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Abertura do mercado livre para baixa tensão avança, mas PMEs precisam de gestão especializada

Por: Redação Valores Agro
22 de junho de 2026
Abertura do mercado livre para baixa tensão avança, mas PMEs precisam de gestão especializada

Abertura do mercado livre para baixa tensão avança, mas PMEs precisam de gestão especializada

A abertura do Ambiente de Contratação Livre (ACL) para os consumidores de baixa tensão é uma das maiores expansões já vistas no mercado de energia elétrica brasileiro. A mudança estabelecida pela Medida Provisória 1.300/2025 abre a possibilidade de contratar energia fora do ambiente regulado, mas especialistas alertam que a oportunidade vem acompanhada de riscos que podem penalizar justamente quem migrar sem o suporte adequado.

A principal preocupação é a exposição à volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), o indexador que regula as operações de curto prazo no mercado livre. Episódios de alta brusca nesse indicador já levaram comercializadoras de grande porte a enfrentar sérias dificuldades financeiras nos últimos anos.

Para empresas de menor porte, que têm menos capacidade de absorver choques de preço e menor familiaridade com os mecanismos de formação do mercado, o risco tende a ser ainda mais agudo. 'A abertura para a baixa tensão é uma oportunidade real, mas ela precisa vir acompanhada de gestão. Pequenas e médias empresas que migrarem sem entender os riscos contidos nos contratos e sem monitoramento contínuo das condições de mercado podem acabar pagando mais do que pagariam no ambiente regulado', afirma Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia.

O mercado livre funciona com uma lógica distinta do ambiente regulado. No ACL, o consumidor negocia diretamente as condições de fornecimento com comercializadoras ou geradores, assumindo também a responsabilidade por decisões que, no ambiente cativo, ficavam a cargo da distribuidora.

Riscos do mercado livre

Os riscos do mercado livre envolvem não apenas a volatilidade do PLD, mas também a estruturação contratual. No mercado livre, contratos mal calibrados em relação ao perfil de consumo real da empresa podem gerar exposição ao mercado de curto prazo, onde o PLD é definido semanalmente pela CCEE com base na disponibilidade hídrica e na oferta de energia.

Além disso, a escolha do parceiro contratual também integra o conjunto de riscos que o consumidor livre precisa gerenciar. 'Preço não pode ser o único critério de decisão. O consumidor precisa avaliar a estrutura financeira, a capacidade de gestão de risco e a solidez operacional de quem está do outro lado do contrato', ressalta Sozzi.

Consequências da migração inadequada

A migração para o mercado livre envolve obrigações operacionais que muitas PMEs desconhecem. Entre elas estão o registro na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o acompanhamento das medições de consumo, o cumprimento de prazos contratuais e, para o segmento de baixa tensão, a obrigatoriedade de representação por um comercializador varejista, conforme previsto na MP 1.300/2025.

Preparo estratégico

'O mercado livre continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para a competitividade das empresas. O que muda com a expansão para a baixa tensão é que o universo de potenciais beneficiários cresce muito, e com ele a responsabilidade de garantir que essa transição seja feita de forma estruturada', conclui Sozzi.

Cronograma regulatório

Segundo a MP 1.300/2025, a migração para o mercado livre está prevista para começar em agosto de 2026 e os consumidores de baixa tensão seguirão em etapa posterior.

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