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Exportações agropecuárias do Brasil batem recorde em 2025 e ampliam disputa global por liderança no setor

Por: Redação Valores Agro
13 de outubro de 2026
Exportações agropecuárias do Brasil batem recorde em 2025 e ampliam disputa global por liderança no setor

Brasil amplia presença no comércio agrícola internacional

O agronegócio brasileiro tem registrado avanços expressivos no mercado internacional nos últimos anos, resultado combinado de aumento de produção, ganhos de produtividade e crescimento da demanda externa por alimentos e matérias-primas. Esse movimento tem aproximado o país dos Estados Unidos, historicamente apontados como referência mundial no setor agropecuário, e intensificado a disputa por espaço entre os principais fornecedores globais de commodities.

Uma análise publicada pelo jornal britânico Financial Times apontou que o desempenho brasileiro já se equipara ao norte-americano em diversos aspectos do comércio agrícola. O tema também foi discutido pelo jornalista Nelson de Sá, em coluna publicada no UOL, que teve como base uma entrevista com Larissa Wachholz, ex-assessora do Ministério da Agricultura. Segundo essa avaliação, o Brasil consolidou sua competitividade em cadeias produtivas estratégicas, o que tem reposicionado o país no tabuleiro do comércio mundial de alimentos.

Entre os segmentos em que a presença brasileira se mostra mais expressiva estão soja, café, algodão, açúcar, suco de laranja e proteínas animais. Esses setores têm sustentado a participação nacional no fornecimento de insumos essenciais para a indústria alimentícia global, além de abastecer mercados que buscam diversificar fontes de compra diante de incertezas geopolíticas e climáticas em outras regiões produtoras.

Resultados recordes marcam o ano de 2025

O peso do agronegócio na economia nacional ficou evidente ao longo de 2025. As exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões, valor considerado o maior da série histórica apresentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O resultado representa alta de 3% em relação ao ano anterior e correspondeu a praticamente metade de todas as exportações realizadas pelo Brasil no período.

Entre os produtos que compuseram essa pauta, a soja em grãos manteve a liderança, com receitas de US$ 43,5 bilhões e um volume embarcado de 108,2 milhões de toneladas. A oleaginosa segue como o principal produto de exportação do agronegócio brasileiro, consolidando o papel do país como um dos maiores fornecedores globais da commodity.

A carne bovina também teve desempenho relevante, com vendas externas que somaram US$ 17,9 bilhões ao longo do ano. O resultado reforça a relevância do setor pecuário na pauta exportadora e evidencia a capacidade brasileira de atender tanto à demanda por grãos quanto por proteínas de origem animal em larga escala.

Com esse conjunto de resultados, o saldo comercial do agronegócio fechou positivo em US$ 149,07 bilhões. O número reforça a contribuição do setor para a entrada de divisas no país e para o equilíbrio das contas externas brasileiras, consolidando a agropecuária como um dos pilares centrais da economia nacional.

China segue como principal parceiro comercial

O mercado chinês continua exercendo influência direta sobre os resultados do agronegócio brasileiro. Em 2025, as compras realizadas pela China somaram US$ 55,3 bilhões, o equivalente a 32,7% de todas as exportações agropecuárias do país. A expressividade desse número demonstra o quanto a economia brasileira está conectada à demanda asiática por alimentos e matérias-primas.

Na sequência da lista de principais destinos aparece a União Europeia, com compras que totalizaram US$ 25,2 bilhões, seguida pelos Estados Unidos, responsáveis por US$ 11,4 bilhões em importações de produtos agropecuários brasileiros. Esses três mercados concentram parcela relevante do volume exportado pelo Brasil, o que reforça a importância de manter relações comerciais estáveis com esses parceiros.

Tensões entre EUA e China abrem espaço para o Brasil

As disputas comerciais entre Estados Unidos e China, incluindo a adoção de tarifas por parte do governo norte-americano, alteraram parte da dinâmica do comércio internacional de commodities agrícolas. Esse cenário abriu oportunidades para que produtores e exportadores brasileiros ampliassem o fornecimento a compradores estrangeiros, especialmente diante da necessidade chinesa de diversificar fontes de abastecimento.

Ainda assim, a diversificação de destinos continua sendo uma estratégia considerada essencial para o setor. A dependência excessiva de poucos mercados compradores pode deixar o agronegócio brasileiro vulnerável a mudanças tarifárias, restrições comerciais pontuais e alterações nas políticas de importação adotadas por diferentes países ao longo do tempo.

Crescimento do setor reacende debate ambiental

O avanço das exportações agropecuárias também traz à tona a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico com conservação ambiental. A conversão de vegetação nativa em áreas produtivas, os impactos sobre territórios indígenas e unidades de conservação, além de episódios de violação de direitos trabalhistas, estão entre os problemas historicamente associados à expansão da fronteira agropecuária no país.

Uma das alternativas apontadas para reduzir essas pressões é concentrar o crescimento da produção nas áreas já utilizadas pela agropecuária. A recuperação de pastagens degradadas, o investimento contínuo em pesquisa agropecuária e o aprimoramento das técnicas de manejo são apontados como caminhos capazes de elevar a produtividade sem necessariamente exigir o avanço sobre novas áreas de vegetação nativa.

A fiscalização ambiental e trabalhista também é considerada fundamental para que a expansão do setor ocorra dentro das exigências legais vigentes e dos compromissos assumidos pelo Brasil em acordos e tratados internacionais relacionados à sustentabilidade. A combinação entre produtividade e conformidade regulatória tende a ser decisiva para a manutenção da credibilidade do agronegócio brasileiro perante compradores internacionais mais exigentes.

Perspectivas internacionais para a próxima década

As tendências para o mercado agrícola global também têm sido analisadas por organismos internacionais, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O relatório conjunto Agricultural Outlook 2026-2035 avalia os fatores que devem influenciar a produção, o consumo e as trocas comerciais de produtos agropecuários ao longo da próxima década.

O estudo destaca a importância do comércio entre países para garantir o abastecimento mundial de alimentos e considera a América do Sul uma região estratégica para a oferta global de alimentos e matérias-primas agrícolas. Essa avaliação reforça a relevância geopolítica que o Brasil, como um dos principais representantes da região, tende a ocupar nos próximos anos.

Nesse cenário, o país apresenta espaço para fortalecer ainda mais sua atuação internacional, desde que mantenha investimentos consistentes em tecnologia, infraestrutura logística e eficiência produtiva. A capacidade de ampliar a produção agropecuária com menor impacto ambiental, aliada à conquista de novos mercados compradores, deve ser determinante para sustentar a competitividade brasileira diante de outros grandes players do comércio agrícola mundial.

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