exportação

China amplia cortes tarifários sobre produtos agrícolas dos EUA, mas mantém taxação sobre a soja

Por: Redação Valores Agro
28 de setembro de 2026
China amplia cortes tarifários sobre produtos agrícolas dos EUA, mas mantém taxação sobre a soja

Acordo tarifário entre China e Estados Unidos avança, mas com exceções

A China sinalizou disposição para reduzir tarifas sobre uma série de produtos agrícolas importados dos Estados Unidos, movimento que integra um pacote mais amplo de concessões comerciais recíprocas anunciado após encontro entre os presidentes dos dois países. A medida, no entanto, não contempla a soja, item que historicamente lidera as compras chinesas do mercado americano e que segue sujeito a uma tarifa adicional considerada elevada por operadores do setor.

O anúncio foi feito de forma conjunta pelo Ministério do Comércio chinês e pela Casa Branca, confirmando expectativas do mercado que aguardava desdobramentos práticos após a reunião realizada em Washington entre as lideranças dos dois países. A expectativa girava em torno de como os compromissos discutidos na cúpula se traduziriam em medidas concretas sobre o comércio agrícola bilateral.

Produtos beneficiados pela redução tarifária

A lista divulgada abrange itens como milho, trigo, sorgo, óleos vegetais, farelos — incluindo óleo de soja e farelo de soja —, além de carne e laticínios. Segundo o comunicado oficial, mais de 90% dos produtos incluídos ficarão isentos das tarifas adicionais impostas mutuamente entre os dois países, passando a ser taxados apenas pelas alíquotas padrão aplicadas a nações consideradas parceiras comerciais preferenciais.

Apesar de identificar claramente quais produtos serão beneficiados, o texto do acordo não estabelece prazo para que as reduções entrem efetivamente em vigor, deixando em aberto o cronograma de implementação das novas regras tarifárias.

Soja segue fora do pacote de benefícios

Mesmo diante da ampliação das concessões para outros produtos agrícolas, a soja americana permanece sujeita a uma tarifa adicional de 10%. Segundo operadores do mercado, esse percentual é considerado excessivo para absorção por parte das usinas privadas chinesas, mesmo com o avanço das compras realizadas por empresas estatais do país.

Analistas apontam que a decisão de manter a soja fora da lista de reduções tem relação direta com o peso político do produto nas negociações entre os dois governos. Segundo especialista consultado, embora a soja seja tecnicamente considerada um item não sensível do ponto de vista comercial, o simbolismo político em torno de sua compra pela China é significativo, o que confere a Pequim uma carta de barganha relevante em futuras rodadas de negociação com Washington.

Essa estratégia também é analisada sob a ótica do calendário político americano, já que o tema ganha relevância às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, quando o desempenho do agronegócio costuma influenciar debates internos sobre política comercial.

Volume de compras estatais chinesas

Empresas estatais chinesas ligadas ao setor de grãos já adquiriram um volume expressivo de soja americana, somando mais de 12 milhões de toneladas, o que representa quase metade da meta anual mencionada anteriormente pela Casa Branca, que fala em compromisso chinês de compra de 25 milhões de toneladas por ano até 2028.

Vale ressaltar que esse compromisso foi apresentado unilateralmente pelo governo americano em maio, sem que a China tenha, até o momento, confirmado oficialmente metas específicas de compra para os próximos anos.

Impacto financeiro do pacote de produtos liberados

O conjunto de produtos agrícolas e correlatos incluídos na lista de redução tarifária somou, em 2024, um volume comercial estimado em cerca de US\u2009$17 bilhões. Esse valor é próximo ao compromisso de compras que a China teria assumido, caso a soja seja excluída do cálculo, segundo levantamento baseado em dados oficiais de comércio.

Fontes do mercado avaliam que a manutenção das compras estatais de soja, somada aos benefícios tarifários concedidos a outros produtos, pode ajudar a China a cumprir o compromisso financeiro mencionado, mesmo sem alterar as condições aplicadas especificamente à oleaginosa.

Efeitos sobre o mercado privado chinês

Operadores do setor explicam que, sem a incidência de tarifas adicionais, o custo de desembarque da soja tanto americana quanto brasileira gira em torno de valores muito próximos, tornando a origem do produto menos determinante para o preço final. Ainda assim, a soja brasileira costuma ser preferida por apresentar maior teor de óleo e proteína, características valorizadas pela indústria processadora chinesa.

Diante da manutenção da tarifa adicional sobre a soja americana, fontes ligadas ao comércio internacional relatam que as usinas privadas chinesas seguem operando com margens negativas, cenário que reforça a preferência do setor privado pela soja de origem sul-americana em detrimento do produto dos Estados Unidos.

Perspectivas para o comércio bilateral

O desenho atual do acordo indica que, embora haja avanço na liberalização de diversos produtos agrícolas, a soja continua sendo tratada como peça estratégica nas negociações entre China e Estados Unidos. A ausência de definição de prazos para a entrada em vigor das reduções tarifárias também mantém um grau de incerteza sobre o ritmo de implementação das medidas.

O mercado internacional de commodities agrícolas deve continuar acompanhando de perto os próximos passos dessa negociação, especialmente no que se refere a eventuais ajustes na tarifa aplicada à soja, item que segue sendo o principal ponto de atenção entre os dois países no campo do comércio agrícola.

Exportação

Página 1

Nenhuma notícia encontrada nesta categoria.