MBRF avalia emissão de títulos para reorganizar dívida após fusão entre Marfrig e BRF

Primeira captação após a fusão
A MBRF, companhia resultante da combinação entre Marfrig e BRF, iniciou uma série de reuniões com investidores de renda fixa para discutir uma possível emissão de títulos de dívida no mercado internacional. Caso se concretize, a operação será a primeira captação externa da empresa desde que a Marfrig assumiu o controle da BRF no ano passado, consolidando uma das maiores operações do setor de proteína animal do país.
Segundo pessoa a par do assunto que conversou com a Bloomberg News, as tratativas com investidores começaram na última segunda-feira e fazem parte de um movimento mais amplo de reorganização financeira da companhia após a fusão. A fonte pediu para não ser identificada por não estar autorizada a comentar publicamente sobre o tema.
Estrutura da possível emissão
De acordo com as informações apuradas, as conversas com o mercado podem resultar em duas alternativas de estruturação para os novos títulos. A primeira envolveria papéis com prazo pouco superior a sete anos, com cláusula de proteção contra resgate antecipado nos primeiros três anos de vigência.
A segunda opção contemplaria títulos com vencimento um pouco acima de dez anos, também com período de proteção contra recompra, neste caso de cinco anos. A definição entre as duas alternativas, ou mesmo a combinação delas, ainda depende do apetite dos investidores durante as rodadas de apresentação da operação.
Classificação de risco atribuída pelas agências
Tanto a S&P Global Ratings quanto a Fitch Ratings atribuíram, na segunda-feira, classificação BB+ para uma eventual emissão de títulos da MBRF. A nota está um degrau abaixo do grau de investimento, patamar que costuma ser observado de perto por investidores institucionais na hora de definir alocações em renda fixa corporativa emergente.
A avaliação das agências de classificação de risco é um dos elementos centrais para a precificação de operações desse tipo, já que influencia diretamente o custo de captação que a companhia terá de arcar junto aos investidores internacionais.
Recompra de títulos com vencimento em 2029
Paralelamente às conversas sobre a nova emissão, a MBRF anunciou uma oferta para recomprar US$ 467,5 milhões em títulos com vencimento em 2029, emitidos por uma de suas unidades. A proposta de recompra tem prazo de validade até o dia 2 de outubro, segundo as informações divulgadas.
Esse tipo de movimento costuma ser utilizado por companhias que buscam alongar o perfil de sua dívida, substituindo obrigações de prazo mais curto por instrumentos com vencimentos mais distantes, o que reduz a pressão sobre o caixa no curto e médio prazo.
Bancos coordenadores da operação
A potencial emissão de títulos está sendo coordenada por um grupo de instituições financeiras de peso internacional. Segundo a pessoa ouvida pela Bloomberg News, Bradesco, BTG Pactual, HSBC, JPMorgan e Santander atuam como coordenadores globais da operação.
A presença de bancos com forte atuação em mercados de capitais internacionais reforça o caráter estratégico da captação, que deve ser voltada principalmente a investidores estrangeiros especializados em dívida corporativa de empresas emergentes ligadas ao agronegócio e à indústria de alimentos.
Contexto da fusão entre Marfrig e BRF
A união entre Marfrig e BRF criou uma das maiores companhias de proteína animal do mundo, reunindo operações que vão da produção de carne bovina à fabricação de alimentos processados à base de frango e suínos. A integração das duas empresas trouxe consigo desafios relacionados à consolidação de estruturas financeiras, operacionais e de governança.
Nesse cenário, a gestão do endividamento passa a ser um dos pontos centrais de atenção do mercado, já que a combinação de dívidas herdadas de ambas as companhias exige um planejamento cuidadoso para equilibrar prazos, custos e condições de pagamento.
Relevância da operação para o setor
Uma eventual emissão de títulos bem-sucedida pode servir como referência para outras companhias do setor de alimentos e agronegócio que também buscam acesso ao mercado internacional de dívida. A avaliação de risco atribuída pelas agências, somada à demanda dos investidores durante as reuniões, funcionará como termômetro para a percepção do mercado sobre a solidez financeira da nova companhia formada pela fusão.
O desfecho das conversas com investidores, incluindo a definição final sobre prazos e volume captado, deve ser acompanhado de perto por analistas de mercado e por outras empresas do setor que monitoram o custo de capital disponível para companhias brasileiras de grande porte no cenário internacional.