probabilidade de chuvas acima da média entre outubro e dezembro de 2026. O órgão dividiu o território nacional em duas grandes áreas para essa análise, com diferentes níveis de probabilidade associados a cada uma delas.

Nas regiões norte, nordeste e em partes do centro e do leste do país, a probabilidade de precipitação acima da média atinge 60%. Já nas demais áreas do território uruguaio, esse percentual cai para 40%. Vale destacar que essas estimativas correspondem a uma previsão sazonal e não garantem, de forma definitiva, que as chuvas ficarão acima da média em todas as localidades abrangidas.

Ainda assim, o cenário projetado exige atenção redobrada do setor agropecuário uruguaio. Em situações de grande volume de precipitação, rios e arroios tendem a subir, enquanto estradas rurais e acessos às propriedades podem enfrentar dificuldades operacionais. O solo encharcado, por sua vez, pode atrasar os trabalhos agrícolas e comprometer o transporte da produção até os pontos de escoamento.

Nesse contexto, o acompanhamento constante dos boletins meteorológicos auxilia os produtores uruguaios a organizar suas operações, avaliar a drenagem das áreas cultivadas e planejar com antecedência o manejo dos rebanhos frente às possíveis variações climáticas.

Paraguai monitora bacias hidrográficas e condições atmosféricas

No Paraguai, o acompanhamento do El Niño também ocupa papel relevante no planejamento agrícola e pecuário. A Direção de Meteorologia e Hidrologia do país divulga periodicamente informações sobre as condições atmosféricas, os volumes de precipitação e a situação das bacias hidrográficas nacionais.

Esses dados são fundamentais para avaliar as condições ideais para o plantio, o manejo adequado do solo e o transporte da produção agrícola. Além disso, o monitoramento contínuo permite identificar mudanças no comportamento das chuvas e antecipar possíveis situações de risco antes que se tornem críticas.

Até o momento, no entanto, as informações disponíveis não permitem afirmar que o país enfrenta perdas agrícolas generalizadas provocadas pelo fenômeno climático. O cenário paraguaio, portanto, exige acompanhamento constante, sem que se antecipem prejuízos ainda não comprovados pelos dados oficiais.

Brasil projeta El Niño de intensidade muito forte até o início de 2027

No território brasileiro, o El Niño também exige atenção especial devido ao seu potencial de alterar significativamente a distribuição das chuvas entre as diferentes regiões do país. O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Instituto Nacional de Meteorologia e outras instituições federais, trouxe projeções relevantes para o setor produtivo.

De acordo com o documento, há 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre compreendido entre outubro e dezembro de 2026. A projeção ainda indica que o El Niño pode persistir, no mínimo, até o primeiro trimestre de 2027, o que amplia a janela de atenção para produtores de diferentes regiões do país.

Para o último trimestre do ano, a previsão sazonal aponta maior probabilidade de chuvas acima da média na região Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. Já em grande parte do Norte e em áreas específicas do Nordeste e do Centro-Oeste, a tendência indicada é de precipitações abaixo da média histórica. As temperaturas, por sua vez, devem permanecer acima do normal em grande parte do território nacional.

Esse cenário diversificado exige planejamento regionalizado por parte dos produtores brasileiros. No Sul do país, o excesso de chuva pode elevar o risco de cheias e dificultar as operações agrícolas cotidianas. Já nas áreas com tendência de precipitações abaixo da média, a disponibilidade de água pode se tornar motivo de preocupação tanto para lavouras quanto para pastagens destinadas à pecuária.

Planejamento climático torna-se estratégia essencial para a safra

Diante desse panorama, produtores de toda a América do Sul precisam acompanhar as previsões locais, avaliar constantemente a umidade do solo e considerar o calendário específico de cada cultura. Medidas de conservação do solo e manejo adequado da água podem contribuir significativamente para reduzir a exposição a condições climáticas adversas ao longo da safra.

O avanço do El Niño reforça, assim, a importância do planejamento climático tanto na agricultura quanto na pecuária. Para enfrentar possíveis mudanças no regime de chuvas, produtores precisam avaliar a drenagem das propriedades, as condições do solo, a estrutura de armazenamento disponível e a adequação das áreas destinadas aos rebanhos.

Acompanhar os alertas meteorológicos também permite antecipar dificuldades relacionadas ao transporte da produção e ajustar o cronograma das operações agrícolas conforme a evolução do cenário climático. Essas medidas não eliminam os riscos envolvidos, mas podem reduzir consideravelmente os prejuízos quando ocorrem eventos climáticos extremos.

É importante ressaltar que o fenômeno não provoca, necessariamente, perdas em todas as regiões afetadas. Em algumas áreas, a maior disponibilidade de água pode favorecer o desenvolvimento das culturas, enquanto em outras, tanto chuvas intensas quanto períodos de estiagem podem comprometer a produtividade e elevar os custos de produção.

Por isso, a evolução do clima e as condições regionais específicas serão determinantes para os resultados da safra 2026/27 em toda a América do Sul. O acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas, aliado à adoção de medidas preventivas, será fundamental para que produtores rurais possam tomar decisões mais seguras ao longo de toda a temporada produtiva.

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