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BTG Pactual avalia impacto do fim da escala 6x1 sobre empresas do agronegócio

Por: Redação Valores Agro
16 de outubro de 2026
BTG Pactual avalia impacto do fim da escala 6x1 sobre empresas do agronegócio

Mudança na jornada de trabalho preocupa setor produtivo

Uma possível alteração na legislação trabalhista brasileira, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com manutenção de dois dias de descanso remunerado e sem corte nos salários, tem sido analisada com atenção pelo mercado financeiro. O BTG Pactual elaborou um estudo detalhado sobre os possíveis efeitos dessa mudança nas empresas ligadas ao agronegócio, setor que historicamente depende de grande contingente de mão de obra em diversas etapas da cadeia produtiva.

Segundo a análise do banco, o impacto da medida não será uniforme entre os diferentes segmentos do agronegócio. Fatores como intensidade do uso de mão de obra, grau de automação dos processos produtivos e capacidade de repassar custos adicionais aos preços finais serão determinantes para definir quais empresas sofrerão maior ou menor pressão sobre suas margens operacionais.

Setor sucroenergético entre os mais vulneráveis

De acordo com o levantamento do BTG Pactual, os produtores de açúcar e etanol figuram entre os segmentos mais suscetíveis aos efeitos da mudança na jornada de trabalho. A avaliação considera que essas empresas mantêm operações contínuas durante todo o período de safra, o que exige planejamento rigoroso de turnos e escalas de trabalhadores.

Outro fator que contribui para essa maior vulnerabilidade é a natureza das commodities produzidas pelo setor. Como açúcar e etanol têm seus preços definidos amplamente pelo mercado internacional, as usinas enfrentam dificuldades para repassar aumentos de custos operacionais diretamente aos valores praticados na comercialização desses produtos.

Essa combinação entre dependência intensiva de mão de obra e baixa flexibilidade para ajustar preços coloca o segmento sucroenergético em posição mais delicada diante de eventuais mudanças regulatórias que aumentem os custos trabalhistas das companhias.

Frigoríficos também devem sentir efeitos da mudança

O setor frigorífico aparece como outro segmento com sensibilidade relevante às alterações propostas na jornada semanal. O banco destaca que a MBRF, com forte atuação nos mercados de aves e suínos, tende a ser uma das companhias mais impactadas dentro desse recorte.

A justificativa está relacionada à natureza dessas atividades produtivas, que demandam elevado número de trabalhadores em linhas de abate e processamento. Operações desse tipo costumam ter menor margem para automação completa em comparação a outros processos industriais, o que amplia a exposição da empresa a custos trabalhistas mais altos.

Em contrapartida, a JBS deve apresentar impacto proporcionalmente menor segundo a análise do BTG. A diversificação geográfica da companhia, com operações relevantes fora do território brasileiro, contribui para diluir os efeitos de uma eventual mudança legislativa restrita ao mercado nacional.

Produtores de grãos em posição mais confortável

Diferentemente dos segmentos industriais mencionados anteriormente, o estudo do BTG Pactual aponta que produtores de grãos e empresas de serviços agrícolas devem sentir menos os efeitos da possível mudança na jornada de trabalho. Isso ocorre porque esses negócios apresentam menor peso da folha de pagamento em relação à receita total gerada.

Além disso, as atividades ligadas à produção agrícola não dependem de operações ininterruptas da mesma forma que ocorre em usinas e frigoríficos. A sazonalidade das lavouras e a menor necessidade de turnos contínuos tornam esse segmento menos exposto a aumentos expressivos de custos trabalhistas decorrentes da redução da jornada semanal.

Empresas de alimentos básicos também podem sentir pressão

Outro ponto destacado pelo banco diz respeito às companhias que atuam no segmento de alimentos básicos. M.Dias Branco e Camil foram citadas como empresas que podem enfrentar pressão adicional sobre suas margens operacionais caso a proposta de redução de jornada avance no Congresso Nacional.

Segundo os analistas responsáveis pelo estudo, o impacto tende a ser especialmente significativo sobre o lucro líquido dessas companhias, considerando a estrutura de custos vinculada à produção e distribuição de itens como massas, biscoitos, arroz e feijão, produtos amplamente consumidos pela população brasileira.

Ambev desponta como empresa mais preparada

Em contraste com os segmentos mais vulneráveis, a Ambev foi apontada pelo BTG Pactual como uma das companhias com maior capacidade de absorver eventuais aumentos de custos trabalhistas decorrentes da mudança na jornada de trabalho. A avaliação do banco indica que a cervejaria poderia compensar esse impacto com um reajuste de preços próximo a 0,5%.

Essa capacidade de ajuste está relacionada às margens operacionais mais robustas da empresa e ao maior poder de precificação que a companhia exerce em seu mercado de atuação. Esses fatores conferem à Ambev maior flexibilidade para repassar custos adicionais sem comprometer significativamente sua rentabilidade.

Diversidade de impactos reflete características de cada setor

A análise do BTG Pactual reforça que, embora a proposta de redução da jornada semanal tenha potencial para elevar custos operacionais em diferentes elos da cadeia do agronegócio, os efeitos variam conforme características específicas de cada setor. Intensidade de mão de obra, grau de automação dos processos produtivos e capacidade de repassar preços ao consumidor final são elementos centrais para entender essas diferenças.

Diante desse cenário, o mercado financeiro segue acompanhando a tramitação da proposta e seus possíveis desdobramentos sobre a rentabilidade das empresas listadas em bolsa que atuam no agronegócio brasileiro, setor que representa parcela expressiva da economia nacional e que possui particularidades produtivas relevantes para a análise de impactos regulatórios dessa natureza.

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