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Armadora taiwanesa amplia frota e operações portuárias no Peru para atender agroexportação

Por: Redação Valores Agro
14 de outubro de 2026
Armadora taiwanesa amplia frota e operações portuárias no Peru para atender agroexportação

Expansão da frota acompanha crescimento do comércio exterior

A companhia de navegação taiwanesa Wan Hai Lines está reforçando sua atuação no Peru em um momento de disputa acirrada entre armadoras pelo transporte marítimo de produtos agrícolas destinados ao mercado asiático. A empresa vem renovando sua frota com embarcações de maior porte, superando a marca de 13 mil TEU de capacidade, unidade de medida equivalente a contêineres de 20 pés, utilizada para dimensionar a capacidade de carga de navios porta-contêineres.

Segundo informações repassadas por executiva comercial de exportações da companhia em entrevista a veículo especializado peruano, as novas embarcações possuem capacidade aproximada de 13.200 TEU, o que representa um salto significativo em relação a navios de gerações anteriores operados pela empresa na região. A modernização da frota segue, segundo a executiva, as tendências globais do setor de transporte marítimo, que vem priorizando embarcações maiores para ganhar escala e reduzir custos operacionais por contêiner transportado.

Três portos estratégicos na rota sul-americana

No Peru, a Wan Hai mantém conexões operacionais a partir de três terminais portuários estratégicos: Paita, Callao e Chancay. Cada um desses portos cumpre uma função específica dentro da logística da companhia, atendendo diferentes perfis de carga e rotas internacionais.

No terminal de Paita, localizado no norte do país, a empresa incorporou recentemente um serviço de cabotagem que conecta esse porto ao Callao, voltado principalmente para o transporte de carga congelada. Essa conexão interna busca otimizar o fluxo de mercadorias refrigeradas antes do embarque internacional, reduzindo gargalos logísticos entre as regiões produtoras e o principal porto de exportação do país.

Já o porto do Callao concentra os serviços gerais da companhia e mantém preferência entre importadores, principalmente pela proximidade com os depósitos localizados em Lima e pelas facilidades logísticas associadas à capital peruana. Essa centralidade tem feito do Callao um ponto nevrálgico para as operações de comércio exterior do país.

Em Chancay, terminal que vem recebendo investimentos relevantes em infraestrutura portuária nos últimos anos, a Wan Hai opera o serviço transpacífico identificado como WSA3, que conecta diretamente a Ásia à costa oeste da América do Sul. Essa rota tem ganhado relevância estratégica diante do crescimento do comércio bilateral entre os dois continentes.

Crescimento da agroexportação peruana impulsiona demanda

O movimento da armadora ocorre em paralelo à expansão expressiva das exportações agrícolas do Peru. Dados divulgados por plataforma especializada em estatísticas portuárias indicam que o setor agroexportador peruano somou 15,013 bilhões de dólares em receitas no ano, um avanço de 17,3% em comparação ao período anterior.

Entre os produtos que mais contribuíram para esse resultado estão os mirtilos frescos, que totalizaram 2,457 bilhões de dólares em vendas externas, e as uvas frescas, responsáveis por 1,960 bilhão de dólares. Ambos os produtos exigem transporte refrigerado especializado, o que amplia a pressão sobre a disponibilidade de contêineres reefer durante os períodos de pico das colheitas.

Esse crescimento consistente da pauta exportadora peruana tem atraído maior interesse de armadoras internacionais, que buscam posicionar suas frotas estrategicamente para capturar parcela desse fluxo comercial crescente. A competição por espaço nos navios e por contêineres refrigerados tende a se intensificar nos próximos ciclos de safra.

Disputa por contêineres refrigerados entre Peru e Chile

Um dos principais desafios logísticos enfrentados pelas empresas de transporte marítimo na região é a disponibilidade de unidades refrigeradas, conhecidas no setor como reefers. Esses equipamentos exigem conexão elétrica constante durante o transporte para manter a temperatura adequada às cargas perecíveis.

A situação se torna ainda mais complexa porque a temporada de exportação de uvas peruanas coincide parcialmente com o período de colheita de cerejas no Chile, ambos países concorrendo pela mesma infraestrutura de refrigeração disponível nos navios que operam na costa oeste sul-americana. Essa sobreposição de calendários agrícolas eleva a demanda simultânea por espaços refrigerados.

A executiva da Wan Hai reconheceu que tanto Chile quanto Peru disputam a alocação desses equipamentos durante os períodos de maior movimento. A companhia afirmou dispor atualmente de unidades suficientes, mas destacou que o planejamento logístico busca distribuir os espaços de forma equilibrada entre os dois mercados, evitando desabastecimento em qualquer uma das rotas.

Fretes marítimos e negociação com clientes

Sobre o comportamento das tarifas de frete marítimo, a representante comercial da companhia mencionou que houve uma tendência de alta recente, atribuída principalmente ao custo do combustível utilizado pelas embarcações. Esse componente representa parcela relevante da estrutura de custos do transporte marítimo internacional e costuma refletir diretamente nos valores cobrados dos exportadores.

Segundo a executiva, essa pressão de alta já apresentava sinais de moderação no período mais recente, o que tende a trazer maior previsibilidade para os exportadores que dependem desses serviços para escoar sua produção. Diante desse cenário, a empresa afirmou manter diálogo constante com seus clientes para compreender necessidades específicas e negociar condições que viabilizem o fechamento de contratos de longo prazo.

Essa prática de negociação direta busca equilibrar a volatilidade das tarifas internacionais com a necessidade de previsibilidade orçamentária dos produtores e exportadores, especialmente em setores sensíveis a prazos, como frutas frescas e produtos perecíveis em geral.

Perspectivas de expansão da operação

A companhia sinalizou intenção de ampliar sua presença no Peru, com possibilidade de desenvolver novos pontos de origem e destino para suas rotas comerciais. Entretanto, não foram detalhados prazos específicos ou informações adicionais sobre quais seriam esses novos terminais ou conexões.

O movimento de expansão de armadoras internacionais na costa peruana reflete um cenário mais amplo de reorganização logística na América do Sul, impulsionado pelo crescimento sustentado das exportações agrícolas e pela necessidade de infraestrutura portuária capaz de atender produtos perecíveis com exigências específicas de temperatura e tempo de trânsito.

Nesse contexto, o reforço operacional da Wan Hai Lines representa um indicativo de como as rotas comerciais entre América do Sul e Ásia seguem se consolidando, com investimentos em frota, ampliação de capacidade e maior especialização logística para atender a crescente demanda por transporte de produtos agrícolas frescos e congelados.

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