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Argentina projeta recorde histórico de exportações para 2026, aponta entidade do setor

Por: Redação Valores Agro
29 de setembro de 2026
Argentina projeta recorde histórico de exportações para 2026, aponta entidade do setor

Projeção de recorde nas vendas externas

A Argentina pode fechar o ano de 2026 com o maior volume de exportações já registrado em sua história, segundo estimativas da Câmara de Exportadores da República Argentina (CERA). O presidente da entidade, Fernando Landa, afirmou que as vendas externas do país devem superar a marca de US$ 100 bilhões, com projeção específica em torno de US$ 113 bilhões.

Segundo Landa, esse patamar representaria um recorde inédito para o comércio exterior argentino, superando todos os ciclos anteriores de exportação registrados pelo país. A estimativa foi apresentada como resultado de um processo mais amplo de maturação de investimentos em diferentes setores da economia, e não apenas de fatores conjunturais de preços internacionais.

Petróleo como principal motor do crescimento

De acordo com o dirigente da CERA, o setor petrolífero desponta como o principal responsável pelo salto projetado nas exportações argentinas. Ele destacou que o país começa a colher os resultados de investimentos realizados anteriormente na cadeia de petróleo e gás, cujos efeitos sobre a produção e os embarques passam a se tornar mais visíveis a partir de agora.

Landa explicou que o aumento nas exportações do setor energético está relacionado principalmente ao crescimento em volume, e não a uma alta expressiva de preços internacionais. Essa distinção é relevante porque indica que o incremento nas vendas externas tende a ter caráter mais estrutural, associado à capacidade produtiva instalada, do que um movimento pontual ligado a oscilações de mercado.

Diversificação da pauta exportadora

Além do petróleo, o dirigente citou outros setores que também contribuem para o desempenho projetado, como ouro, lítio, milho e trigo. A menção a esses produtos reforça a ideia de que o crescimento das exportações argentinas não depende de um único setor, mas de uma combinação de atividades que vão da mineração à produção agrícola.

Landa ressaltou que esse movimento não representa um afastamento do agronegócio como pilar da economia argentina, mas sim uma ampliação do número de setores capazes de gerar divisas para o país. Segundo ele, a diversificação da pauta exportadora funciona como um reforço em relação aos chamados temas cíclicos, que historicamente deixavam a economia argentina mais exposta a oscilações de preços de commodities específicas.

Ainda de acordo com o presidente da CERA, o país passa a contar com mais vetores de geração de receita externa, o que tende a reduzir a dependência histórica de poucos produtos. Ele defendeu que esse processo deve continuar avançando, com a incorporação de novos setores à base exportadora nacional.

Entraves regulatórios e cambiais

Apesar do cenário considerado positivo para as exportações, Landa apontou uma série de obstáculos que ainda afetam o desempenho do setor exportador argentino. Entre eles, mencionou a falta de um cronograma de desoneração tributária para setores como pesca, alumínio e aço, que permanecem sem previsão clara de redução de encargos que incidem sobre suas exportações.

O dirigente classificou essa situação como um ponto pendente e de difícil justificativa, uma vez que outros setores da economia já contam com regras mais definidas em relação à carga tributária incidente sobre as vendas externas. Para ele, a ausência de um plano de desgravação específico para essas áreas representa um entrave adicional em um momento de expansão das exportações.

Restrições cambiais ainda em vigor

Landa também criticou a persistência de restrições cambiais que, segundo ele, não encontram equivalente em outros países. Ele afirmou que o setor exportador argentino continua submetido a um regime de controle cambial que não existe em nível internacional, o que impõe limitações adicionais às operações de comércio exterior.

Em sua avaliação, essa condição tem origem em uma legislação antiga, criada na década de 1970, que ainda regula parte das operações cambiais do setor exportador argentino. Segundo o dirigente, a manutenção dessas regras cria um ambiente de insegurança jurídica que acaba funcionando como um freio às decisões de investimento das empresas exportadoras.

Landa ponderou que esse tipo de regulação cambial, ao impor restrições operacionais e riscos legais aos exportadores, contribui para desestimular novos aportes de capital no setor, mesmo em um contexto de crescimento das vendas externas. Para ele, a manutenção de regras consideradas defasadas compromete parte do potencial de expansão que o país poderia alcançar.

Atrasos na devolução de tributos

Outro ponto destacado pelo presidente da CERA diz respeito aos atrasos na devolução de valores referentes a impostos e reintegros fiscais devidos aos exportadores. Segundo ele, esses atrasos têm se mostrado significativos e afetam diretamente o fluxo de caixa das empresas que atuam no comércio exterior argentino.

A demora na restituição de créditos tributários, como os relacionados ao imposto sobre valor agregado, tende a gerar impacto financeiro sobre companhias que dependem desses recursos para manter sua capacidade operacional e de investimento. Landa apontou essa questão como um dos principais entraves burocráticos que ainda precisam ser equacionados pelo governo argentino.

Perspectivas para o setor exportador

O conjunto de declarações de Fernando Landa traça um cenário de otimismo moderado para as exportações argentinas em 2026, sustentado principalmente pelo amadurecimento de investimentos em energia, mineração e agricultura. Ao mesmo tempo, o dirigente reforça que a concretização plena desse potencial depende da resolução de entraves regulatórios, tributários e cambiais que ainda pesam sobre o setor.

A combinação entre expansão da produção física e persistência de obstáculos institucionais configura um quadro no qual o crescimento das exportações argentinas aparece condicionado tanto a fatores produtivos quanto a decisões de política econômica que ainda estão em aberto. O acompanhamento desses temas deve seguir relevante para o comércio exterior do país nos próximos meses.

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