Óleo de soja bruto lidera crescimento das exportações do Paraná em 2026

Crescimento expressivo nas vendas externas
As exportações paranaenses de óleo de soja bruto registraram expansão de 78,9% nos primeiros nove meses de 2026, somando US$ 750,5 milhões em receitas, contra US$ 419,5 milhões obtidos no mesmo intervalo do ano anterior. O avanço de US$ 331 milhões representa o maior crescimento percentual entre os principais itens da pauta exportadora do Estado, de acordo com levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), divulgado recentemente com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O desempenho do produto chama atenção justamente por ter superado com folga o ritmo de crescimento das exportações totais do Paraná, que avançaram 5,5% no período, atingindo US$ 18,7 bilhões entre janeiro e setembro. A diferença entre os dois percentuais evidencia que o óleo de soja bruto teve um comportamento destacado dentro do conjunto de produtos comercializados pelo Estado no mercado internacional.
A cadeia produtiva da soja no comércio exterior
O resultado positivo do óleo de soja bruto reforça a relevância da cadeia produtiva da oleaginosa para a economia paranaense, que não se limita à comercialização do grão in natura. O processo de industrialização da soja permite a obtenção de subprodutos como o farelo e o óleo, ambos com participação relevante nas exportações do Estado ao longo de 2026.
A soja em grão manteve-se como um dos principais produtos exportados pelo Paraná, com vendas de US$ 3,9 bilhões nos nove primeiros meses do ano, crescimento de 6% em relação a 2025. O farelo de soja, por sua vez, responde por US$ 1,1 bilhão em exportações, com avanço de 13,3% na comparação anual.
Quando somados os valores obtidos com a soja em grão, o farelo e o óleo bruto, a cadeia da oleaginosa movimentou aproximadamente US$ 5,75 bilhões em exportações durante o período analisado. O montante demonstra a importância do complexo soja para a pauta comercial paranaense, que combina produtos agrícolas e industrializados em sua composição.
Diferenças entre os segmentos da mesma cadeia
Apesar de pertencerem à mesma cadeia produtiva, os três produtos apresentaram trajetórias distintas no mercado internacional. Enquanto a soja em grão e o farelo registraram crescimentos mais moderados, o óleo bruto se destacou com um salto percentual muito mais acentuado, ainda que movimentando um valor absoluto inferior aos outros dois itens.
O levantamento do Ipardes apresenta a evolução dos valores negociados em dólares, o que significa que o crescimento de 78,9% não deve ser interpretado automaticamente como um aumento equivalente no volume físico embarcado. Os resultados financeiros podem ter sido influenciados também pela variação dos preços internacionais do produto ao longo do período.
Para compreender com mais precisão os fatores que explicam o salto nas exportações de óleo de soja bruto, seria necessário um exame mais detalhado dos volumes efetivamente embarcados, dos preços médios praticados e dos principais países compradores do produto ao longo dos nove meses analisados.
Panorama geral das exportações paranaenses
No conjunto da economia estadual, as exportações do Paraná passaram de US$ 17,7 bilhões nos primeiros nove meses de 2025 para US$ 18,7 bilhões no mesmo período de 2026. O resultado mantém o Estado na sexta posição entre os maiores exportadores do Brasil, com produtos comercializados para 208 mercados internacionais diferentes.
Além da soja e de seus derivados, a carne de frango in natura teve participação expressiva na pauta exportadora paranaense, somando US$ 3,3 bilhões em vendas externas, crescimento de 25,8% em relação ao ano anterior. Com esse desempenho, a participação do produto no total exportado pelo Estado passou de 14,7% para 17,5%.
A soja em grão respondeu por 20,9% das exportações totais do Paraná no período, enquanto o farelo representou 5,8% do total. Os números reforçam a presença consistente do agronegócio entre os principais componentes da balança comercial estadual, ao lado de setores industriais como papel, celulose, máquinas e veículos.
Principais destinos das exportações
A China permaneceu como o principal destino das exportações paranaenses entre janeiro e setembro, com compras totais de US$ 4,3 bilhões, equivalentes a 23,1% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior no período. Em seguida aparecem Argentina, com US$ 1 bilhão em compras, Estados Unidos, com US$ 840,4 milhões, Índia, com US$ 774 milhões, e México, com US$ 716,3 milhões.
É importante destacar que esses valores correspondem ao total das exportações paranaenses para cada um desses países, e não exclusivamente às vendas de óleo de soja. O Japão também se destacou no período, com crescimento de 65,3% nas compras de produtos do Paraná em relação aos três primeiros trimestres de 2025, impulsionado principalmente pelos negócios envolvendo carne de frango.
Segundo o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, a diversificação dos mercados compradores contribuiu para sustentar o crescimento das exportações estaduais, mesmo diante de barreiras comerciais impostas por diferentes países ao longo do ano.
Importações e saldo comercial
Enquanto as exportações paranaenses cresceram 5,5% no período, as importações do Estado avançaram em ritmo ainda mais acelerado, com alta de 10,4%, passando de US$ 15,3 bilhões para US$ 16,9 bilhões entre janeiro e setembro. Mesmo com esse avanço nas compras externas, o Paraná registrou saldo comercial positivo de aproximadamente US$ 1,8 bilhão no período.
Os adubos e fertilizantes continuaram entre os principais produtos importados pelo Estado, somando US$ 2,1 bilhões em compras externas. O levantamento do Ipardes identificou, no entanto, uma redução de 10,1% no volume adquirido desses insumos em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Perspectivas para o restante do ano
O crescimento das receitas obtidas com a exportação de óleo de soja bruto figura entre os destaques do comércio exterior paranaense em 2026, refletindo o desempenho da cadeia produtiva da oleaginosa em um cenário internacional marcado por variações de preços e disputas comerciais entre diferentes blocos econômicos.
A continuidade desse ritmo de crescimento ao longo dos próximos meses dependerá de fatores como a demanda internacional pelo produto, as condições de produção interna e o comportamento dos preços no mercado global. Os próximos levantamentos do Ipardes permitirão avaliar se a tendência observada nos primeiros nove meses do ano se manterá até o fechamento do exercício de 2026.