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FMI revisa projeções e aponta riscos da guerra no Oriente Médio e da expansão da inteligência artificial

Por: Redação Valores Agro
13 de outubro de 2026
FMI revisa projeções e aponta riscos da guerra no Oriente Médio e da expansão da inteligência artificial

Perspectivas globais em revisão

O Fundo Monetário Internacional apresentou, durante as reuniões anuais realizadas em Bangkok, na Tailândia, um novo relatório de perspectivas econômicas mundiais que reduz a estimativa de crescimento global para este ano. Segundo o documento, a expansão da economia mundial deve ficar em 3,1%, abaixo do desempenho registrado no ano anterior, que havia sido de 3,5%.

Para 2027, no entanto, o organismo projeta uma recuperação moderada, com crescimento estimado em 3,4%, número superior ao que havia sido indicado em abril deste ano, quando a previsão era de 3,2%. A revisão reflete um cenário de maior incerteza, marcado por tensões geopolíticas e por transformações tecnológicas que têm impactado diretamente o comportamento da demanda e do investimento global.

Duas forças em direções opostas

De acordo com a diretora do Departamento de Pesquisa do FMI, duas forças principais estão moldando as perspectivas atuais. A primeira delas é o aumento nos preços de energia e de outras matérias-primas, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, que tem gerado instabilidade nos mercados de petróleo e gás.

A segunda força decorre da expansão acelerada da inteligência artificial, que tem impulsionado a demanda em diversos setores, beneficiando o comércio internacional e atraindo volumes expressivos de investimento. Segundo a diretora, essas duas dinâmicas empurram a atividade econômica em sentidos opostos, mas convergem ao pressionar os preços globais para cima.

O relatório projeta que a inflação mundial deve subir 0,6 ponto percentual em relação ao registrado em 2025, alcançando 4,7% neste ano. Para 2027, a estimativa é de recuo para 4,1%, ainda assim em patamar considerado elevado para os padrões históricos recentes.

Custos de endeudamiento e riscos fiscais

O FMI também chamou atenção para o aumento nos custos de endividamento em diversas economias, justamente em um momento no qual os níveis de dívida pública já se encontram elevados. Essa combinação tem ampliado as preocupações com a sustentabilidade fiscal em várias regiões do mundo.

Segundo o organismo, as perspectivas variam de forma significativa entre países, de acordo com o grau de exposição de cada economia aos preços das commodities, à atividade ligada à inteligência artificial e aos custos de financiamento externo. Exportadores de energia que não integram a região em conflito, assim como países que se beneficiam diretamente da expansão da IA, tendem a apresentar resultados mais favoráveis.

América Latina e o Caribe

Para a região da América Latina e do Caribe, o FMI projeta crescimento de 2,3% em 2026 e de 2,5% em 2027, número 0,2 ponto percentual inferior ao que havia sido estimado seis meses atrás. A inflação regional deve atingir 4,2% neste ano e recuar levemente para 4,1% no próximo período.

A recomendação do organismo para os países da região é manter atenção redobrada à trajetória inflacionária, evitando que o choque atual nos preços de energia e matérias-primas gere efeitos de segunda ordem, tanto em economias exportadoras quanto em importadoras de commodities.

O caso colombiano

Em relação à Colômbia, o FMI estima crescimento do Produto Interno Bruto de 2,2% em 2026, patamar 0,4 ponto percentual abaixo do desempenho verificado em 2025 e 0,1 ponto inferior ao que havia sido projetado em abril. Para 2027, a expansão da economia colombiana seria de 2,3%, também abaixo da estimativa anterior.

O organismo revisou para cima as projeções de inflação do país, indicando 6% para 2026 e 5,7% para 2027, números superiores aos 5,9% e 5,2% estimados seis meses antes. A inflação atual na Colômbia está em patamar bem superior à meta estabelecida pelo banco central local, fixada em 3%.

Dados recentes mostram que a variação anual do índice de preços ao consumidor colombiano superou os 6% em meses recentes, com expectativa de analistas de que o indicador feche o ano em patamar ainda mais elevado. Diante desse cenário, a autoridade monetária do país elevou recentemente sua taxa básica de juros para 12,25%, buscando conter as pressões inflacionárias.

Petróleo, terremoto e El Niño pressionam preços

Autoridades econômicas locais apontaram que um dos principais fatores por trás da alta inflacionária é justamente o petróleo, que durante semanas permaneceu acima de cem dólares por barril em meio ao conflito no Oriente Médio. O impacto não se restringe aos combustíveis: o aumento no preço do petróleo afeta uma ampla cadeia de bens, incluindo fibras sintéticas utilizadas na indústria têxtil e calçadista, embalagens, detergentes, tintas e até produtos de higiene pessoal.

O setor agrícola também sente os efeitos indiretos da alta do petróleo, já que o insumo influencia diretamente o custo dos fertilizantes, essenciais tanto para a produção agropecuária quanto para a atividade industrial. Além do choque energético, um terremoto que atingiu recentemente regiões produtoras e logisticamente estratégicas do país também contribuiu para pressionar os preços, especialmente pelos impactos sobre o transporte e a distribuição de mercadorias.

O fenômeno climático conhecido como El Niño é outro elemento citado como fator de pressão sobre a produção agrícola, somando-se à elevação das taxas de juros nos Estados Unidos, que tende a encarecer o custo de capital para economias emergentes.

Limites à resiliência global

O relatório do FMI identifica três fatores principais que podem comprometer a capacidade de resistência da economia mundial observada até o momento. O primeiro é uma eventual interrupção prolongada na produção e no transporte de energia no Oriente Médio, o que elevaria ainda mais os preços do petróleo, do gás e de derivados como gasolina e diesel.

Até agora, mecanismos como a reorientação das rotas de suprimento energético, o aumento da produção por parte de outros países e a substituição por fontes alternativas têm ajudado a conter os efeitos mais severos do conflito. Segundo o organismo, sem esses mecanismos de ajuste, o crescimento global neste ano seria de apenas 2,5%, bem abaixo da projeção atual de 3,1%. A preocupação é que essas válvulas de escape estejam se aproximando de seu limite, justamente em um momento em que fenômenos climáticos extremos podem intensificar ainda mais as pressões sobre os preços.

O segundo fator de risco está relacionado à própria expansão da inteligência artificial, hoje um dos principais motores de investimento e crescimento econômico. Como as cadeias de suprimento ligadas à IA estão concentradas em um número reduzido de países, setores e empresas, o FMI alerta para a possibilidade de gargalos produtivos, além do risco de uma correção abrupta nas valorizações de mercado e de ameaças relacionadas à cibersegurança, fatores que poderiam frear o crescimento e ampliar riscos à estabilidade financeira global.

O terceiro limite apontado pelo organismo é de natureza fiscal, tema especialmente sensível para países como a Colômbia. Segundo o FMI, custos de endividamento mais altos podem deslocar gastos essenciais e reduzir a margem de manobra dos governos para enfrentar novos choques econômicos. A recomendação é que a política fiscal seja conduzida de forma prudente, de modo a conter pressões de demanda em um contexto de riscos inflacionários elevados.

O organismo defende que países com níveis elevados de dívida e déficit público iniciem processos de consolidação fiscal, garantindo trajetória descendente tanto para os déficits quanto para o endividamento no médio prazo. Qualquer medida de apoio destinada a amenizar o impacto dos preços mais altos, segundo o FMI, deve ter caráter temporário e focalizado, enquanto a política monetária precisa permanecer suficientemente restritiva para assegurar o retorno da inflação às metas estabelecidas em cada país.

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