Exportações de lácteos do Uruguai somam US$ 691 milhões até setembro e miram novo recorde

Receita das exportações lácteas cresce no acumulado do ano
O Instituto Nacional de la Leche (Inale), órgão responsável por acompanhar o setor lácteo no Uruguai, informou que a receita obtida com exportações de produtos lácteos entre janeiro e setembro de 2026 somou US$ 691 milhões. O valor representa uma alta de 1% em relação ao mesmo período de 2025, mantendo a trajetória de recuperação do setor após o recorde histórico registrado no ano anterior.
O levantamento considera quatro categorias principais de produtos: leite em pó integral, leite em pó desnatado, queijos e manteiga. Segundo os dados compilados a partir de informações da Direção Nacional de Aduanas do país vizinho, o comportamento entre essas linhas de produtos foi heterogêneo ao longo do ano.
Enquanto a receita obtida com leite em pó desnatado e queijos avançou na comparação anual, as exportações de leite em pó integral e manteiga registraram queda em termos de faturamento. Essa combinação de resultados distintos entre os produtos reflete tanto variações de preços internacionais quanto mudanças no volume embarcado para os diferentes mercados compradores.
Volume exportado aumenta, mas composição se altera
Quando a análise recai sobre o volume físico comercializado, o cenário também apresenta nuances. Houve aumento nas quantidades embarcadas de leite em pó integral, leite em pó desnatado e manteiga, mas uma retração no volume de queijos exportados no acumulado do ano.
No total, entre janeiro e setembro de 2026 foram exportadas 161.471 toneladas de produtos lácteos pelo Uruguai. O leite em pó integral segue como o principal produto da pauta exportadora do setor, concentrando 77,3% de todo o volume embarcado e 66,5% da receita total gerada no período, consolidando sua posição de destaque dentro do mix de produtos lácteos uruguaios.
Preços médios mostram variações distintas entre os produtos
A comparação dos preços médios obtidos em cada categoria ao longo do acumulado de 2026 frente a 2025 revela diferenças importantes. O leite em pó integral teve preço médio 8% inferior ao do ano anterior, enquanto o leite em pó desnatado registrou alta de 5%. Os queijos tiveram incremento de 2% no preço médio, ao passo que a manteiga apresentou a maior queda entre os quatro produtos, com recuo de 16%.
Esses movimentos de preços ajudam a explicar por que, mesmo com aumento de volume em alguns produtos, a receita total não cresceu na mesma proporção. A dinâmica de mercado internacional, marcada por oscilações na demanda e na oferta global de lácteos, segue influenciando diretamente o resultado financeiro das exportações uruguaias.
Comparação com o fechamento de 2025 indica recuperação recente
Um dado relevante apontado pelo Inale diz respeito à comparação entre o preço registrado em setembro de 2026 e o verificado em dezembro de 2025. Nesse recorte mais recente, o leite em pó integral teve alta expressiva de 23%, sinalizando uma recuperação de preços ao longo do ano. Já o leite em pó desnatado recuou 9% no mesmo comparativo.
Os queijos mantiveram certa estabilidade, com avanço de 2% entre dezembro de 2025 e setembro de 2026. A manteiga, por sua vez, foi o produto que apresentou a maior queda nesse período, com retrocesso de 29%, reforçando a volatilidade que tem marcado esse segmento específico dentro da pauta exportadora láctea uruguaia.
2025 foi ano de faturamento recorde para o setor
Os números do acumulado de 2026 devem ser interpretados à luz do desempenho excepcional registrado em 2025. Naquele ano, a receita total com exportações de lácteos somou US$ 977,7 milhões, uma alta de 14% em relação aos US$ 853,9 milhões obtidos em 2024. O resultado representou o maior valor já registrado pelo setor lácteo uruguaio em termos de faturamento com vendas externas.
O recorde anterior havia sido alcançado em 2022, quando a receita somou US$ 925,2 milhões, equivalente a um crescimento de 23% frente a 2021. Até então, a marca de US$ 900 milhões havia sido superada apenas uma vez, em 2013, quando o setor faturou US$ 907 milhões, 15% a mais que no ano anterior.
Volumes exportados também bateram recorde em 2025
Além do recorde em faturamento, o ano de 2025 também marcou o maior volume já exportado pelo setor lácteo uruguaio, com 250.744 toneladas embarcadas. O resultado superou as 241.135 toneladas registradas em 2024, que já representavam alta de 5% em relação a 2023.
Antes disso, o maior volume histórico havia sido alcançado em 2012, com 246.613 toneladas exportadas, um crescimento de 21% sobre 2011. A sequência de recordes recentes evidencia a expansão da capacidade produtiva e exportadora do setor lácteo uruguaio ao longo da última década.
Brasil se consolida como principal destino das exportações
Na análise trimestral de 2026, o Brasil apareceu como o principal mercado comprador de lácteos uruguaios em todos os períodos já encerrados no ano. O país respondeu por 32% da receita de exportações entre janeiro e março, 31% entre abril e junho, e 40% entre julho e setembro, consolidando-se como o destino mais relevante em termos de valor gerado para o setor lácteo uruguaio.
Outros mercados também figuram na pauta exportadora, ainda que com participações mais modestas. México, Egito, Nigéria, Arábia Saudita, África do Sul e Mauritânia aparecem entre os destinos complementares, cada um respondendo por parcelas iguais ou inferiores a 5% da receita total obtida pelas exportações lácteas uruguaias no período analisado.
Relevância do setor na pauta exportadora uruguaia
A importância da faturação com exportações lácteas vai além do próprio setor agroindustrial leiteiro. Em 2025, os produtos lácteos ocuparam a quarta posição entre os principais itens exportados pelo Uruguai, atrás apenas de carne bovina, celulose e soja, superando inclusive o concentrado de bebidas, que fechou o top cinco das exportações do país.
Essa posição de destaque reforça o peso econômico do setor lácteo na balança comercial uruguaia e ajuda a explicar o acompanhamento constante de indicadores como faturamento, volume e preços médios por parte de instituições como o Inale, que monitoram de perto a evolução desses números ao longo de cada exercício.